a noite sempre chega

Crítica de A Noite Sempre Chega: Vale a pena assistir ao filme?

A Noite Sempre Chega (2025), dirigido por Benjamin Caron, é um thriller neo-noir da Netflix que mergulha na desesperada jornada de uma mulher em busca de estabilidade. Estrelado por Vanessa Kirby, com Jennifer Jason Leigh, Zack Gottsagen, Julia Fox e Eli Roth, o filme adapta o romance de Willy Vlautin, ambientado em uma Portland marcada pela gentrificação. Com uma premissa intensa e atuações poderosas, a produção promete suspense e emoção. Mas será que entrega? Nesta crítica, analisamos a trama, o elenco, a direção e se vale a pena assistir.

Uma trama intensa sobre desespero e crime

A Noite Sempre Chega acompanha Lynette (Vanessa Kirby), uma mulher sobrecarregada que vive em uma casa decadente em Portland com seu irmão com deficiência intelectual, Kenny (Zack Gottsagen), e sua mãe egoísta, Doreen (Jennifer Jason Leigh). Enfrentando um mercado imobiliário cruel, Lynette trabalha em três empregos — na linha de produção de uma padaria, como garçonete e em encontros pagos — para comprar a casa alugada pela família. Quando Doreen gasta o dinheiro da entrada em um carro novo, Lynette embarca em uma odisseia noturna para levantar US$ 25 mil antes das 9h do dia seguinte.

A narrativa, adaptada por Sarah Conradt, começa como um drama social, mas logo vira um thriller criminal. Lynette confronta figuras do seu passado, como a escort Gloria (Julia Fox) e o perigoso Blake (Eli Roth), em uma corrida contra o tempo. Apesar da tensão, o filme falha em aprofundar a crítica social à gentrificação e desigualdade, como apontado pelo Hollywood Reporter, focando mais na ação do que no contexto.

Elenco poderoso, mas personagens limitados

Vanessa Kirby brilha como Lynette, trazendo intensidade e vulnerabilidade. Sua performance, elogiada pela Variety, carrega o filme, com olhares que transmitem desespero e determinação. Zack Gottsagen, como Kenny, oferece momentos de ternura, especialmente nas cenas com Kirby, criando o coração emocional da história. Jennifer Jason Leigh, como Doreen, é eficaz, mas sua personagem é unidimensional, quase caricatural, o que enfraquece o impacto, segundo o Roger Ebert.

O elenco de apoio, incluindo Julia Fox, Eli Roth, Stephan James e Randall Park, adiciona variedade, mas sofre com papéis subdesenvolvidos. Fox entrega uma Gloria vibrante, enquanto Roth é convincente como um vilão repulsivo. No entanto, a falta de profundidade em personagens secundários, como apontado pela Indiewire, limita a conexão do público com a narrativa.

Direção atmosférica com falhas narrativas

Benjamin Caron, conhecido por The Crown e Andor, cria uma atmosfera envolvente com a ajuda da fotografia sombria de Damián García. As locações em Portland, com seus tons escuros e neon, reforçam o clima noir, enquanto a trilha de Adam Janota Bzowski intensifica a tensão. Caron usa marcadores de tempo na tela para manter o senso de urgência, um recurso eficaz.

No entanto, a direção não compensa as falhas do roteiro. A narrativa perde força ao priorizar reviravoltas em vez de explorar o impacto psicológico da jornada de Lynette. O confronto final com Doreen, que deveria ser um momento de catarse, parece abrupto, como notado pela Variety. O desfecho, com um fadeout otimista, mas vago, deixa o público sem resolução clara, um ponto criticado pelo What’s on Netflix.

Comparação com outros thrillers

A Noite Sempre Chega evoca comparações com Good Time e Uncut Gems pela sua narrativa frenética e urbana, mas carece da intensidade crua dos irmãos Safdie, segundo o MundoCine. Diferente de Collateral, que usa a noite para amplificar o suspense, o filme de Caron se perde em subtramas, como a interação com Gloria, que não avançam a história. A tentativa de abordar desigualdade social lembra Parasita, mas a execução é menos incisiva, conforme o Times Now News.

No contexto de thrillers de 2025, A Noite Sempre Chega se destaca pela atuação de Kirby, mas não rivaliza com produções como The Pale Blue Eye, que equilibram melhor suspense e profundidade. Para fãs de neo-noir, o filme oferece momentos de tensão, mas não inova no gênero.

Pontos fortes e limitações

Os pontos fortes do filme estão na performance de Vanessa Kirby, na química com Zack Gottsagen e na estética noir. A direção de Caron cria uma Portland viva e opressiva, e as cenas de ação, como a fuga de Lynette com o carro de Scott, são envolventes. No entanto, o roteiro de Conradt é superficial, com críticas sociais subdesenvolvidas e um final anticlimático. A falta de profundidade nos personagens secundários e o ritmo desigual, como apontado pelo TechRadar, impedem o filme de alcançar seu potencial.

Vale a pena assistir a A Noite Sempre Chega?

A Noite Sempre Chega é um thriller sólido, mas não excepcional. A atuação de Vanessa Kirby é um motivo para assistir, oferecendo intensidade em uma narrativa que captura o desespero da classe trabalhadora. A ambientação e a fotografia criam uma experiência visual envolvente, mas o filme falha em explorar plenamente seus temas sociais e emocionais. Para fãs de Good Time ou Emily the Criminal, pode ser uma escolha interessante, mas não espere a profundidade de clássicos do gênero.

Se você busca um thriller rápido com atuações marcantes, o filme é uma boa opção para uma noite na Netflix. Para uma experiência mais rica, outros títulos do catálogo, como Your Honor, podem ser mais satisfatórios. A Noite Sempre Chega entretém, mas não deixa uma marca duradoura.

Sendo assim, para quem gosta de histórias intensas e atuações marcantes, vale a pena assistir. No entanto, se você busca profundidade e inovação, o filme pode decepcionar.

Magui Schneider
Magui Schneider

Como Editora-Chefe do Séries Por Elas, Magdalena (Magui) é responsável pela curadoria e tom editorial do portal. Magui traz um diferencial único: sua formação como Psicóloga (CRP-RS 07/27539). Ela utiliza sua expertise no comportamento humano para enriquecer as críticas de cinema e TV, oferecendo uma visão analítica e humana sobre o desenvolvimento de personagens e tramas.

Especialista em narrativas de drama, romance e comédia, a ‘Little Monster’ fã declarada da Lady Gaga, traduz sua visão profissional em análises que conectam o público às emoções das telas. É ela quem garante que, aqui, a paixão de fã e a análise séria andem de mãos dadas.

Artigos: 4055

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *