O Dublê : The Fall Guy

Crítica | O Dublê / The Fall Guy é Bom? Vale a Pena Assistir?

No portal Séries Por Elas, sempre buscamos produções que, por trás da pirotecnia, entreguem camadas reais de humanidade e respeito ao ofício narrativo. O Dublê / The Fall Guy, dirigido por David Leitch, é exatamente esse tipo de obra. Misturando ação, comédia e um toque de drama romântico, o longa não é apenas um blockbuster de entretenimento passageiro; é uma homenagem técnica e afetiva aos profissionais que arriscam a pele para que o cinema brilhe, mas que raramente têm seus nomes lembrados pelo grande público.

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A Premissa: Mais que Quedas e Explosões

A trama nos apresenta a Colt Seavers, vivido por um carismático Ryan Gosling. Colt é um dublê veterano que, após um acidente grave que quase encerrou sua carreira e o afastou de sua grande paixão, a diretora estreante Jody Moreno (Emily Blunt), é convocado de volta ao set. O motivo? O desaparecimento misterioso de Tom Ryder (Aaron Taylor-Johnson), a estrela mimada de quem Colt costumava ser o “corpo substituto”.

O veredito inicial é direto: O Dublê vale cada minuto do seu tempo. Disponível na Netflix e em plataformas como Amazon Prime Video e Apple TV, o filme equilibra a adrenalina das sequências de dublagem com um romance genuíno, provando que é possível fazer cinema comercial com coração e inteligência.

Desenvolvimento de Enredo e Ritmo: Engrenagem Perfeita

O roteiro de Drew Pearce é uma engrenagem que funciona com precisão. O ritmo é frenético, condizente com o gênero de ação, mas o filme sabe exatamente quando desacelerar para focar no conflito interno dos protagonistas. A narrativa utiliza o ambiente de um set de filmagens na Austrália para criar uma metalinguagem deliciosa, onde as dificuldades de produzir um filme de ficção científica servem de pano de fundo para uma investigação de crime real.

A forma como a história se desenrola prende a atenção porque não se sustenta apenas em um plot twist ou em pancadaria gratuita. Há uma construção de tensão crescente: Colt precisa encontrar a estrela desaparecida, salvar o filme de sua amada e, no processo, reconquistar sua própria dignidade. O equilíbrio entre o humor ácido e as situações de perigo real é o que mantém o espectador engajado do início ao fim.

Atuações e Personagens: Química Explosiva

Quem realmente rouba a cena, como era de se esperar, é a dupla central. Ryan Gosling traz para o personagem aquela vulnerabilidade sarcástica que o tornou um dos atores mais versáteis de sua geração. Ele convence tanto nas quedas de 20 metros quanto nos momentos de insegurança emocional ao tentar falar com a ex-namorada pelo rádio de comunicação do set.

No entanto, é Emily Blunt quem oferece o contrapeso necessário. Como Jody, ela não é a “donzela em perigo”. Pelo contrário, ela é a autoridade máxima no set, lidando com orçamentos astronômicos e egos inflados. A química entre os dois é palpável e natural, fugindo dos clichês de romances de ação onde o par romântico é apenas um acessório decorativo. Menção honrosa para Aaron Taylor-Johnson, que entrega uma performance brilhante como o ator egocêntrico e detestável, servindo como a antítese perfeita da ética de trabalho de Colt.

A Visão “Séries Por Elas”: Protagonismo e Profissionalismo Feminino

Sob a ótica do nosso portal, o grande diferencial de O Dublê reside na figura de Jody Moreno. Em um gênero historicamente dominado por diretores e heróis masculinos, ver uma mulher no comando de uma superprodução — e enfrentando os desafios reais de liderança no audiovisual — é refrescante e necessário.

Jody possui total agência. Suas motivações não são centradas apenas em resolver o seu dilema amoroso, mas em garantir a integridade de sua obra cinematográfica. A produção aborda, ainda que de forma leve, a pressão sobre as mulheres em cargos de poder na indústria e como elas precisam ser duas vezes mais competentes para serem respeitadas. Além disso, o filme valoriza a colaboração e a sororidade nos bastidores, mostrando que o sucesso de um projeto depende de uma rede de apoio que vai muito além do rosto que aparece no pôster.

Aspectos Técnicos: Excelência em Direção e Arte

A direção de David Leitch (ele mesmo um ex-dublê) é o ponto alto. Ele sabe exatamente onde colocar a câmera para que o espectador sinta o impacto de cada golpe e a vertigem de cada salto. A fotografia é vibrante, aproveitando as cores saturadas do deserto e os neons do set de filmagem, criando um visual que remete aos clássicos de ação dos anos 80, mas com uma roupagem moderna.

A trilha sonora é um espetáculo à parte, utilizando clássicos do rock para pontuar as sequências de perseguição, transformando o ato técnico da dublagem em uma coreografia artística. O uso de efeitos práticos em vez de excesso de CGI (efeitos digitais) confere ao filme uma crueza e uma verdade que são raras nos blockbusters atuais.

Veredito e Nota Final

NOTA: 5/5

  • Veredito: Uma mistura perfeita de adrenalina e romance que exalta os heróis anônimos do cinema com atuações de gala de Gosling e Blunt.

O Dublê é uma celebração vibrante, engraçada e tecnicamente impecável. Ele consegue divertir enquanto educa o público sobre o esforço hercúleo de quem trabalha atrás das câmeras. É um filme que honra o gênero de ação sem abrir mão da sensibilidade e do desenvolvimento de personagens femininas fortes e independentes. Se você busca uma história que te faça rir, torcer e, acima de tudo, respeitar o cinema, esta é a escolha certa.

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Magui Schneider
Magui Schneider

Como Editora-Chefe do Séries Por Elas, Magdalena (Magui) é responsável pela curadoria e tom editorial do portal. Magui traz um diferencial único: sua formação como Psicóloga (CRP-RS 07/27539). Ela utiliza sua expertise no comportamento humano para enriquecer as críticas de cinema e TV, oferecendo uma visão analítica e humana sobre o desenvolvimento de personagens e tramas.

Especialista em narrativas de drama, romance e comédia, a ‘Little Monster’ fã declarada da Lady Gaga, traduz sua visão profissional em análises que conectam o público às emoções das telas. É ela quem garante que, aqui, a paixão de fã e a análise séria andem de mãos dadas.

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