O terror esportivo ganha um novo capítulo com GOAT, lançado em 2 de outubro de 2025. Dirigido por Justin Tipping e produzido por Jordan Peele via Monkeypaw Productions, o filme mistura futebol americano, fama e horror psicológico. Com duração de 1h36min, o roteiro de Zack Akers e Skip Bronkie explora os bastidores sombrios do esporte. Marlon Wayans, Tyriq Withers e Julia Fox lideram o elenco. Mas o longa cumpre a promessa de sustos? Nesta análise, destrinchamos a trama, atuações e produção para decidir se vale o ingresso.
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Premissa ambiciosa que não decola
GOAT segue Cam (Tyriq Withers), um jovem quarterback promissor. Após um ataque misterioso em campo, ele é convidado por Isaiah (Marlon Wayans), o lendário QB dos San Antonio Saviors, para treinar em seu complexo isolado no Texas. O que parece uma chance de ouro vira pesadelo. Isaiah, obcecado por ser o “Greatest Of All Time”, impõe rituais brutais para moldar Cam. Sua esposa, Elsie (Julia Fox), uma influenciadora excêntrica, adiciona camadas de tensão. O filme critica o culto à grandeza no esporte, com imagens satânicas e referências a cabras como símbolo de sacrifício.
A ideia é ousada. Tipping, de Kicks, funde horror com o machismo do futebol. No entanto, a execução falha. O ritmo é irregular, com setups promissores que se perdem em diálogos expositivos. O ataque inicial, com um mascarado de cabra, cria atmosfera, mas o horror se dilui em body horror genérico, como injeções misteriosas sem explicação clara. Críticos, como no Roger Ebert, chamam o filme de “putrid and hollow”, culpando atalhos narrativos que ignoram lógica esportiva.
Marlon Wayans e Tyriq Withers: Destaques em meio ao caos
Marlon Wayans surpreende ao deixar a comédia para trás. Como Isaiah, ele incorpora um mentor carismático que vira predador. Sua presença domina, com olhares que misturam admiração e loucura. É o melhor papel dramático dele desde Requiem for a Dream, segundo o IMDb. Tyriq Withers, como Cam, transmite vulnerabilidade. O ator captura o sonho americano do esporte, mas sofre com um arco previsível. Withers brilha em cenas de treinamento, onde o pavor se mistura à ambição.
Julia Fox, como Elsie, é polarizante. Sua influenciadora com sobrancelhas desbotadas e acessórios esquisitos evoca Uncut Gems, mas o personagem é subdesenvolvido. Fox tenta injetar ameaça, mas cai em caricatura. Tim Heidecker, como dono da equipe, adiciona humor negro, mas é subutilizado. O elenco tenta elevar o material, mas o roteiro os prende a estereótipos: o herói ingênuo e o vilão megalomaníaco.
Direção de Justin Tipping: Estilo sobre substância
Tipping cria visuais marcantes. O complexo de Isaiah, com saunas minimalistas e um campo indoor, evoca isolamento opressivo. Cenas de X-ray no corpo de Cam lembram The Cell, com horror corporal estilizado. A produção de Peele garante toques de qualidade, como a trilha sonora tensa que amplifica os rituais. No entanto, a direção prioriza estética sobre narrativa. O horror oscila entre psicológico e gore sem critério, como injeções que prometem terror mas entregam pouco.
O filme tenta um motif religioso, com Isaiah como falso messias, mas é forçado. Críticos do LA Times notam o “style-over-substance”, onde imagens de sangue e cabras impressionam, mas não aterrorizam. Com 1h36min, o pacing poderia ser mais apertado. Tipping acerta na crítica ao futebol como religião, mas falha em sustentar o suspense.
Temas de fama e brutalidade: Potencial desperdiçado
GOAT aborda o preço da excelência no esporte. Isaiah representa o sistema que devora atletas jovens, com injeções e treinamentos extremos. O filme critica bilionários donos de times, que tratam jogadores como descartáveis. Há um subtexto sobre masculinidade tóxica, com pais pressionando filhos a serem “homens de verdade”. Produzido por Peele, ecoa Get Out na sátira racial, com Cam como peão negro em um jogo branco.
Ainda assim, os temas são superficiais. O comentário sobre CTE e lesões é mencionado, mas não explorado. O horror satânico parece uma muleta para sustos, sem profundidade. Comparado a Night Swim, outro terror esportivo, GOAT tem mais ambição, mas menos coesão. Fãs de Peele esperam inovação, mas encontram conveniências narrativas.
Vale a pena assistir a GOAT?
GOAT divide opiniões. Para fãs de Wayans, é uma chance de vê-lo sério, com cenas viscerais que entretêm. O visual e a crítica ao esporte valem o tempo curto. No entanto, o horror fraco e o final sangrento previsível frustram. Se você curte terror leve com toques sociais, assista em streaming. Para sustos profundos, pule.
GOAT tenta inovar no terror esportivo, com Wayans brilhando em um papel sombrio. Tipping cria imagens impactantes, e o elenco esforça-se. Porém, roteiro superficial e horror inconsistente limitam o impacto. Em um ano de Sinners e Until Dawn, é mediano. Vale para quem busca mistério no futebol, mas não redefine o gênero. Assista se o tema atrai; caso contrário, opte por clássicos de Peele.
O filme estreia nos cinemas em 2 de outubro. Com elenco sólido e produção Peele, promete debate. Mas espere entretenimento passageiro, não revolução.
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