Mais Que Especiais (Hors normes), lançado em 2019, é mais do que um filme de drama; é um mergulho em uma realidade complexa e desafiadora, mas repleta de humanidade. Dirigido pela dupla talentosa Éric Toledano e Olivier Nakache, os mesmos responsáveis pelo aclamado “Intocáveis” (2011), o longa-metragem francês se baseia em uma história real para retratar a vida de indivíduos que dedicam suas vidas a cuidar de pessoas com autismo severo, muitas vezes rejeitadas pelo sistema de saúde tradicional.
A trama, inspirada nos ativistas Stéphane Benhamou e Daoud Tatou, segue de perto duas organizações na periferia de Paris, comandadas por Bruno (Vincent Cassel) e Malik (Reda Kateb). Juntos, eles se tornam a última esperança para jovens e adultos autistas que ninguém mais quer acolher. O filme, exibido no Festival de Cannes de 2019 fora da competição oficial, convida o espectador a refletir sobre o significado de cuidado, compaixão e a luta incessante contra a burocracia e a indiferença.
Leia também:
Mais Que Especiais: Conheça a HISTÓRIA REAL que inspirou o filme
Mais Que Especiais: O que acontece no fim do filme (final explicado)
Sinopse e Enredo de Mais Que Especiais
A história de “Mais Que Especiais” gira em torno de Bruno Haroche (Vincent Cassel), um homem judeu ortodoxo que, com um senso de missão quase inabalável, dirige uma organização que oferece moradia e atividades para cerca de 40 pacientes autistas. Sua motivação é pura e direta: dar um lar e propósito a pessoas que, devido à gravidade de seus diagnósticos, são abandonadas por outras instituições.
Paralelamente, conhecemos Malik (Reda Kateb), que administra sua própria organização e tem uma parceria com Bruno. A função de Malik é treinar adolescentes de bairros carentes de Paris, oferecendo a eles uma oportunidade de emprego e propósito ao se tornarem cuidadores de pessoas autistas. Juntos, os dois trabalham incansavelmente, mesmo com a constante falta de fundos, e enfrentam o maior dos desafios: a burocracia do Estado.
O enredo ganha força quando a agência governamental IGAS (Inspetoria Geral de Assuntos Sociais) decide investigar a organização de Bruno por operar sem a licença adequada. O filme, então, se desenrola como uma corrida contra o tempo, onde Bruno precisa provar o valor de seu trabalho, mesmo que sua abordagem seja “fora dos padrões”. Paralelamente, acompanhamos a vida de alguns pacientes, como Joseph (Benjamin Lesieur), um autista mais funcional que luta para manter um emprego e controlar seu impulso de acionar alarmes de incêndio, e Valentin (Marco Locatelli), um jovem com autismo severo e crises de violência que precisa ser constantemente monitorado.
A dinâmica entre Bruno e Malik, e a forma como eles interagem com seus pacientes e com os inspetores do governo (interpretados por Frédéric Pierrot e Suliane Brahim), são o coração do filme. “Mais Que Especiais” não se concentra apenas nos desafios do autismo, mas também na resiliência e na determinação de quem se dedica a essa causa.
Elenco
O filme “Mais Que Especiais” se destaca pela atuação genuína e convincente de seu elenco principal. A escolha de atores que personificam de maneira autêntica seus papéis, combinada com a participação de atores autistas e pessoas envolvidas com o tema na vida real, confere à produção uma camada de realismo e sensibilidade.
Vincent Cassel como Bruno Haroche

O renomado ator francês entrega uma performance intensa e carismática. Ele retrata Bruno como um líder incansável, um homem movido por uma paixão altruísta e uma fé inabalável em sua missão. Sua atuação é cheia de nuances, capturando tanto a energia frenética de Bruno quanto a sua vulnerabilidade. O personagem usa um solidéu sob um boné dos Yankees, um pequeno detalhe que revela sua identidade religiosa e a maneira como ele se move entre diferentes mundos.
Reda Kateb como Malik

