Crítica de Cortina de Fogo 2: Vale A Pena Assistir o Filme?

Cortina de Fogo 2, lançado em 2019, tenta reviver o legado do clássico de 1991. Dirigido por Gonzalo López-Gallego, o filme de 1h41min mistura ação e drama sobre bombeiros. Com Joe Anderson, William Baldwin e Donald Sutherland no elenco, ele segue um investigador de incêndios caçando um traficante de armas que usa chamas como distração. Disponível para aluguel na Apple TV, Amazon Prime Video, Google Play Filmes e YouTube, a sequência desperta curiosidade entre fãs do original. Mas será que acende a chama ou apaga o interesse? Nesta análise, destrinchamos os pontos fortes e fracos.

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Premissa que ecoa o passado, mas sem faísca nova

A trama retoma o universo dos McCaffrey, família de bombeiros de Chicago. Sean McCaffrey, filho de Brian (o herói do primeiro filme), agora lidera investigações no Departamento de Bombeiros. Ao examinar um incêndio fatal em um armazém, ele descobre um padrão: fogos criminosos encobrem o contrabando de armas. Com a parceira Maggie (Alison Doody), Sean persegue o vilão Albert DeLury, um ex-militar que transforma chamas em caos controlado.

O roteiro, assinado por Paul Hipp e Theresa Rebeck, conecta ao original com visitas a Ronald Bartel (Donald Sutherland), o piromaníaco preso. Flashbacks evocam o drama familiar, mas a narrativa é linear demais. Incêndios servem de pano de fundo para perseguições, sem explorar a psicologia do fogo como Ron Howard fez em 1991. Reviravoltas, como a traição interna, são previsíveis, e o clímax, com um confronto em uma refinaria, carece de tensão. O filme avança rápido, mas sem profundidade, deixando o espectador com sede de mais substância.

Elenco experiente, mas desperdiçado em papéis rasos

Joe Anderson assume o manto de Sean com energia física, capturando a determinação herdada do pai. Sua performance é sólida em cenas de ação, mas falha na emoção, tornando Sean um herói genérico. William Baldwin, irmão de Alec e astro do primeiro Cortina de Fogo, retorna como o tio John, um bombeiro veterano. Ele traz gravidade, mas seu arco – lidar com o legado familiar – é subdesenvolvido, ecoando críticas no IMDb.

Donald Sutherland rouba a cena como Bartel, o consultor piromaníaco. Sua presença magnética, com diálogos enigmáticos sobre o “fogo vivo”, eleva as visitas à prisão. Alison Doody, como Maggie, adiciona química parceira, mas seu papel é funcional, sem camadas. O elenco secundário, incluindo Talitha Bateman como uma jovem repórter, enriquece o drama, mas sofre com diálogos expositivos. No geral, atores talentosos lutam contra um script que prioriza ação sobre caráter, resultando em atuações contidas.

Direção técnica competente, mas sem visão ousada

Gonzalo López-Gallego, conhecido por The Open House, foca na coreografia de incêndios reais, filmados com consultoria de bombeiros de Chicago. As sequências de fogo são o destaque: chamas realistas, backdrafts explosivos e resgates tensos criam imersão visual. A fotografia de Javier Salmones usa tons quentes para contrastar o caos flamejante com a frieza urbana, e a trilha de John Debney evoca o original sem copiar.

No entanto, o orçamento baixo transparece em locações repetitivas e efeitos digitais datados. O ritmo é irregular: inícios lentos em investigações dão lugar a picos de ação abruptos. López-Gallego acerta na escala humana – bombeiros como heróis cotidianos –, mas erra ao ignorar o comentário social do primeiro filme sobre risco profissional. O resultado é um thriller funcional, mas sem alma, como notado em resenhas da SlashFilm.

Pontos fortes e tropeços na execução

Os acertos residem na ação: cenas de incêndio são autênticas, com dublês reais e consultoria técnica, superando blockbusters genéricos. Sutherland injeta carisma, e o tema de legado familiar ressoa para fãs. A duração de 101 minutos evita inchaço, ideal para uma sessão rápida.

Os erros dominam: roteiro clichê, com vilão caricatural e resolução apressada. Violência gráfica – mortes queimadas, explosões – choca sem impacto emocional, como alertado pela We Live Entertainment. Diálogos forçados (“O fogo não mente”) soam datados, e a ausência de diversidade no elenco de bombeiros ignora evoluções modernas. Orçamento modesto limita o escopo, tornando Chicago uma cenografia vazia.

Vale a pena assistir Cortina de Fogo 2?

Para nostálgicos do original, o filme oferece um vislumbre familiar, com Baldwin e Sutherland ancorando a nostalgia. É uma opção barata para alugar (cerca de R$10 nas plataformas), perfeita para uma noite de ação despretensiosa. No entanto, espere decepção se busca inovação: nota 4.1/10 no IMDb reflete o consenso de “inferiores em tudo”, per user reviews.

Evite se prefere thrillers profundos como Chicago Fire (série). Em 2025, com opções como Rescue: HI-Surf, Cortina de Fogo 2 é um eco fraco. Assista se ama o cheiro de fumaça no cinema – metaforicamente –, mas não espere faíscas de genialidade.

Cortina de Fogo 2 tenta reacender uma chama clássica, mas resulta em brasas mornas. Com ação técnica sólida e elenco esforçado, ele diverte superficialmente, honrando o legado sem superá-lo. López-Gallego acerta no espetáculo pirotécnico, mas falha na narrativa coesa. Em um catálogo lotado de remakes, é uma curiosidade para fãs, não um must-watch. Se o original te marcou, dê uma chance; caso contrário, deixe as chamas no passado. Uma sequência que queima devagar, sem incendiar corações.

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Magdalena Schneider
Magdalena Schneider
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