Os Malditos (2025), dirigido por Roberto Minervini, é um drama histórico que mergulha na Guerra Civil Americana de 1862. O filme segue um grupo de soldados voluntários da União enviados para patrulhar territórios inexplorados no Oeste. Com uma abordagem minimalista e impressionista, a produção questiona o sentido do engajamento em meio ao conflito. Estrelado por René W. Solomon, Jeremiah Knupp e Cuyler Ballenger, o longa marca a estreia narrativa tradicional de Minervini. Este artigo explora a trama, a ficha técnica, o elenco principal e o impacto do filme.
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Sinopse e Trailer de Os Malditos
Os Malditos se passa no inverno de 1862, durante a Guerra de Secessão. O Exército dos Estados Unidos envia uma companhia de voluntários para o Oeste, com a tarefa de patrulhar as fronteiras inexploradas. O grupo, composto por soldados comuns, enfrenta o rigor da natureza e a ausência de inimigos claros. À medida que a missão muda de rumo, os homens questionam o propósito de seu alistamento.
A narrativa foca na rotina diária: caminhadas exaustivas, acampamentos sob neve e conversas introspectivas. Sem vilões tradicionais ou batalhas épicas, o filme destaca a absurdidade da guerra. Os soldados lidam com o isolamento, o frio e dúvidas internas, refletindo sobre lealdade e sobrevivência. A produção evita arquétipos heroicos, optando por um retrato lacônico da existência marginalizada.
Ficha Técnica
- Título Original: The Damned
- Título no Brasil: Os Malditos
- Direção: Roberto Minervini
- Roteiro: Roberto Minervini
- Produção: Paolo Benzi, Denise Ping Lee, Roberto Minervini
- Produção Executiva: Não especificado
- Fotografia: Carlos Alfonso Corral
- Edição: Marie-Hélène Dozo
- Design de Produção: Não especificado
- Trilha Sonora: Carlos Alfonso Corral
- Distribuição: Grasshopper Film (EUA), Les Films du Losange (internacional)
- Estreia Mundial: 18 de maio de 2024 (Festival de Cannes, seção Un Certain Regard)
- Estreia no Brasil: 18 de setembro de 2025
- Duração: 1 hora e 28 minutos
- Gênero: Guerra, Histórico, Drama
- Classificação: Não classificado
- Bilheteria Mundial: Não disponível (lançamento limitado)
- Formato: Filmado em Montana, com atores não profissionais e diálogos improvisados
Elenco Principal
O elenco de Os Malditos é um dos pilares da produção, composto majoritariamente por atores não profissionais, incluindo membros da Guarda Nacional e bombeiros locais de Montana. Essa escolha reflete o estilo de Roberto Minervini, que prioriza autenticidade sobre estrelas de Hollywood.
Os intérpretes trazem vivências reais para os papéis, criando personagens que parecem emergir da história americana real. O foco no grupo de soldados permite que cada ator contribua para um mosaico de vozes marginais, questionando o heroísmo tradicional da guerra.
René W. Solomon como soldado principal

Solomon lidera o grupo com uma presença estoica e introspectiva. Como ator não profissional, ele incorpora o peso da fadiga e da dúvida, especialmente em cenas de acampamento onde os homens debatem o sentido da missão. Sua performance é marcada por silêncios eloquentes, capturando a essência de um voluntário comum perdido em um conflito maior. Solomon, originário de comunidades rurais, adiciona camadas de realismo ao retrato de um homem que luta contra o isolamento emocional. Sua habilidade em improvisar diálogos faz dele o âncora emocional do filme, destacando-se em momentos de confronto com a natureza hostil.
Jeremiah Knupp como companheiro de patrulha

Knupp interpreta um soldado mais jovem e impulsivo, trazendo energia crua à dinâmica do grupo. Sua atuação reflete a transição de idealismo para desilusão, com expressões faciais que transmitem confusão e raiva contida. Como parte do elenco local, Knupp usa sua experiência em ambientes remotos para enriquecer as cenas de sobrevivência, como marchas nevadas e vigílias noturnas. Ele se destaca em interações que revelam tensões internas, oferecendo um contraponto à estoicidade de Solomon. A naturalidade de Knupp reforça o tema de Minervini sobre almas perdidas na América dividida.
Cuyler Ballenger como membro da companhia

