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Crítica | Prometheus é Bom? Vale a Pena Assistir?

Quando Ridley Scott anunciou seu retorno ao universo que ele mesmo ajudou a fundar no final da década de 70, a expectativa não era apenas por um filme de ficção científica, mas por um evento cinematográfico. Prometheus, lançado originalmente em 2012 e agora disponível nos catálogos da Netflix e Disney+, propõe-se a ser um prelúdio espiritual de Alien, o Oitavo Passageiro. No entanto, o longa vai muito além de monstros nas sombras, mergulhando em questões existenciais sobre a criação da humanidade e o silêncio dos nossos criadores.

No portal Séries Por Elas, analisamos obras que desafiam o espectador, e esta produção é, sem dúvida, um prato cheio. Embora divida opiniões desde sua estreia, o veredito inicial é claro: vale muito a pena. É uma obra ambiciosa, visualmente arrebatadora e que, apesar de algumas conveniências de texto, mantém o espectador em um estado de tensão e deslumbramento constante.

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Desenvolvimento de Enredo e Ritmo

O roteiro, assinado por Damon Lindelof e Jon Spaihts, inicia sua jornada na Terra, onde os arqueólogos Elizabeth Shaw e Charlie Holloway descobrem mapas estelares em cavernas ancestrais. A teoria é audaciosa: seres extraterrestres, apelidados de Engenheiros, seriam os responsáveis pela vida em nosso planeta. Financiados pela megacorporação Weyland, eles embarcam na nave Prometheus rumo à lua LV-223.

O ritmo da narrativa é construído com maestria por Ridley Scott. O primeiro ato é contemplativo, focado na grandiosidade da descoberta e no isolamento do espaço. Contudo, assim que a equipe desembarca na estrutura alienígena, a atmosfera de ficção científica clássica rapidamente se funde ao suspense e ao horror corporal. A transição não é abrupta, mas sim uma descida lenta ao caos, onde cada resposta encontrada gera perguntas ainda mais perturbadoras. A tensão é sustentada pela sensação de que a curiosidade humana pode ser o gatilho para a sua própria extinção.

Atuações e Personagens: O Embate entre Criador e Criatura

O elenco é um dos pontos mais altos da obra. Noomi Rapace entrega uma Elizabeth Shaw resiliente e movida por uma fé inabalável, distanciando-se da icônica Ellen Ripley para criar sua própria marca de heroína espacial. No entanto, quem realmente rouba a cena é Michael Fassbender no papel do androide David. Sua performance é calculada, fria e repleta de nuances; David é a personificação da curiosidade sem ética, servindo como o contraponto perfeito aos humanos a bordo.

Charlize Theron interpreta Meredith Vickers, a executiva da Weyland que representa o pragmatismo e o autoritarismo corporativo. Embora sua personagem pareça subutilizada em certos momentos, a química de desconfiança entre ela e o restante da tripulação eleva as camadas de conflito interno na nave. O elenco de apoio cumpre seu papel, embora alguns cientistas tomem decisões questionáveis que servem mais ao avanço do perigo do que à lógica da narrativa.

A Visão “Séries Por Elas”: Agência Feminina e a Maternidade Subvertida

No Séries Por Elas, nosso olhar se volta para como as mulheres ocupam esse espaço de liderança. Em Prometheus, a Elizabeth Shaw de Noomi Rapace não é apenas uma sobrevivente; ela é a força motriz intelectual da missão. Sua agência é testada da maneira mais brutal possível em uma das cenas mais memoráveis (e aterrorizantes) do cinema moderno: a sequência da cirurgia autônoma.

Nesse momento, o filme aborda o medo do “nascimento” e a violação do corpo feminino de forma técnica e visceral. Shaw não espera por um salvador; ela opera a si mesma, tomando o controle de sua biologia e de seu destino. Além disso, o embate silencioso entre Shaw (fé e busca por sentido) e Vickers (poder e controle) oferece um panorama interessante sobre as diferentes formas de autoridade feminina em um ambiente hostil e majoritariamente masculino. A obra aborda a busca por “pais” universais, mas são as filhas que precisam lidar com as consequências dessa herança maldita.

Aspectos Técnicos: Direção e Arte

Tecnicamente, o filme é impecável. A fotografia de Dariusz Wolski utiliza uma paleta de cores frias, azuis e cinzas, que acentuam a desolação do planeta alienígena. A direção de arte resgata a estética de H.R. Giger, criador do design original de Alien, trazendo estruturas biomecânicas que parecem vivas e mortas ao mesmo tempo.

A trilha sonora pontua tanto a maravilha da descoberta quanto o terror do desconhecido, enquanto os efeitos visuais, mesmo anos após o lançamento, continuam sendo uma referência de realismo e escala. É um espetáculo que merece ser visto na maior tela disponível.

Veredito e Nota Final

NOTA: 4/5

Prometheus é uma jornada filosófica disfarçada de filme de monstros. Embora o roteiro deixe algumas pontas soltas para serem exploradas em sequências, a força das atuações de Noomi Rapace e Michael Fassbender, aliada à visão visionária de Ridley Scott, torna este filme um marco moderno do gênero. É uma obra que não tem medo de perguntar “por que fomos criados?”, mesmo que a resposta seja o nosso pior pesadelo.

Perguntas Frequentes (FAQ Estruturado)

Qual a classificação indicativa de Prometheus?

No Brasil, a classificação indicativa é de 14 anos, devido a cenas de violência e horror.

Quanto tempo dura o filme Prometheus?

A produção tem uma duração total de 2 horas e 3 minutos.

Prometheus está disponível na Netflix?

Sim, o longa-metragem faz parte do catálogo da Netflix e também do Disney+.

Prometheus é uma continuação de Alien?

Não, ele funciona como um prelúdio, explorando eventos que aconteceram antes do filme de 1979, focando na origem dos Engenheiros.

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Magui Schneider
Magui Schneider

Como Editora-Chefe do Séries Por Elas, Magdalena (Magui) é responsável pela curadoria e tom editorial do portal. Magui traz um diferencial único: sua formação como Psicóloga (CRP-RS 07/27539). Ela utiliza sua expertise no comportamento humano para enriquecer as críticas de cinema e TV, oferecendo uma visão analítica e humana sobre o desenvolvimento de personagens e tramas.

Especialista em narrativas de drama, romance e comédia, a ‘Little Monster’ fã declarada da Lady Gaga, traduz sua visão profissional em análises que conectam o público às emoções das telas. É ela quem garante que, aqui, a paixão de fã e a análise séria andem de mãos dadas.

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