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Crítica de Harriet: Vale a pena assistir ao filme?

Harriet (2019), dirigido por Kasi Lemmons, é um drama biográfico que narra a vida inspiradora de Harriet Tubman, uma das figuras mais icônicas da história americana. Estrelado por Cynthia Erivo, o filme retrata a jornada de Tubman, de escrava fugitiva a heroína da Underground Railroad. Com uma narrativa emocional e atuações marcantes, a produção busca honrar o legado de coragem e resistência. Mas será que entrega uma experiência cinematográfica memorável? Nesta crítica, analisamos a trama, o elenco, a direção e se Harriet vale seu tempo.

Uma história poderosa de liberdade

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Imagem: Focus Features

Harriet acompanha Araminta “Minty” Ross (Cynthia Erivo), uma jovem escravizada em Maryland, na década de 1840. Após uma ameaça de separação de sua família, Minty foge para a Pensilvânia, adotando o nome Harriet Tubman. Inspirada por sua fé e visões espirituais, ela retorna ao Sul várias vezes, guiando dezenas de escravizados à liberdade através da Underground Railroad. Enquanto enfrenta caçadores de escravos e traições, Harriet se torna uma líder abolicionista, desafiando um sistema opressivo.

A premissa é inegavelmente poderosa, destacando a coragem de Tubman em um contexto histórico brutal. O filme simplifica alguns eventos, como apontado por críticos no The New York Times, mas mantém o impacto emocional. A narrativa alterna entre momentos de tensão, como fugas noturnas, e reflexões sobre liberdade e sacrifício, capturando a essência da luta de Tubman.

Cynthia Erivo brilha como Harriet

Cynthia Erivo entrega uma atuação extraordinária como Harriet Tubman. Sua intensidade carrega o filme, transmitindo força, vulnerabilidade e determinação. Erivo, indicada ao Oscar por sua performance, equilibra a humanidade de Harriet com sua aura quase mítica, especialmente nas cenas guiadas por suas visões espirituais. Sua interpretação do hino “Stand Up” também é um destaque emocional, como notado pelo Variety.

O elenco de apoio, incluindo Leslie Odom Jr. como William Still e Janelle Monáe como Marie Buchanon, oferece atuações sólidas, mas o foco permanece em Erivo. Joe Alwyn, como o cruel Gideon Brodess, e Clarke Peters, como o pai de Harriet, adicionam profundidade, embora alguns personagens, como Marie, sejam subdesenvolvidos, conforme críticas no Roger Ebert. A química entre o elenco reforça a narrativa, mas Harriet é o coração da história.

Direção sensível, mas com limitações

Kasi Lemmons, conhecida por Eve’s Bayou, dirige Harriet com uma abordagem visual que combina realismo e toques espirituais. A fotografia de John Toll captura a beleza e a dureza dos cenários, das florestas escuras às plantações do Sul. A trilha sonora de Terence Blanchard intensifica a emoção, especialmente nas sequências de fuga. Lemmons destaca a fé de Harriet como um elemento narrativo, mas evita transformá-la em uma figura intocável, mantendo sua humanidade.

No entanto, a direção enfrenta críticas por simplificar a história, como apontado pelo The Guardian. O filme condensa anos de luta em duas horas, o que resulta em um ritmo acelerado e momentos previsíveis. Algumas cenas, como confrontos com caçadores de escravos, carecem de tensão, e a abordagem convencional pode decepcionar quem espera um tratamento mais ousado, segundo o IndieWire.

Comparação com outros dramas históricos

Harriet se encaixa no gênero de dramas biográficos como 12 Anos de Escravidão e Selma, mas adota um tom mais acessível, quase heroico. Diferente da brutalidade crua de 12 Anos, Harriet equilibra esperança e sofrimento, apelando a um público amplo. Comparado a The Birth of a Nation (2016), que foca em uma revolta violenta, Harriet enfatiza a resistência não violenta, destacando a estratégia de Tubman na Underground Railroad.

Críticas no Rotten Tomatoes elogiam a relevância do filme em retratar a luta contra a opressão, mas apontam que ele não inova no gênero. A escolha de focar na ação em vez de explorar profundamente o contexto histórico, como faz Selma, limita seu impacto. Ainda assim, a história de Tubman, pouco contada no cinema, faz de Harriet uma adição valiosa.

Pontos fortes e limitações

Os pontos fortes de Harriet estão na atuação de Cynthia Erivo, na história inspiradora de Tubman e na produção visualmente rica. A narrativa captura a coragem e a resiliência de uma mulher que desafiou um sistema desumano, tornando o filme acessível e emocionalmente envolvente. A trilha sonora e as cenas de fuga são destaques, criando momentos de impacto, como apontado pelo Hollywood Reporter.

As limitações incluem a simplificação histórica e o ritmo acelerado. O filme evita explorar detalhes complexos, como a rede abolicionista ou o impacto da Guerra Civil, o que frustra expectativas de profundidade, segundo o Vox. Algumas subtramas, como a relação de Harriet com Marie, são subdesenvolvidas, e o final, embora inspirador, parece formulaico. Apesar disso, a história de Tubman compensa essas falhas.

Vale a pena assistir a Harriet?

Harriet é uma homenagem poderosa a uma figura histórica sub-representada. Cynthia Erivo brilha, e a direção de Kasi Lemmons entrega uma narrativa acessível e emocional. Embora simplifique eventos históricos e careça de inovação no gênero, o filme é envolvente, especialmente para quem busca histórias de resistência e esperança. No catálogo da Netflix, onde está disponível em 2025, é uma opção sólida para fãs de dramas históricos.

Se você gosta de 12 Anos de Escravidão ou Selma, Harriet oferece uma perspectiva única sobre a luta abolicionista. Para quem prefere narrativas mais complexas ou menos convencionais, pode parecer simplista. Ainda assim, a força da história de Tubman e a atuação de Erivo tornam o filme uma experiência válida para uma sessão reflexiva.

Harriet é um drama biográfico que celebra a coragem de Harriet Tubman com uma atuação inesquecível de Cynthia Erivo. Apesar de uma abordagem convencional e simplificações históricas, o filme emociona com sua mensagem de resistência e liberdade. A produção visual e a trilha sonora reforçam a narrativa, embora falte ousadia para se destacar entre os grandes do gênero. Para quem busca uma história inspiradora e acessível, Harriet vale a pena. No vasto catálogo da Netflix, é uma escolha que combina emoção e relevância histórica.

Magdalena Schneider
Magdalena Schneider
Artigos: 1890

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