O filme Mr. Church, lançado em 2016 e dirigido por Bruce Beresford, é um drama tocante que marca o retorno de Eddie Murphy às telas após quatro anos de hiato. Baseado na história curta “The Cook Who Came to Live with Us”, escrita por Susan McMartin e inspirada em sua própria vida, o longa explora temas de família, perda e legado através de uma narrativa delicada. Com Britt Robertson como a jovem Charlie Brooks, Natascha McElhone como sua mãe Marie e um elenco de apoio que inclui Xavier Samuel, Lucy Fry e Christian Madsen, Mr. Church estreou no Festival de Tribeca em abril de 2016 e chegou aos cinemas em setembro, pela Cinelou Films e Freestyle Releasing. Neste artigo, resumimos a trama e dissecamos o final, revelando o impacto duradouro de Mr. Church na vida de Charlie. Atenção: spoilers completos à frente!
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Resumo da Trama de Mr. Church
A história se passa em Los Angeles, começando em 1971. Charlie Brooks, uma menina de 10 anos interpretada inicialmente por uma jovem atriz, acorda com cheiros de café da manhã e encontra um estranho na cozinha: Mr. Church (Eddie Murphy), um cozinheiro contratado por sua mãe solteira, Marie (Natascha McElhone). Inicialmente desconfiada, Charlie descobre que Mr. Church foi providenciado pelo falecido Richard Cannon, um rico empresário que Marie namorou, sem saber que ele era casado. Ao morrer, Cannon deixou uma herança para Marie, diagnosticada com câncer de mama terminal, com expectativa de seis meses de vida. Mr. Church, garantido com salário vitalício para cuidar da família, concorda em manter o segredo da doença de Marie para Charlie.
Seis anos depois, em 1977, Marie ainda resiste à doença, e Mr. Church se torna parte essencial da rotina. Charlie, agora adolescente (Britt Robertson), lida com a iminente perda da mãe, distanciando-se dela e se aproximando do cozinheiro reservado. Quando Marie incentiva Charlie a ir ao baile de formatura, prometendo lutar mais um pouco pela vida, os três posam para fotos como uma família improvisada. Dias após o evento, Mr. Church entrega a notícia devastadora: Marie faleceu.
Mr. Church permanece ao lado de Charlie durante o luto. Ela se forma no ensino médio e ingressa na Universidade de Boston, com ajuda financeira e um carro presente dele. Em 1980, uma Charlie grávida retorna inesperadamente, pedindo para morar com ele. Mr. Church aceita, mas impõe uma regra: respeitar sua privacidade. Naquela noite, ele a expulsa furioso ao flagrar-a revirando suas gavetas, mesmo grávida. Sozinha, Charlie sofre um acidente com um skatista e é levada ao hospital por um amigo do bairro, Larson. Mr. Church chega a tempo de assumir responsabilidade pela neta recém-nascida, Isabel (Izzy), e eles formam um lar unido.
Cinco anos adiante, em 1986, Charlie trabalha como garçonete enquanto Mr. Church e ela criam Izzy. Quando a saúde dele falha, Charlie assume a cozinha, descobrindo seu talento herdado das observações silenciosas. O filme avança através de anos de rotina afetuosa, marcada por silêncios respeitosos e laços profundos, culminando na doença terminal de Mr. Church.
O Clímax da Doença e a Partida de Mr. Church
O final de Mr. Church ganha intensidade quando o cozinheiro, outrora vigoroso, sucumbe a uma enfermidade misteriosa – revelada vagamente como câncer, ecoando o de Marie. Incapaz de cozinhar, ele se torna o cuidado, invertendo papéis com Charlie. Ela, agora uma mãe dedicada, prepara refeições com maestria, surpreendendo a si mesma. “Você aprendeu mais do que pensa”, diz Mr. Church, em um raro momento de vulnerabilidade, reconhecendo o ciclo de aprendizado que ele iniciou.
A cena pivotal ocorre no velório de Mr. Church. Charlie, rodeada de entes queridos, ouve de Jelly (um dono de nightclub) que o falecido tocava piano em seu estabelecimento por 30 anos. Jelly fica atônito ao saber que Mr. Church era um cozinheiro talentoso. Essa revelação choca Charlie: o homem que moldou sua vida guardava segredos profundos, separando mundos como o da música noturna e o da cozinha diurna. Murphy transmite essa complexidade com olhares sutis e silêncios carregados, elevando o personagem além do estereótipo de “tio sábio”.
A morte de Mr. Church não é gráfica; Beresford opta por elegância, focando no impacto emocional. Charlie reflete sobre como ele preencheu vazios – pai para ela, avô para Izzy –, sem nunca invadir espaços alheios. Essa partida marca o fim de uma era, mas planta sementes de continuidade. O filme, com sua linha temporal de duas décadas, usa montagens suaves para mostrar o envelhecimento gracioso de Murphy, contrastando com a juventude vibrante de Robertson.
O Amanhecer Após a Perda: Izzy e o Legado Cozinhado
A resolução poética surge na manhã seguinte ao velório. Charlie acorda com o aroma familiar de panquecas e ovos, evocando memórias de Mr. Church. Sonolenta, ela se pergunta se ele voltou – um devaneio que captura o luto cru. Ao entrar na cozinha, vê Izzy, agora com 10 anos (a mesma idade de Charlie no início), preparando o café sozinha. “Eu assisti você assistindo ele”, explica a menina, sorrindo. Esse ciclo – observação silenciosa levando a herança prática – simboliza o verdadeiro legado de Mr. Church: não palavras grandiosas, mas ações cotidianas que perduram.
Charlie, tocada, senta-se à mesa e começa a escrever sua história com Mr. Church, transformando dor em narrativa. O filme fecha com uma narração em off dela, lendo trechos do livro, enquanto imagens de família se sobrepõem: Marie rindo, Mr. Church no piano invisível, Izzy cozinhando. Essa escolha literária, inspirada na origem autobiográfica de McMartin, fecha o arco de Charlie de criança desconfiada a mulher reflexiva. Murphy’s performance, elogiada por críticos como Roger Ebert, brilha aqui: seu Mr. Church é enigmático, mas acessível, um pilar que ensina sem pregar.
O final evita melodrama excessivo, optando por catarse quieta. Não há redenções forçadas ou reviravoltas; em vez disso, celebra a família escolhida. Izzy, como espelho de Charlie, sugere que o ciclo continua, com a menina carregando não só receitas, mas valores de privacidade e resiliência.
Temas Centrais e o Significado do Final
Mr. Church tece temas de cura geracional e amor não romântico. Mr. Church representa o “pai ausente” idealizado – presente, mas não invasivo –, contrastando com o abandono de Richard Cannon. Sua regra de privacidade protege não só segredos (como seu passado musical), mas vulnerabilidades, ensinando Charlie a respeitar limites. O câncer, recorrente, simboliza fragilidade humana, mas também força comunitária.
O desfecho reforça que legados se constroem em silêncios: cozinhar para nutrir, observar para aprender, partir para inspirar. Críticos notaram o tom manipulador em partes, mas o final redime isso com autenticidade. Para Murphy, foi um risco bem-sucedido, trocando comédia por drama introspectivo, ganhando elogios por nuance racial sutil – Mr. Church, homem negro em um lar branco, navega espaços com dignidade quieta.
Se você assistiu, qual cena mais tocou? O beijo da cozinha inicial ou o café de Izzy? Compartilhe nos comentários. Mr. Church prova: às vezes, o maior mistério é o coração que deixamos para trás.
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