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Crítica de Uma Advogada Brilhante: Vale a Pena Assistir o Filme?

Uma Advogada Brilhante, dirigido por Alê McHaddo e lançado em março de 2025, é a mais recente comédia brasileira estrelada por Leandro Hassum. Disponível na Netflix desde o final de agosto, o filme mistura humor físico, sátira social e drama familiar em uma trama sobre disfarce e superação. Com roteiro de Luiz Felipe Mazzoni e o próprio McHaddo, a produção promete risadas e reflexões sobre machismo no ambiente corporativo. Mas será que cumpre? Nesta crítica, analisamos os elementos chave para ajudar você a decidir se vale o play.

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Uma Premissa Divertida, Mas Previsível

O filme segue Michelle Barbieri, ou Mike (Leandro Hassum), um advogado talentoso de uma firma modesta em São Paulo. Seu nome italiano, que soa feminino, sempre foi piada recorrente. Quando a grande firma Top Law adquire sua empresa, Mike descobre que a fusão prioriza mulheres em um esforço de diversidade. Para não perder o emprego e garantir a pensão do filho após o divórcio, ele decide se disfarçar de Dra. Michelle, adotando peruca, salto alto e trejeitos femininos.

A ideia é clássica, ecoando Tootsie e Mrs. Doubtfire, mas adaptada ao contexto brasileiro atual. O roteiro inicia com ritmo ágil, explorando o caos do disfarce em reuniões e tribunais. Mike lida com assédio velado, desigualdades salariais e o peso da maternidade simulada. No entanto, a trama perde fôlego no segundo ato, com reviravoltas forçadas que diluem o foco. O final, emocional e redentor, tenta equilibrar humor e lição, mas chega apressado.

Hassum no Modo Comédia: Carisma Apesar dos Exageros

Leandro Hassum é o coração pulsante do filme. Como Mike/Dra. Michelle, ele domina as cenas com timing cômico impecável, alternando entre o homem desajeitado e a “mulher” confiante. Seus trejeitos – falsete agudo, rebolados constrangedores e olhares de pânico – geram as melhores risadas, especialmente em sequências de aeróbica ou flertes acidentais.

Alê McHaddo, em papel duplo como diretora e atriz (Dra. Marcella), oferece uma antagonista afiada, com química natural ao lado de Hassum. Danilo Gentili surge em cameo como juiz sarcástico, adicionando pitadas de humor ácido. O elenco feminino brilha: Olívia Lopes rouba cenas como a irreverente MC Mone, enquanto Cláudia Campolina, como Dra. Julia, traz frescor e profundidade emocional. Críticas elogiam as mulheres por elevarem o material, contrastando com os homens estereotipados. Ainda assim, Hassum carrega o peso, provando por que é o rei das comédias nacionais.

Direção Eficiente e Humor de Constrangimento

Alê McHaddo, conhecida por curtas e séries como Sobrinhos em Lentilhas, estreia no longa com mão leve. A direção prioriza o humor de situação, filmando em locações reais de São Paulo para ancorar a sátira no cotidiano brasileiro. A fotografia vibrante captura o contraste entre o escritório cinzento e os tribunais glamorosos, enquanto a edição rápida mantém o fluxo cômico.

O tom oscila entre leveza e seriedade, com cenas de tribunal que viram farsa e momentos familiares tocantes. A trilha sonora, com toques de pop italiano, reforça o tema do nome “errado”. No entanto, o filme peca pela superficialidade: o machismo é apontado, mas não aprofundado, soando como lição de escola. McHaddo acerta no equilíbrio familiar, tornando-o acessível para todas as idades, mas falha em inovar o gênero.

Temas Sociais: Sátira ou Lição Superficial?

Uma Advogada Brilhante ambiciona criticar o machismo corporativo. Mike, como mulher, enfrenta olhares invasivos, piadas sexistas e a “dupla jornada” – equilibrando trabalho e “maternidade”. A trama expõe como firmas usam diversidade como marketing, demitindo homens para quotas femininas. Há cenas potentes, como o confronto com assédio, que ecoam debates reais no Brasil.

Porém, a abordagem é didática demais. O roteiro, coescrito por Mazzoni, opta por humor exagerado em vez de nuance, reduzindo temas complexos a piadas. Comparado a A Mentira de Adam ou Beco do Rato, que satirizam gênero com mais sutileza, o filme fica raso. E, apesar da fórmula tradicional, há reflexão sobre desigualdade. É progressista na intenção, mas conservador na execução, apelando mais ao riso fácil que à provocação.

Ademais, o filme é um hit de bilheteria – superou 1 milhão de espectadores nos cinemas – mas divide opiniões: 6.2 no IMDb reflete o equilíbrio entre fãs e críticos.

Pontos Fortes e Fracos na Execução

Os acertos incluem o carisma de Hassum e o elenco feminino, que injetam frescor. O humor físico funciona em doses, e o final emocionante, com Mike lutando pela custódia, resgata o filme. A duração de 100 minutos é ideal para streaming, sem arrastar.

Fraquezas dominam: diálogos pueris, como “não dá para desver isso”, soam amadores. A transição para drama no caso de assédio é abrupta, e o disfarce se revela cedo demais, matando o suspense. Além disso, há uma superficialidade social, oscilando entre riso e reflexão forçada. É divertido, mas não memorável.

Vale a Pena Assistir na Netflix?

Sim, se você busca comédia leve para uma noite descontraída. Hassum garante risadas, e a mensagem sobre igualdade adiciona valor. Na Netflix, é perfeita para maratonas familiares, competindo com De Pernas pro Ar. Evite se prefere sátira afiada – opte por O Auto da Compadecida. O filme diverte sem ofender, mas não revoluciona. Para fãs de Hassum, é obrigatório; para outros, uma opção casual. Assista e julgue: o tribunal da tela convence?

Uma Advogada Brilhante é uma comédia brasileira típica: engraçada, acessível e com coração. Hassum brilha, mas o roteiro superficial limita o potencial. Com toques de crítica social, diverte mais que provoca. Na Netflix, vale para quem ama o gênero – uma vitória modesta no cinema nacional de 2025.

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Magdalena Schneider
Magdalena Schneider
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