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Girls Like Girls CRÍTICA: O Desabrochar do Primeiro Amor e o Acolhimento das Nossas Próprias Descobertas

Existe algo profundamente mágico e assustador em olhar para trás e lembrar de quem fomos no início da nossa juventude. O filme Girls Like Girls, que marca a estreia na direção da cantora e compositora Hayley Kiyoko, captura exatamente essa vertigem emocional com uma delicadeza tocante. Produzido pela Focus Features e lançado nos cinemas em junho de 2026, o longa é inspirado no videoclipe de imenso sucesso da própria diretora lançado em 2015.

Esta belíssima obra de amadurecimento acompanha o envolvimento de duas garotas adolescentes durante um verão ensolarado de meados dos anos 2000. Se você busca uma história que trate o primeiro amor com o respeito, a doçura e a intensidade que ele merece, este filme é uma escolha absolutamente imperdível para o seu coração.

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No portal Séries Por Elas, nós sempre celebramos narrativas que dão espaço e voz para as vivências reais das mulheres. Girls Like Girls não tenta reinventar a roda do cinema romântico, mas faz algo muito mais precioso. Ele valida os sentimentos de meninas que amam outras meninas sem precisar recorrer a tragédias extremas. A história conversa diretamente com as mulheres contemporâneas que passaram pela angústia de se descobrir em um mundo que nem sempre parecia pronto para acolhê-las.

A jovem Coley, interpretada com uma doçura magnética por Maya da Costa, personifica a vulnerabilidade de quem precisa recomeçar do zero. Ela carrega o peso do luto recente pela perda de sua mãe e a timidez de quem acabou de se mudar para uma cidadezinha no Oregon. É nesse cenário de isolamento que ela cruza o caminho de Sonya, vivida pela iluminada Myra Molloy. Sonya é o oposto de Coley: expansiva, popular e aparentemente segura de si. O laço que se forma entre as duas começa na superfície de uma amizade comum de verão, mas logo se transforma em algo muito mais profundo.

A agência feminina aqui se manifesta na coragem de sentir. O roteiro, escrito por Hayley Kiyoko ao lado de Chloe Okuno e Stefanie Scott, entende o universo das adolescentes. Ele mostra como a amizade feminina pode ser um porto seguro e, ao mesmo tempo, o lugar onde nascem as maiores descobertas da vida.

Para a mulher de hoje, ver a transição do carinho platônico para o desejo romântico entre Coley e Sonya é um exercício de pura empatia. A narrativa aborda os medos internos de Sonya, que namora o jovem Trenton, papel de Levon Hawke. O conflito de Sonya não vem de monstros externos, mas sim do medo de abraçar sua verdadeira identidade e quebrar as expectativas sociais.

“O primeiro amor pode não mudar o mundo inteiro ao nosso redor, mas tem o poder inabalável de mudar a forma como nos enxergamos nele.”

A Nostalgia dos Anos 2000 e a Dança Silenciosa dos Olhares

A direção de Hayley Kiyoko surpreende pela maturidade visual e pelo ritmo que escolhe para contar essa história. Ela não tem pressa em acelerar os acontecimentos. O filme funciona quase como um diário de verão lírico, onde as pequenas ações ganham um peso enorme.

Os diálogos são simples e diretos, aproximando o público da realidade daquelas jovens sem a necessidade de discursos difíceis. A química entre Maya da Costa e Myra Molloy é o grande motor da produção. Elas conseguem transmitir a eletricidade de um toque de pernas no banco de trás de um carro ou a timidez de um olhar sustentado por tempo demais.

Visualmente, a produção é um deslumbre nostálgico que aquece a alma. A direção de fotografia de Sonja Tsypin banha o filme em uma luz de fim de tarde constante, usando tons de laranja queimado e dourado. Essa escolha de cores evoca a sensação de estarmos folheando um álbum de fotografias antigas ou revivendo uma memória querida no Instagram.

A câmera se aproxima dos rostos das atrizes com intimidade, capturando cada suspiro e hesitação antes do primeiro beijo. A trilha sonora de Jessica Rose Weiss abraça essas imagens com melodias suaves e etéreas, deixando as músicas vibrantes da própria diretora em segundo plano para priorizar o clima de romance clássico.

Os detalhes da produção de arte comandada por Lindsey Moran merecem aplausos calorosos de quem viveu aquela época. Vemos os computadores de tubo brilhando no escuro do quarto, o som nostálgico das mensagens do antigo comunicador virtual e os aparelhos de música portáteis com fones de ouvido simples.

O figurino assinado por Kelli Dunsmore complementa essa imersão de forma impecável, trazendo as calças de cintura baixa, as blusas de alça e as camisas xadrez amarradas na cintura. Tudo parece autêntico e saído diretamente do armário de uma adolescente entediada do subúrbio em 2006.

Destacamos também a participação carinhosa de Zach Braff como Curtis, o pai distante de Coley. Curtis tenta de todas as formas se conectar com a filha após a tragédia familiar, mas não sabe muito bem como agir.

A atuação de Braff é contida e cheia de boas intenções. Ela serve como um belo contraponto de maturidade na trama, mostrando que o acolhimento familiar silencioso pode ser um bálsamo poderoso para corações machucados. É uma produção feita por mulheres que sabem exatamente como retratar a doçura e a dor de crescer.

O Veredito do Coração

<strong>NOTA: 5/5</strong>

Girls Like Girls é uma pequena joia do cinema de amadurecimento que vence o espectador pelo afeto. O filme abraça os clichês do gênero e os transforma em poesia visual com muita facilidade. É uma história que confia na força dos sentimentos puros e na beleza da vulnerabilidade humana. Uma estreia diretorial belíssima que merece ser vista e celebrada por todas as gerações de mulheres.

Por fim, vale destacar que, infelizmente, o filme ainda não está disponível no Brasil.

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