‘Complementando a performance de Cassel, Reda Kateb interpreta Malik, o parceiro de Bruno. Malik, de origem muçulmana, representa o contraponto calmo e racional à paixão incontrolável de Bruno. A dupla de atores transmite uma química palpável, mostrando a força da parceria entre os dois e como, apesar de suas diferenças, eles compartilham o mesmo objetivo.
Benjamin Lesieur como Joseph

Benjamin Lesieur, um ator autista, traz uma autenticidade notável ao papel de Joseph. Seu personagem é funcional, mas com ansiedades que se manifestam de maneiras peculiares, como seu impulso para disparar alarmes. A atuação de Lesieur é cativante e humaniza a experiência autista, evitando estereótipos.
Marco Locatelli como Valentin

Outro destaque do elenco é Marco Locatelli, que interpreta o complexo personagem de Valentin. O personagem sofre com autismo severo e crises de violência, usando um protetor de cabeça para evitar se machucar. Locatelli capta com sensibilidade o tormento de Valentin e a dificuldade de se comunicar, tornando o personagem crível e comovente.
Bryan Mialoundama como Dylan

Como um dos jovens aprendizes de Malik, Bryan Mialoundama encarna Dylan, um adolescente de um bairro difícil que, inicialmente, tem dificuldade de entender a importância do trabalho de cuidador. A evolução de seu personagem reflete a transformação que o projeto de Malik e Bruno causa na vida desses jovens.
Elenco de Apoio
Além do elenco principal, o filme conta com uma lista de talentosos atores em papéis de apoio, que ajudam a dar vida ao universo da trama. Entre eles estão:
- Hélène Vincent como Hélène
- Alban Ivanov como Menahem
- Catherine Mouchet como Doutora Ronssin
- Frédéric Pierrot e Suliane Brahim como os Inspetores da IGAS
- Lyna Khoudri como Ludivine
- Aloïse Sauvage como Shirelle
Crítica de Mais Que Especiais
“Mais Que Especiais” foi recebido com críticas majoritariamente positivas, elogiando sua sinceridade e a abordagem sensível ao tema do autismo. No agregador de críticas Rotten Tomatoes, o filme possui uma taxa de aprovação de 82%, o que demonstra o bom recebimento geral.
No entanto, algumas críticas apontam para a estrutura do filme, que por vezes parece mais um documentário do que uma obra dramática. A produção opta por uma narrativa mais realista e menos focada em arcos dramáticos tradicionais, o que pode fazer com que o espectador se sinta mais como um observador do que um participante da história. A intenção de mostrar a vida como ela é, com suas repetições e dificuldades, pode dar a sensação de que o enredo “patina” em alguns momentos, mas essa é uma escolha deliberada dos diretores para honrar a história real.
Apesar de ser um filme sobre autismo, os personagens autistas não são o foco principal. O filme prefere manter uma certa distância, o que, embora frustrante para quem busca uma conexão mais profunda com eles, reflete a dificuldade real de se conectar com pessoas com autismo severo. Os diretores Éric Toledano e Olivier Nakache, que têm conexões pessoais com o tema, escolhem mostrar a perspectiva dos cuidadores e a luta burocrática, o que, de certa forma, transforma o drama em um editorial sobre a importância do trabalho de Bruno e Malik.
Essa escolha, embora corajosa, pode deixar o espectador desejando mais desenvolvimento de personagens como Joseph e Valentin. Contudo, é essa mesma escolha que torna o filme tão autêntico. Ao não “hollywoodizar” a trama, “Mais Que Especiais” honra as pessoas nas quais a história é baseada, mostrando a realidade crua e dedicada de quem vive essa luta diariamente. É um filme sobre a paixão e o compromisso, e, sob essa ótica, é um sucesso.
Onde Assistir Mais Que Especiais?
Para quem se interessou por essa emocionante e inspiradora jornada, “Mais Que Especiais” está disponível para streaming nas plataformas GloboPlay e Amazon Prime Video.
Siga o Séries Por Elas no Twitter e no Google News, e acompanhe todas as nossas notícias!




