SPOILER: Como termina Os Pequenos Vestígios? Final Explicado

O thriller Os Pequenos Vestígios, dirigido por John Lee Hancock e estrelado por Denzel Washington, Rami Malek e Jared Leto, continua a intrigar o público. Lançado em 2021 e agora disponível na Netflix, o filme explora a caçada de dois detetives de Los Angeles por um serial killer cujos crimes ecoam um caso não resolvido do passado. Com uma trama cheia de tensão psicológica e ambiguidades morais, o desfecho divide opiniões. Se você está aqui pelo spoiler completo, avance com cautela – este artigo revela tudo. Vamos dissecar o final, o que ele significa e as interpretações do diretor. Baseado na narrativa do filme, explicamos passo a passo.

Resumo Rápido da Trama (Sem Spoilers Iniciais)

Joe “Deke” Deacon (Denzel Washington), um detetive veterano de Kern County, retorna a Los Angeles para um procedimento simples, mas acaba envolvido na investigação de uma série de assassinatos brutais. Os crimes – mulheres jovens estranguladas, com um laço vermelho como assinatura – lembram um caso antigo que assombra Deke há cinco anos. Ele se une ao ambicioso detetive Jim Baxter (Rami Malek), e juntos seguem pistas que levam a Albert Sparma (Jared Leto), um suspeito excêntrico e provocador que trabalha em uma loja de eletrônicos.

Sparma adora atormentar os detetives, insinuando conhecimentos sobre os crimes e até confessando um assassinato que não poderia ter cometido. Sua personalidade manipuladora cria dúvida: ele é o culpado ou apenas um impostor sádico? A investigação vira um jogo mental, com Deke carregando o peso de falhas passadas, incluindo uma tragédia pessoal que o marcou profundamente. O filme não é só sobre caçar um monstro, mas sobre como a obsessão corrói a alma.

O Clímax: A Emboscada no Deserto

O ponto de virada ocorre quando Sparma, encurralado por Baxter, oferece uma “prova” irrecusável: ele promete levar o detetive ao local onde enterrou uma das vítimas. Baxter, impulsionado pela urgência de resolver o caso e proteger sua família, aceita o convite. Deke segue de carro, mantendo distância, mas atento. Eles chegam a um deserto isolado, onde Sparma indica um ponto exato para cavar.

Baxter escava furiosamente sob o sol impiedoso, enquanto Sparma o provoca sem piedade. O suspeito zomba da paternidade de Baxter, questionando se ele pode proteger suas filhas de verdade, e ri da futilidade da busca. A tensão explode: frustrado e enfurecido, Baxter perde o controle e golpeia Sparma repetidamente com a pá, matando-o no local. É um momento visceral, que humaniza Baxter – ele não é o herói imaculado que parecia ser.

Deke chega logo depois e, em vez de relatar o incidente, opta por encobri-lo. O filme insere um flashback revelador: cinco anos antes, Deke atirou acidentalmente em uma garota desaparecida durante uma perseguição, e o caso foi abafado pelo legista. Essa culpa explica sua obsessão e sua empatia relutante por Baxter. Deke aconselha o parceiro a enterrar o corpo e esquecer tudo: “Deixe para lá, ou isso vai te consumir inteiro.” Baxter continua cavando, desesperado por um corpo que nunca aparece, mas Deke o convence a parar. Sparma está morto, mas a verdade sobre os crimes permanece enterrada – literalmente e metaforicamente.

A Cena Final: O Laço Vermelho e a Manipulação de Deke

Meses depois, Baxter está em casa, tentando retomar a normalidade com sua esposa e filhas. Um pacote chega pelo correio: dentro, um laço de cabelo vermelho idêntico ao usado por uma das vítimas. O item é um soco no estômago, sugerindo que o assassino ainda está à solta – ou que Baxter errou feio ao matar Sparma. Ele entra em pânico, questionando sua sanidade e sua decisão.

