O Evangelho Segundo Judas, dirigido por Giulio Base e lançado em 18 de setembro de 2025, é uma releitura ousada da Paixão de Cristo. O filme, apresentado em anteprima no 78º Festival de Locarno, foca na perspectiva de Judas Iscariota, o traidor mais infame da história bíblica. Com Rupert Everett no papel principal, ao lado de Paz Vega e John Savage, a produção italiana de 93 minutos mistura drama histórico, elementos gnósticos e uma estética provocativa. Mas essa visão alternativa da Bíblia convence ou cai no excesso? Nesta crítica, analisamos o enredo, o elenco e os aspectos técnicos para decidir se vale a pena assistir.
VEJA TAMBÉM:
- O Evangelho Segundo Judas: Elenco, Onde Assistir e Tudo Sobre
- O Evangelho Segundo Judas, Final Explicado: A Redenção do Traidor
Premissa Inovadora e Temas Profundos
O filme abre com a morte simultânea de dois homens: Jesus na cruz e Judas pendurado em uma árvore. Essa imagem especular define o tom. Judas narra sua vida em um flashback, enquanto agoniza. Nascido em um bordel, filho de uma prostituta que morre no parto, ele é criado em meio à violência. Uma vidente prediz que ele gerará o mal. Órfão, Judas mata o proxeneta que o abusa e assume o controle do lugar, tornando-se um protetor cruel das prostitutas.
Tudo muda quando Jesus salva sua irmã, Maria Madalena, de uma lapidação. Fascinado, Judas abandona o bordel e se junta aos apóstolos como o último chamado. A narrativa segue os anos de pregação, convivência entre os discípulos e o inevitável beijo da traição. Base usa o Evangelho de Judas, um texto gnóstico apócrifo, para sugerir que a traição foi essencial para cumprir as profecias. Jesus precisava de Judas para completar sua missão.
Essa abordagem humaniza o vilão. Judas não é mero traidor; ele é um instrumento divino, vítima de seu destino. O filme questiona fé, livre-arbítrio e o preço da redenção. No entanto, a estrutura em flashback, com narração em off por Giancarlo Giannini, pode soar didática. A voz totalizante explica demais, sacrificando a espontaneidade visual.
Rupert Everett e Elenco Convencente
Rupert Everett interpreta Judas com intensidade magnética. Seu rosto, sempre parcialmente oculto por sombras ou roupas escuras, contrasta com a luz que banha Jesus. Everett captura a dualidade do personagem: o pecador endurecido que anseia por salvação. Sua performance é o coração do filme, especialmente nas cenas de arrependimento e suicídio.
Paz Vega, como Maria Madalena, traz vulnerabilidade e força. Sua relação com Judas adiciona camadas emocionais, destacando laços familiares em meio ao caos. John Savage, no papel de um apóstolo, oferece gravidade, enquanto Abel Ferrara faz uma aparição breve, mas impactante, como um seguidor enigmático. O elenco secundário, incluindo Darko Peric e Tomasz Kot, enriquece as dinâmicas entre os discípulos.
As atuações são sólidas, mas o roteiro limita alguns papéis. Jesus, interpretado de forma sutil, permanece distante, quase etéreo. Isso reforça o foco em Judas, mas pode frustrar quem busca uma visão mais equilibrada dos eventos bíblicos.
Direção Provocativa de Giulio Base
Giulio Base aplica sua estética de excesso ao gênero bíblico. O filme é rodado inteiramente com luz natural, sem equipamentos artificiais – até as cenas noturnas usam lanternas e fogueiras. Essa escolha cria uma textura crua, imersiva, que evoca os filmes de Pasolini ou Zeffirelli, mas com toques modernos.
Os títulos de abertura, com letras vermelhas sobre fundo negro e trilha de metal, chocam. A música irrompe como um trovão, contrastando com a serenidade da narrativa. Base filma o erotismo inicial no bordel com ousadia: cenas de nudez e violência pedofílica são explícitas, mas servem para ilustrar a origem traumática de Judas. A câmera nervosa corta entre rostos, olhos e paisagens rochosas da Calábria, excluindo o supérfluo.
No entanto, o excesso pode cansar. A narração constante cria um scollamento entre o que se ouve e o que se vê. Base se inspira em Jesus Christ Superstar, mas vai além, propondo que Judas é o alter ego sombrio de Jesus. A direção é ambiciosa, filmada em quatro semanas na Itália Meridional, mas peca em sutileza. O final, com as mortes paralelas, é poético, mas previsível.
Pontos Fortes e Limitações
Os pontos fortes incluem a performance de Everett e a fotografia naturalista. A exploração da psique de Judas oferece uma reflexão fresca sobre destino e moralidade. A produção, da Agnus Dei e Minerva Pictures, é caprichada, com locações na Sila e Cosenza que evocam a aridez bíblica.
Limitações surgem no ritmo: 93 minutos parecem longos devido à narração excessiva. O erotismo inicial choca, mas pode alienar espectadores conservadores. A ausência de um Jesus mais desenvolvido deixa a narrativa desequilibrada. Críticas em Locarno elogiam a ousadia, mas notam o risco de pregação.
Vale a Pena Assistir O Evangelho Segundo Judas?
O Evangelho Segundo Judas é para quem busca releituras bíblicas ousadas. Com atuações marcantes e direção visualmente impactante, ele provoca debates sobre fé e traição. Everett brilha, e a perspectiva gnóstica enriquece o gênero. No entanto, a narração didática e o tom excessivo podem afastar quem prefere narrativas fluidas.
Fãs de Pasolini ou Scorsese encontrarão ecos familiares, mas com um twist sombrio. Para uma sessão reflexiva, vale a pena. Distribuição da Eagle Pictures garante salas selecionadas. Assista se quiser questionar o mito do traidor – é um filme que fica na mente.
O Evangelho Segundo Judas é uma obra ambiciosa que humaniza Judas e desafia visões tradicionais da Paixão. Giulio Base entrega um drama cru, impulsionado por Everett e uma estética inovadora. Apesar de falhas na sutileza, sua provocação sobre destino e redenção o torna relevante em 2025. Recomendado para cinéfilos curiosos por perspectivas alternativas na Bíblia. Uma visão que, como Judas, é essencial para o todo.
Siga o Séries Por Elas no Twitter e no Google News, e acompanhe todas as nossas notícias!







