Crítica de Anaconda (2025): Vale A Pena Assistir o Filme?

Anaconda (2025), dirigido por Tom Gormican, chega aos cinemas em 25 de dezembro como uma reinvenção cômica do clássico de terror dos anos 90. Com Paul Rudd e Jack Black no centro da ação, o filme transforma a caçada a uma serpente gigante em uma sátira meta sobre Hollywood. Roteirizado por Gormican e Kevin Etten, o longa de 1h40min mistura aventura, humor e referências pop. Mas será que essa cobra engole o público ou vira piada sem veneno? Nesta análise, destrinchamos os acertos e falhas para guiar sua escolha.

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Premissa meta e divertida, mas superficial

A trama gira em torno de Todd (Paul Rudd), um diretor fracassado, e Dan (Jack Black), um ator em decadência, que decidem refilmar o Anaconda original de 1997. Presos na selva amazônica com uma equipe improvisada, eles enfrentam não só uma anaconda CGI gigante, mas também seus egos e o caos de uma produção low-budget. O filme brinca com clichês do gênero, como gritos exagerados e efeitos ruins, enquanto os protagonistas recriam cenas icônicas com Jennifer Lopez.

Essa abordagem meta é o maior trunfo. Gormican, de The Unbearable Weight of Massive Talent, injeta autodepreciação em Hollywood, ecoando sucessos como Tropic Thunder. Momentos como a recriação da cena do barco viram gargalhadas puras. No entanto, a premissa perde fôlego no meio. O que começa como sátira afiada vira repetição de piadas sobre “cobras ruins” e brigas bobas. Sem um arco emocional forte, o filme parece mais um sketch estendido do que uma comédia coesa, como notado por críticos no Roger Ebert.

Elenco estelar que salva o dia

Paul Rudd e Jack Black formam uma dupla imbatível. Rudd, com seu charme irônico, dá vida a Todd como um cineasta obcecado por redenção, equilibrando vulnerabilidade e absurdo. Black, mestre do over-the-top, explode como Dan, um ator vaidoso que rouba cenas com imitações hilárias de astros dos anos 90. Sua química é orgânica, como velhos amigos em uma crise, elevando diálogos fracos a ouro cômico.

Steve Zahn completa o trio como um cinegrafista excêntrico, trazendo energia caótica que lembra seu papel em Out of Sight. Thandiwe Newton, como a produtora durona, adiciona camadas femininas fortes, contrastando com o elenco masculino dominante. O grupo todo se joga no ridículo, posando para fotos com serpentes falsas e gritando em pânico fingido. Apesar disso, personagens secundários, como a assistente de produção, ficam rasos, servindo só de alívio cômico descartável. Sem profundidade, o elenco brilha individualmente, mas não constrói um todo memorável.

Direção criativa com efeitos datados

Tom Gormican dirige com pulso leve, priorizando o humor sobre o terror. Cenas na selva amazônica, filmadas em estúdio com greenscreen, homenageiam o original com winks visuais, como close-ups tremidos na cobra. A edição rápida mantém o ritmo, cortando entre bastidores caóticos e “takes” falsos, criando uma camada de ilusão divertida. A trilha sonora, com remixes de hits dos 90, reforça a nostalgia sem forçar.

Porém, os efeitos especiais são o calcanhar de Aquiles. A anaconda CGI parece saída de um jogo de PS2, com texturas borradas e movimentos robóticos que arrancam risos involuntários. Críticos da IGN apontam que isso mina a sátira: o filme zomba de efeitos ruins, mas não os usa de forma inteligente o suficiente para transcender o amadorismo. Gormican acerta na comédia física, como perseguições desajeitadas, mas falha em equilibrar ação e piada, deixando sequências de tensão mais cômicas por acidente do que por design.

Comparação com o original e comédias recentes

O Anaconda de 1997, com J.Lo e Ice Cube, era terror B puro, criticado por bobagens mas amado por camp. Essa versão 2025 ignora o horror, optando por paródia, o que a torna mais acessível que o predecessor datado. Comparada a Cocaine Bear, outra comédia animal de 2023, Anaconda é menos sangrenta e mais autoirônica, mas perde em absurdidade visceral.

Entre comédias meta recentes, como The Lost City (2022) com Sandra Bullock e Channing Tatum, o filme de Gormican fica no meio: divertido como buddy movie, mas sem a química explosiva ou twists surpreendentes. Deadpool & Wolverine (2024) eleva o meta a outro nível com violência e referências afiadas; aqui, as piadas param na superfície, sem corte profundo em Hollywood. Para fãs de remakes cômicos, é uma opção leve, mas não inovadora.

Pontos fortes e tropeços na execução

Os acertos incluem o timing cômico impecável de Rudd e Black, que transformam cenas chatas em highlights. A duração de 1h40min evita inchaço, e as referências aos 90 – de mullets a trilhas sonoras genéricas – apelam à nostalgia sem alienar jovens. O filme critica sutilmente a indústria, mostrando como ambição leva a desastres hilários.

Os tropeços são evidentes: o roteiro repete gags sobre “cobras grandes” sem variação, e o final, com uma reviravolta previsível, resolve tudo de forma preguiçosa. Efeitos ruins, intencionais ou não, distraem em vez de encantar. Mulheres no elenco, apesar de Newton, servem mais de suporte, perpetuando fórmulas masculinas. No geral, é uma comédia mediana que poderia ser grande com polimento.

Vale a pena assistir Anaconda?

Anaconda (2025) diverte em salas de cinema, especialmente para quem ama duplas cômicas como Rudd e Black. É uma sessão natalina leve, perfeita para famílias que toleram humor bobo e serpentes falsas. Com 6/10 no Rotten Tomatoes inicial, elogia-se a energia, mas critica-se a falta de mordida. Se você curte paródias como This Is Spinal Tap, vá sem expectativas altas – ria das bobagens e saia satisfeito.

Para puristas de terror, pule; para fãs de comédia meta, é um petisco ok. Em um ano de blockbusters como Avatar 3, destaca-se pela simplicidade. Assista nos cinemas para o som alto nas gritarias – streaming mataria o impacto.

Anaconda (2025) é uma reinvenção ousada que transforma terror em comédia, graças ao carisma de Paul Rudd e Jack Black. Gormican entrega risos meta e nostalgia, mas peca em efeitos fracos e roteiro raso. Não é um clássico, mas uma diversão passageira que honra o original com piscadelas afetuosas. Vale o ingresso para quem busca leveza no Natal – uma cobra que morde sem machucar.

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Magui Schneider
Magui Schneider

Como Editora-Chefe do Séries Por Elas, Magdalena (Magui) é responsável pela curadoria e tom editorial do portal. Magui traz um diferencial único: sua formação como Psicóloga (CRP-RS 07/27539). Ela utiliza sua expertise no comportamento humano para enriquecer as críticas de cinema e TV, oferecendo uma visão analítica e humana sobre o desenvolvimento de personagens e tramas.

Especialista em narrativas de drama, romance e comédia, a ‘Little Monster’ fã declarada da Lady Gaga, traduz sua visão profissional em análises que conectam o público às emoções das telas. É ela quem garante que, aqui, a paixão de fã e a análise séria andem de mãos dadas.

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