Corta para Deke em um motel isolado. Ele queima pertences de Sparma em uma fogueira: fotos, roupas, itens pessoais. Entre as chamas, surge uma caixa nova de laços de cabelo, com todos os itens intactos exceto um – o vermelho. Deke o comprou e enviou anonimamente para Baxter. Seu objetivo? Convencer o jovem detetive de que Sparma era o culpado, que os crimes pararam e que ele pode encontrar paz. É um ato de misericórdia distorcida: Deke, marcado por sua própria falha, poupa Baxter do tormento que o consome há anos.

Quem Era o Verdadeiro Assassino?

Aqui reside o coração controverso do final: nunca sabemos se Sparma era o serial killer. O filme deixa pistas em ambas as direções. Por um lado, Sparma demonstra um conhecimento obsessivo dos crimes, segue as vítimas e confessa detalhes impossíveis de saber sem culpa. Sua morte poderia encerrar a matança. Por outro, ele mente compulsivamente, e a ausência de um corpo no deserto sugere blefe. As provocações finais – “Tenho que trabalhar amanhã, vamos embora” – soam como uma pista de inocência, ou talvez uma mentira calculada.

O diretor John Lee Hancock abraçou essa ambiguidade em entrevistas. Em conversa com a Entertainment Weekly, ele disse: “Posso argumentar de qualquer jeito. Ele diz ‘Tenho que trabalhar amanhã’, o que sugere que nada vai acontecer lá.” Hancock enfatiza que o filme não é sobre desvendar o mistério, mas sobre o cinza moral: “Ou ele era culpado e os crimes param, ou não, e eles continuam. É um final feio de qualquer forma.” Até Jared Leto, que interpretou Sparma, chegou a uma conclusão pessoal sobre a culpa do personagem, mas Hancock pediu que ele não revelasse – para preservar o debate.

Essa escolha narrativa transforma Os Pequenos Vestígios em um estudo psicológico. Não é um whodunit clássico; é sobre como a busca pela verdade destrói mais que o crime em si. Deke representa o veterano quebrado, que sacrifica sua integridade para salvar outro. Baxter, o idealista, mergulha na dúvida, ecoando temas de culpa, redenção e os “pequenos vestígios” de trauma que nos definem.

O Que o Final Significa para os Personagens e o Público?

Para Deke, o ato final é catarse e prisão. Ao manipular Baxter com o laço, ele transfere sua dor – não resolve o passado, mas impede que se repita. É um gesto paternal, mas egoísta: Deke encontra propósito em proteger o “eu” que ele perdeu. Baxter, por sua vez, ganha uma ilusão de closure, mas a semente da dúvida permanece. Ele pode dormir à noite, mas o pacote o assombra, questionando se cometeu um erro fatal.

O filme critica o sistema policial: encobrimentos, pressões emocionais e a ilusão de justiça. Em uma era de true crime, onde respostas limpas são raras, Hancock nos força a confrontar o desconforto. Fãs debatem online: Sparma era o monstro, ou Deke e Baxter criaram um? A ambiguidade eleva o thriller além do procedural, tornando-o uma meditação sobre obsessão.

Se o final te deixou confuso ou furioso, você não está sozinho. Hancock pretendia isso: “Não sei a resposta, e é isso que o filme é.” Qual sua teoria? Sparma culpado ou inocente? Compartilhe nos comentários. Assista na Netflix e decida por si.

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Magui Schneider
Magui Schneider

Como Editora-Chefe do Séries Por Elas, Magdalena (Magui) é responsável pela curadoria e tom editorial do portal. Magui traz um diferencial único: sua formação como Psicóloga (CRP-RS 07/27539). Ela utiliza sua expertise no comportamento humano para enriquecer as críticas de cinema e TV, oferecendo uma visão analítica e humana sobre o desenvolvimento de personagens e tramas.

Especialista em narrativas de drama, romance e comédia, a ‘Little Monster’ fã declarada da Lady Gaga, traduz sua visão profissional em análises que conectam o público às emoções das telas. É ela quem garante que, aqui, a paixão de fã e a análise séria andem de mãos dadas.

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3 comentários

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  1. Há uma falha na análise: Deke é quem envia o pacote com o laço vermelho, e recebê-lo traz apenas alívio a Baxter, que acredita que o laço da vítima estava em meio aos pertences de Sparma e este seria o verdadeiro serial killer.

    No demais, ótima análise. Parabéns!