Crítica de Kin: Vale A Pena Assistir o Filme?

Kin (2018), dirigido pelos irmãos Josh e Jonathan Baker, mistura ficção científica, ação e drama familiar em uma jornada de 102 minutos. Lançado nos cinemas em 6 de setembro de 2018, o filme ganhou nova vida em plataformas como Netflix e Amazon Prime em 2025. Com Myles Truitt no papel principal, ao lado de Jack Reynor e Zoë Kravitz, a produção segue um adolescente que descobre uma arma alienígena e se vê no meio de uma fuga desesperada. Mas será que essa fusão de gêneros funciona? Nesta análise, destrinchamos os acertos e falhas para ajudar você a decidir se vale o play.

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Premissa intrigante, mas sobrecarregada

Eli Solinski, um garoto de 14 anos quieto e trabalhador, encontra uma caixa misteriosa em uma fábrica abandonada de Detroit. Dentro dela, uma arma futurista que dispara raios de energia. Sem saber, ele a rouba de criminosos locais, liderados pelo impiedoso Taylor Balik (James Franco, em um papel breve mas marcante). Para escapar, Eli se alia ao meio-irmão Jimmy (Reynor), recém-saído da prisão e endividado com a máfia. Juntos, eles embarcam em uma road trip tensa, perseguidos por gangsters e uma policial determinada, interpretada por Kravitz.

A ideia central cativa: um coming-of-age sci-fi onde uma descoberta extraordinária colide com problemas reais de família e sobrevivência. Os Bakers, em seu primeiro longa, inspiram-se em clássicos como Super 8 e A.I., mas o roteiro de Daniel Casey tenta abraçar demais. O drama familiar domina o início, com cenas lentas de rotina operária e tensões domésticas. Quando a ação explode, o filme vira um thriller de perseguição, mas sem transições suaves. Críticos como os do New York Times chamam isso de “insuportável”, por misturar nerdice isolada com explosões machistas. Ainda assim, o mistério da arma mantém o gancho inicial.

Elenco jovem com potencial inexplorado

Myles Truitt impressiona como Eli, trazendo inocência e resiliência a um personagem subdesenvolvido. Seu silêncio inicial reflete o isolamento de um adolescente negro em uma cidade decadente, adicionando camadas sociais sutis. Jack Reynor, como Jimmy, carrega o peso emocional: um ex-presidiário tentando se redimir, mas recaindo em velhos hábitos. Sua química com Truitt sustenta o coração do filme, evocando laços frágeis de irmandade.

Zoë Kravitz, como a detetive Holland, adiciona intensidade, mas seu arco é genérico – a policial obstinada que ignora protocolos. O elenco secundário, com Carrie Coon como a mãe de Eli e Michael B. Jordan em um cameo impactante, eleva as cenas familiares. No entanto, como aponta a Variety, os personagens secundários servem mais como obstáculos do que como figuras complexas. Truitt e Reynor brilham em momentos quietos, mas o roteiro os força a ações impulsivas, limitando o crescimento orgânico.

Direção ambiciosa, mas tonalmente instável

Os irmãos Baker dirigem com visão estilizada, usando a trilha sonora de Mogwai para criar uma atmosfera etérea e melancólica. A fotografia de Autumn Durald captura o cinza industrial de Detroit contra o brilho neon da arma, contrastando o mundano com o extraordinário. Cenas de ação, como tiroteios com raios azuis, são visualmente empolgantes, com um orçamento modesto que não compromete o impacto.

Porém, o tom vacila. O filme oscila entre drama introspectivo e explosões de violência, sem decidir seu foco. Flashbacks familiares interrompem o ritmo da fuga, e o sci-fi entra tarde demais para dominar. Rotten Tomatoes resume como um “mash-up insatisfatório de gêneros”, com 30% de aprovação crítica. Os diretores acertam na emoção crua da família Solinski, mas falham em unir ação e coração, resultando em um road trip que parece mais episódico que coeso.

Pontos fortes e limitações evidentes

Os acertos residem na atmosfera: Mogwai pontua com sintetizadores que elevam a melancolia, e as cenas de Detroit adicionam realismo cru. A mensagem sobre família disfuncional ressoa, especialmente para jovens espectadores lidando com pobreza e identidade. Truitt emerge como uma promessa, provando que atores mirins podem ancorar blockbusters modestos.

As fraquezas dominam: o enredo previsível, com vilões caricatos e reviravoltas forçadas, dilui a tensão. O final, revelando origens da arma, chega abrupto, sem payoff emocional. Com 6.8/10 no IMDb, o filme divide: entretém casualmente, mas não inova. Para 2025, revê-lo na Netflix destaca sua brevidade, ideal para uma sessão rápida, mas sem replay value alto.

Vale a pena assistir a Kin?

Em 2025, Kin surge como guilty pleasure sci-fi na Netflix ou Amazon Prime. Para fãs de ação leve com toques familiares, como Ready Player One light, vale o tempo curto. Myles Truitt cativa, e as sequências de tiroteio futurista divertem. No entanto, se você busca profundidade como em Arrival, pule – o tom instável e o roteiro superficial frustram.

Alugue na Apple TV ou YouTube se preferir qualidade HD, mas o streaming basta. Com apelo teen forte, é ótimo para maratonas familiares, mas adultos podem achar infantil. Uma nota 3/5: bom para uma tarde chuvosa, não para prateleira de clássicos.

Kin tenta ousar ao fundir sci-fi com drama operário, mas tropeça em sua ambição desequilibrada. Os Bakers mostram talento visual, e Truitt brilha, mas o roteiro genérico impede o impacto. Disponível facilmente em 2025, é uma curiosidade passageira para quem curte road trips armados. Se prioriza emoção autêntica sobre explosões, busque alternativas. Caso contrário, dê uma chance – pode surpreender com seu coração escondido sob o laser show.

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Magui Schneider
Magui Schneider

Como Editora-Chefe do Séries Por Elas, Magdalena (Magui) é responsável pela curadoria e tom editorial do portal. Magui traz um diferencial único: sua formação como Psicóloga (CRP-RS 07/27539). Ela utiliza sua expertise no comportamento humano para enriquecer as críticas de cinema e TV, oferecendo uma visão analítica e humana sobre o desenvolvimento de personagens e tramas.

Especialista em narrativas de drama, romance e comédia, a ‘Little Monster’ fã declarada da Lady Gaga, traduz sua visão profissional em análises que conectam o público às emoções das telas. É ela quem garante que, aqui, a paixão de fã e a análise séria andem de mãos dadas.

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