Crítica | A Empregada: Vale a Pena Assistir o Filme?

Lançado nos cinemas em 1º de janeiro de 2026, A Empregada chega ao público brasileiro como um suspense psicológico ambicioso, com 2h11min de duração, dirigido por Paul Feig e roteirizado por Rebecca Sonnenshine. Estrelado por Sydney Sweeney, Amanda Seyfried e Brandon Sklenar, o longa aposta em tensão crescente, jogos de poder e relações marcadas por desigualdade social e emocional.

A proposta é clara: envolver o espectador em um clima de mistério enquanto provoca desconforto e reflexão. A questão central, porém, permanece: A Empregada entrega tudo o que promete? A resposta exige uma análise cuidadosa de seus acertos e tropeços.

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Um suspense que começa pelo desconforto

Desde as primeiras cenas, A Empregada constrói uma atmosfera inquietante. A câmera se move com cuidado, os enquadramentos são calculados e o silêncio diz tanto quanto os diálogos. A narrativa acompanha uma jovem que aceita trabalhar na casa de um casal aparentemente perfeito, mas logo percebe que há algo errado naquela dinâmica.

O filme não se apressa em revelar seus conflitos. Pelo contrário, opta por uma progressão lenta, que pode incomodar parte do público mais acostumado a suspenses imediatistas. Ainda assim, essa escolha funciona para quem aprecia histórias que crescem aos poucos, alimentadas por pequenos gestos, olhares e frases carregadas de subtexto.

O desconforto não vem apenas do mistério, mas da sensação constante de que a protagonista está presa em um ambiente que a observa, a testa e a manipula.

Sydney Sweeney assume o centro emocional da narrativa

Sydney Sweeney entrega uma atuação sólida e contida, sustentando grande parte do filme com expressões sutis e reações internas. Sua personagem não é construída como vítima passiva, mas como alguém que tenta sobreviver emocionalmente em um espaço que a diminui.

A atriz demonstra maturidade ao evitar exageros. Cada decisão parece pensada para refletir o estado psicológico da personagem, que oscila entre submissão, medo e desejo de controle. É uma performance que cresce com o filme, ganhando força nos momentos mais silenciosos.

Esse trabalho reforça o tom psicológico da obra e ajuda a manter o interesse mesmo quando o roteiro se alonga além do necessário.

Amanda Seyfried e o jogo de poder feminino

Amanda Seyfried brilha em um papel ambíguo, daqueles que nunca se revelam por completo. Sua personagem transita entre cordialidade e frieza, criando uma presença instável que alimenta o suspense.

O embate entre as duas mulheres é um dos pontos mais interessantes do filme. Não se trata apenas de conflito pessoal, mas de uma disputa silenciosa por espaço, identidade e controle. Seyfried constrói essa tensão com precisão, explorando a dualidade entre aparência e intenção.

Para um site como Séries Por Elas, esse aspecto merece destaque: o filme propõe uma leitura sobre como mulheres podem reproduzir estruturas de opressão mesmo dentro de relações aparentemente solidárias.

Direção elegante, mas nem sempre eficiente

Paul Feig, mais conhecido por comédias, surpreende ao adotar um tom sóbrio e contido. A direção é tecnicamente competente, com uso inteligente de luz e cenografia para reforçar a sensação de isolamento.

No entanto, o ritmo irregular compromete parte da experiência. Há sequências que se estendem além do necessário, repetindo sensações já estabelecidas. Em alguns momentos, o filme parece hesitar em avançar, como se tivesse receio de entregar suas cartas cedo demais.

Essa escolha pode ser interpretada como estilo, mas também como falta de ousadia narrativa. Um suspense psicológico exige equilíbrio entre sugestão e progressão, algo que A Empregada nem sempre alcança.

Um roteiro que provoca, mas não aprofunda tudo

O texto de Rebecca Sonnenshine apresenta ideias interessantes, especialmente ao abordar relações de classe, dependência financeira e controle emocional. O problema está na execução.

Muitos temas são introduzidos, mas poucos são explorados até o fim. O filme prefere manter o mistério a aprofundar suas próprias reflexões, o que gera a sensação de potencial desperdiçado.

Ainda assim, o roteiro se destaca ao evitar explicações excessivas. Confia na inteligência do público e deixa espaços em aberto, o que pode agradar espectadores mais atentos.

A Empregada sob o olhar de Séries Por Elas

Do ponto de vista feminino, A Empregada oferece material relevante. A narrativa se constrói a partir de mulheres complexas, falhas e contraditórias, fugindo de arquétipos simplistas.

O filme propõe uma reflexão sobre como o poder se manifesta nas relações entre mulheres, especialmente quando atravessado por classe social, dependência econômica e expectativas sociais. Não há heroínas absolutas, nem vilãs óbvias, o que enriquece a discussão.

Por outro lado, o longa poderia ir além. Em alguns momentos, parece recuar justamente quando está prestes a aprofundar seu discurso, optando por caminhos mais seguros.

Um final que divide opiniões

O desfecho de A Empregada certamente será tema de debate. Sem entrar em spoilers, é possível dizer que o filme escolhe um caminho mais sugestivo do que conclusivo.

Para alguns, isso reforça o tom psicológico. Para outros, soa como falta de coragem. O impacto emocional existe, mas deixa a sensação de que algo mais poderia ter sido explorado.

Ainda assim, o final é coerente com a proposta geral e mantém a atmosfera inquietante até os últimos minutos.

Vale a pena assistir A Empregada?

Nota: 3,5/5

  • Veredito: Um filme que merece ser visto, discutido e questionado, especialmente por quem aprecia histórias centradas em mulheres complexas e relações de poder silenciosas.

A Empregada é um suspense elegante, bem atuado e visualmente cuidadoso, mas que nem sempre sustenta a força de suas próprias ideias. É um filme que provoca mais pelo clima do que pela ação, mais pela sugestão do que pela revelação.

Quem busca um thriller psicológico focado em relações humanas, especialmente sob uma ótica feminina, encontrará aqui bons momentos. Já quem espera reviravoltas constantes ou respostas claras pode sair frustrado.

No saldo final, trata-se de uma obra interessante, com performances fortes e temas relevantes, ainda que marcada por irregularidades narrativas.

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Magui Schneider
Magui Schneider

Como Editora-Chefe do Séries Por Elas, Magdalena (Magui) é responsável pela curadoria e tom editorial do portal. Magui traz um diferencial único: sua formação como Psicóloga (CRP-RS 07/27539). Ela utiliza sua expertise no comportamento humano para enriquecer as críticas de cinema e TV, oferecendo uma visão analítica e humana sobre o desenvolvimento de personagens e tramas.

Especialista em narrativas de drama, romance e comédia, a ‘Little Monster’ fã declarada da Lady Gaga, traduz sua visão profissional em análises que conectam o público às emoções das telas. É ela quem garante que, aqui, a paixão de fã e a análise séria andem de mãos dadas.

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