
Harriet, Final Explicado: Ela conquista a liberdade?
Harriet (2019), disponível na Netflix, é uma cinebiografia emocionante sobre Harriet Tubman, dirigida por Kasi Lemmons. Estrelado por Cynthia Erivo, Leslie Odom Jr. e Janelle Monáe, o filme retrata a jornada de Tubman, uma ex-escravizada que se tornou uma das maiores abolicionistas dos EUA. Com uma narrativa envolvente, o filme explora sua fuga da escravidão e sua liderança na Underground Railroad. Este artigo explica o desfecho, esclarece o destino de Harriet e analisa o impacto da história.
Resumo da trama de Harriet

Em 1849, Araminta “Minty” Ross (Cynthia Erivo) vive como escravizada na fazenda Brodess em Maryland. Casada com John Tubman (Zackary Momoh), um homem livre, ela descobre que um testamento do bisavô de seu dono, Edward Brodess, garantia a liberdade de sua mãe, Rit, e seus filhos aos 45 anos. Edward ignora o documento, e após sua morte, seu filho Gideon (Joe Alwyn) planeja vender Minty, separando-a de sua família. Desesperada, ela foge sozinha, percorrendo 160 km até a Filadélfia, onde adota o nome Harriet Tubman, em homenagem à mãe.
Na Filadélfia, Harriet conhece William Still (Leslie Odom Jr.) e Marie Buchanon (Janelle Monáe), líderes abolicionistas que a apresentam à Underground Railroad, uma rede secreta de rotas para escravizados. Apesar da liberdade, Harriet retorna várias vezes ao Sul, resgatando familiares e outros escravizados, ganhando o apelido “Moisés” por sua coragem. Suas visões, atribuídas a Deus, mas provavelmente resultantes de um trauma craniano na infância, guiam suas missões. A trama culmina com a luta de Harriet contra Gideon e sua participação na Guerra Civil.
O clímax: O confronto com Gideon
Nos momentos finais, Harriet retorna a Maryland para resgatar sua sobrinha, enfrentando Gideon, que se tornou obcecado por capturá-la. Ele mata Bigger Long, um caçador de recompensas, e persegue Harriet em uma floresta. Em uma cena tensa, Harriet o desarma, atirando em sua mão e o subjugando. Em vez de matá-lo, ela profetiza que Gideon e outros escravocratas morrerão em uma “batalha sangrenta” pelo pecado da escravidão, aludindo à Guerra Civil. Harriet toma seu cavalo e foge, deixando Gideon vivo, mas derrotado.
A equipe de Harriet resgata os escravizados, superando os aliados de Gideon. A fazenda Brodess, em ruínas financeiras, simboliza o colapso do sistema escravocrata. Harriet retorna ao Norte, consolidando sua reputação como líder. O filme avança para o Raide do Rio Combahee, em 1863, onde Harriet, já uma figura lendária, lidera 150 soldados negros da União, libertando mais de 750 escravizados.
O desfecho: Harriet conquista a liberdade?
Sim, Harriet conquista a liberdade, tanto pessoal quanto para outros. Após o confronto com Gideon, ela completa sua missão de resgate e retorna ao Norte em segurança. O epílogo mostra Harriet discursando para soldados negros antes do Raide do Rio Combahee, um marco histórico como a primeira operação militar liderada por uma mulher nos EUA. O filme destaca que ela libertou cerca de 70 escravizados diretamente e, durante a Guerra Civil, atuou como espiã e batedora, contribuindo para a libertação de mais de 750 pessoas. Harriet continuou lutando pelo sufrágio feminino até sua morte em 1913, aos 91 anos, deixando um legado de coragem com suas últimas palavras: “Vou preparar um lugar para vocês.”
O destino de Gideon, um personagem fictício criado para dramatizar a narrativa, não é mostrado, mas sua derrota simboliza o fim do poder escravocrata. Harriet emerge como uma heroína, sua fé e visões reforçando sua determinação. O filme, embora tome liberdades criativas, como a ausência de seus irmãos na fuga inicial, mantém a essência de sua história real.
Fato vs. ficção
Harriet é fiel à trajetória de Tubman, mas inclui elementos fictícios. Gideon Brodess não existiu; Edward e Eliza Brodess tinham um filho, mas ele não era um antagonista direto. Na realidade, Harriet fugiu inicialmente com dois irmãos, que retornaram por medo, enquanto o filme a mostra sozinha. Suas visões, atribuídas a um trauma craniano causado por um peso lançado por um capataz, são retratadas como divinas, refletindo sua fé, mas com um tom místico exagerado. A canção “Go Down Moses”, usada como código, é historicamente precisa, mas o filme não explica seu uso entre escravizados.
O significado do final
O desfecho de Harriet celebra a resiliência e a liderança de Tubman. Sua decisão de poupar Gideon reflete sua crença na justiça divina e na inevitável queda da escravidão, simbolizada pela Guerra Civil. A cena do Raide do Rio Combahee destaca sua evolução de fugitiva para comandante militar, enfatizando seu impacto histórico. O filme, porém, é criticado por sua abordagem formulaica, com elipses que diminuem a carga dramática das viagens e uma ênfase excessiva na religiosidade, que às vezes soa como muleta narrativa.
A atuação de Cynthia Erivo, indicada ao Oscar, é o coração do filme, capturando a força e vulnerabilidade de Harriet. A trilha sonora, incluindo “Stand Up”, também indicada ao Oscar, adiciona emoção. Apesar de falhas, como a superficialidade de alguns personagens e cenários televisivos, Harriet ressoa como um tributo à luta contra a opressão.



