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Toy Story 5 CRÍTICA: O Resgate da Infância Real Diante das Telas e o Abraço Acolhedor do Tempo

Entrar no cinema para assistir a uma nova aventura desses brinquedos que amamos há trinta anos é um rito de passagem emocional. Toy Story 5, a nova produção da Pixar Animation Studios em parceria com a Walt Disney Pictures, chegou aos cinemas brasileiros no dia 18 de junho de 2026.

Sob a direção sensível de Andrew Stanton e McKenna Harris, o filme vai muito além do que apenas uma sequência caça-níquel. Ele se estabelece como um espelho corajoso e necessário para os nossos tempos atuais. Meu sentimento sincero é de que estamos diante de uma obra essencial para todas as gerações. É um filme que acolhe nossas dores sobre o amadurecimento e nos convida a desacelerar em um mundo hiperconectado.

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A Solidão na Era Digital e o Protagonismo de Jessie

No portal Séries Por Elas, nossa missão é olhar para a tela e encontrar as conexões profundas com a alma da mulher contemporânea. Nesta nova jornada, quem assume o centro do palco não é Woody ou Buzz, mas sim a nossa amada vaqueira Jessie.

Com a voz original de Joan Cusack, Jessie carrega as feridas emocionais que muitas de nós conhecemos bem: o medo da rejeição e a cicatriz do abandono crônico. Sua trajetória aqui conversa diretamente com as mães, tias e educadoras de hoje. Todas nós estamos tentando entender como proteger a infância em tempos tão áridos de conexões reais.

A pequena Bonnie, dublada originalmente por Scarlett Spears, agora está com oito anos de idade. Ela enfrenta o maior de todos os desafios da infância moderna, que é a terrível dificuldade de fazer amigos de verdade. Bonnie é uma menina isolada em sua vizinhança. Ela prefere o calor da imaginação pura de seus brinquedos enquanto seus colegas vivem hipnotizados pelas telas dos celulares. Esse abismo social faz com que os pais da garota tomem uma decisão comum e dolorosa para muitas famílias: eles dão a ela um tablet em formato de sapo chamado Lilypad.

A partir desse momento, a narrativa se conecta de forma profunda com os dilemas femininos de proteção e vulnerabilidade. O tablet, dublado por Greta Lee, promete conexões rápidas, mas joga Bonnie em um ambiente hostil de pressões e cyberbullying. Jessie, traumatizada pelo passado, tenta lutar contra essa invasão tecnológica. Ela defende que o afeto verdadeiro nasce do olho no olho.

A chegada da doce Blaze, vivida por Mykal-Michelle Harris, traz uma lufada de esperança para a história. O encontro entre essas dinâmicas mostra como a agência feminina na infância se fortalece por meio do apoio mútuo, da coragem de se mostrar de verdade e do resgate das brincadeiras analógicas no chão da sala.

“A infância não pode ser vivida através de um vidro frio; ela precisa do toque, do tropeço e do abraço real.”

O Envelhecimento dos Mitos e a Luz da Imaginação

O roteiro, assinado por Stanton e Harris, faz um trabalho cirúrgico ao misturar a nostalgia confortável com reflexões psicológicas maduras. Um dos pontos mais tocantes é o modo como o filme lida com o envelhecimento de seus heróis masculinos. O cowboy Woody, que ganha a voz emocionante de Tom Hanks na versão original e a dublagem inesquecível de Marco Ribeiro no Brasil, reaparece com sinais claros de desgaste. Ele agora exibe uma discreta calvície no topo da cabeça de plástico e um corpo mais pesado. Essa escolha visual é um acerto genial da equipe de animação. Ela humaniza o mito e nos faz refletir sobre o peso dos anos com extrema doçura.

Do outro lado, temos o patrulheiro espacial Buzz Lightyear, dublado no Brasil pelo brilhante Guilherme Briggs e originalmente por Tim Allen. Buzz enfrenta uma ansiedade tipicamente humana nesta sequência. Ele está perdidamente apaixonado por Jessie e morre de vergonha de propor um compromisso maior a ela. Essa timidez quebra o arquétipo do herói durão e traz uma camada de vulnerabilidade deliciosa para a tela. A química entre o elenco de dubladores continua impecável, transmitindo o calor de uma verdadeira família que cresceu junta ao longo de três décadas de história.

A direção de arte cria um contraste visual belíssimo ao longo das quase duas horas de projeção. Nas sequências que retratam a imaginação de Bonnie, a fotografia explode em cores fluorescentes e ângulos abertos que celebram a liberdade do pensamento infantil. Já os momentos de imersão digital no tablet trazem uma iluminação mais fria e artificial, capturando perfeitamente aquela sensação de isolamento contemporâneo.

A trilha sonora ganha contornos de obra-prima com uma nova canção escrita pela estrela Taylor Swift especialmente para a vaqueira Jessie. A música dialoga diretamente com o clássico de Randy Newman do segundo filme, evocando a dor da perda, mas oferecendo um horizonte de cura. O filme também diverte ao introduzir velhos dispositivos eletrônicos obsoletos como o Smarty Pants, vivido por Conan O’Brien, a câmera Snappy, por Shelby Rabara, e o hipopótamo Atlas, por Craig Robinson. Eles servem para mostrar que a tecnologia, quando equilibrada com o afeto, também pode construir pontes de ternura.

“Envelhecer é o processo de aceitar nossas marcas para dar espaço ao nascimento de novas histórias.”

O Veredito do Coração

<strong>NOTA: 5/5</strong>

Toy Story 5 prova que a franquia ainda tem pilhas de sobra para gastar quando o combustível é o amor genuíno pela narrativa humana. O filme nos entrega uma das sequências de encerramento mais bonitas e tocantes de toda a trajetória da animação. É uma lição inestimável de que devemos desacelerar, guardar os celulares por um instante e viver a beleza das relações reais.

  • Onde Assistir (Oficial): Exclusivo nos Cinemas.

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