Ballenger encarna um soldado mais experiente, com uma postura resignada que ecoa o ceticismo em relação à guerra. Sua performance é sutil, focada em gestos cotidianos como acender fogueiras ou reparar equipamentos. Como ator iniciante de Montana, Ballenger traz autenticidade cultural, incorporando dialetos regionais e maneirismos de trabalhadores rurais. Ele brilha em conversas coletivas, onde questiona o propósito do engajamento, adicionando profundidade filosófica ao ensemble. Sua presença física, moldada por anos em ambientes hostis, torna as cenas de fadiga visualmente convincentes.
Outros atores, como Noah Carlson, Judah Carlson e Tim Carlson, completam o grupo, atuando como figuras coadjuvantes que representam a diversidade de voluntários da União. Carlson, por exemplo, interpreta um soldado reflexivo, contribuindo para diálogos improvisados sobre lealdade e absurdo bélico. Esses intérpretes não profissionais, selecionados por Minervini em Helena, Montana, vivem no set por dois meses, imergindo no acampamento para absorver a atmosfera. Essa imersão resulta em atuações orgânicas, onde os atores incorporam aspectos de suas vidas reais, como experiências em forças de segurança pública. O elenco coletivo cria uma sensação de documentário ficcional, com interações que parecem espontâneas e autênticas.
O impacto do elenco estende-se à representação da América rural. Minervini, que residiu no Texas por uma década, escolheu intérpretes locais para evitar estereótipos. Solomon, com raízes em comunidades isoladas, personifica o voluntário que alista por dever, mas duvida da justiça. Knupp, mais jovem, representa a geração atraída pela aventura, mas confrontada pela realidade. Ballenger, com sua maturidade, ecoa veteranos que veem a guerra como ciclo de violência sem fim. Juntos, eles constroem um retrato multifacetado, onde o elenco não apenas atua, mas habita o mundo do filme.
A Direção de Roberto Minervini
Roberto Minervini, nascido na Itália e radicado nos Estados Unidos, traz sua experiência em filmes híbridos para Os Malditos. Conhecido por obras como The Other Side e What You Gonna Do When the World’s on Fire?, ele abandona o documentário puro pela primeira vez, mas mantém o olhar social e político. Filmado em Montana em 2022, o longa usa locações reais para capturar a vastidão implacável do Oeste. Minervini criou um acampamento permanente, onde o elenco viveu por dois meses, fomentando improvisações autênticas.
A direção é minimalista, com iluminação natural e sons ambientais como trilha. Sem música orquestral, o foco recai nos atores e na paisagem. Minervini evita narrativas lineares, optando por uma estrutura impressionista que prioriza observação sobre ação. Sua visão critica a glorificação da guerra, destacando o tédio e o terror pontual. O filme, apresentado em Cannes 2024 na seção Un Certain Regard, ecoa sua filmografia anterior, explorando almas desorientadas na América conflituosa.
Temas e Recepção
Os Malditos aborda a absurdidade da guerra, questionando arquétipos como heroísmo e vingança. Ambientado no Oeste menos explorado da Guerra Civil, o filme foca na patrulha como metáfora para engajamento sem propósito. Os soldados, voluntários comuns, debatem lealdade em meio ao isolamento. O estilo impressionista, com longos planos de paisagens nevadas, reforça a contemplação. A ausência de distinções bem-mal reflete a visão de Minervini sobre divisões americanas persistentes.
A fotografia de Carlos Alfonso Corral usa tons acinzentados para evocar melancolia. Cenas de lobos devorando carcaças abrem o filme, simbolizando sobrevivência primal. O design minimalista, com uniformes azuis da União como única cor, intensifica o foco nos atores. A edição de Marie-Hélène Dozo mantém um ritmo lacônico, permitindo que o público sinta o vazio da espera.
Os Malditos recebeu elogios por sua abordagem inovadora. Críticos destacam o realismo do elenco e a crítica sutil à guerra. Com duração de 88 minutos, o filme impressiona pela economia narrativa. Sua estreia em Cannes gerou buzz, posicionando Minervini como voz única no cinema independente. O longa ressoa em um contexto de divisões políticas, servindo como origem para explorações de conflito americano. O uso de atores locais reforça o compromisso com autenticidade, influenciando debates sobre representação em filmes históricos.
Por Que e Onde Assistir Os Malditos?
Os Malditos é essencial para fãs de dramas históricos introspectivos. O elenco, liderado por Solomon, Knupp e Ballenger, oferece atuações autênticas que humanizam a guerra. A direção de Minervini cria uma experiência contemplativa, ideal para quem aprecia The Thin Red Line. Com foco na dúvida e na sobrevivência, o filme desafia visões românticas do conflito.
Os Malditos (2025) é uma obra impactante que usa o elenco não profissional para questionar a Guerra Civil. Roberto Minervini entrega um retrato minimalista, com René W. Solomon, Jeremiah Knupp e Cuyler Ballenger brilhando em papéis improvisados. O filme, com sua ênfase em autenticidade, reforça temas de engajamento e absurdidade.
Para espectadores em busca de cinema reflexivo, Os Malditos é uma jornada essencial no Oeste americano de 1862. Sendo assim, sua estreia em 18 de setembro de 2025 no Brasil marca um momento para o cinema arthouse.
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