A nova adaptação cinematográfica de O morro dos ventos uivantes, dirigida e roteirizada por Emerald Fennell, estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026. Estrelado por Margot Robbie e Jacob Elordi, o longa-metragem propõe uma releitura provocativa da obra homônima de Emily Brontë, publicada originalmente em 1847.
Ao contrário de versões anteriores, a produção de Fennell abdica da fidelidade absoluta ao texto vitoriano para focar em uma estética gótica hiperbolizada, centrada na tensão sexual e em uma abordagem crua das relações de poder e obsessão.
A Estética Provocadora de Emerald Fennell
A cineasta Emerald Fennell, vencedora do Oscar e responsável por títulos como Bela Vingança (2020) e Saltburn (2023), traz para esta adaptação o seu DNA narrativo característico: a discussão de abusos por meios não óbvios e o uso de visuais deslumbrantes. Situado nos morros gelados da Inglaterra, o filme utiliza a atmosfera vitoriana apenas como pano de fundo para uma exploração sensorial.
A decisão de adaptar o clássico de Brontë surgiu do interesse da diretora em subverter os dogmas literários. Enquanto o livro de 1847 mantém a obsessão entre os protagonistas nos campos espiritual e psicológico, Fennell transpõe esse sentimento para o campo físico, utilizando o suor e a proximidade dos corpos como ferramentas de linguagem cinematográfica para traduzir a toxicidade do relacionamento central.
Diferenças Estruturais entre o Livro e o Filme
A adaptação de 2026 apresenta rupturas significativas com a obra original, focando em um recorte específico da narrativa e alterando características fundamentais dos personagens.
Mudanças Narrativas e Temáticas
O roteiro de Fennell concentra-se no núcleo emocional da primeira geração, deixando de lado aspectos geracionais presentes no texto de Emily Brontë. As principais diferenças incluem:
- Sexualidade Explícita: O filme transforma o beijo desesperado do livro em uma relação permeada por sensualidade e tensão sexual constante.
- Ausência da Segunda Geração: Os ciclos de violência e a hereditariedade do trauma, explorados na segunda metade do livro através dos filhos dos protagonistas, estão totalmente ausentes no filme.
- Jogo Erótico de Abuso: O tema do abuso e da subjugação é transformado em um jogo erótico que borra os limites do consentimento, estendendo-se para além do casal principal.
- Estética Visual e Sonora: A diretora optou por trilha sonora de violinos em volume elevado, figurinos que remetem à alta costura e cenários oníricos, conferindo um tom de melodrama exagerado à produção.
A Polêmica de Escalação: O “Whitewashing” de Heathcliff
Uma das maiores controvérsias da produção reside na escolha de Jacob Elordi para o papel de Heathcliff. No livro, o personagem é descrito como um homem de pele escura e aparência estrangeira, contrastando com a aristocracia inglesa.
Ao escalar um ator caucasiano, o filme repete o padrão de adaptações como a de 1992, protagonizada por Ralph Fiennes. Críticos apontam o fenômeno de whitewashing (embranquecimento), argumentando que a etnia de Heathcliff é fundamental para seu sentimento de não pertencimento. O filme de Fennell, contudo, justifica o rancor do personagem através da disputa de classes, focando na relação entre uma aristocrata e um plebeu.
Impactos, Consequências e Desempenho Técnico
A recepção técnica do filme destaca o desempenho do elenco e a direção de arte, apesar do ritmo oscilante no segundo ato. O longa é descrito como excelente, mas capaz de alienar puristas da literatura gótica.
Análise do Elenco
- Jacob Elordi: O ator entrega uma performance bruta, sendo considerado o grande destaque do filme, redimindo-se de papéis anteriores como o de Frankenstein (2025).
- Margot Robbie: Mantém o alto nível de atuação, personificando a nobreza em declínio ético.
- Revelações e Coadjuvantes: Alison Oliver (da série Task) e o jovem Owen Cooper (de Adolescência) são apontados como as grandes revelações. Hong Chau (A Baleia) é citada como a única que destoa levemente, mantendo um tom mais sóbrio que o restante do elenco.
Consequências da Abordagem de Fennell
A subversão do clássico pode gerar debates sobre a banalização de relações doentias, mas o filme se sustenta como uma obra autoral que prioriza o impacto visual e emocional sobre a precisão histórica. O ritmo do longa torna-se lento na metade da projeção, mas recupera o fôlego ao encaminhar-se para o final trágico, atendendo ao desejo do público por uma narrativa de sofrimento e vingança.
Conclusão
A versão de 2026 de O morro dos ventos uivantes consolida-se como uma experiência cinematográfica sensorial e divisiva. Emerald Fennell entrega um filme que, embora mantenha a premissa de vingança e loucura entre uma nobre e um plebeu, prefere o exagero do melodrama à contenção vitoriana.
O resultado é uma obra visualmente sólida que reafirma o talento de Jacob Elordi e Margot Robbie, enquanto desafia as expectativas dos leitores de Emily Brontë ao transformar o espiritual em carnal e o trauma em espetáculo.
Perguntas Frequentes (FAQ Estruturado)
Quem são os protagonistas do novo filme O morro dos ventos uivantes?
O filme é estrelado por Margot Robbie no papel de Catherine e Jacob Elordi como Heathcliff.
Quando estreia o filme O morro dos ventos uivantes no Brasil?
A estreia oficial nos cinemas brasileiros ocorre nesta quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026.
O filme de Emerald Fennell é fiel ao livro de Emily Brontë?
Não totalmente. O filme subverte o clássico ao focar na tensão sexual, eliminar a segunda geração de personagens e alterar a etnia de Heathcliff.
Por que a escalação de Jacob Elordi causou polêmica?
A escalação foi criticada por whitewashing, já que no livro original o personagem Heathcliff é descrito como um homem de pele escura, enquanto Elordi é branco.
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