Crítica de Quero Ser Grande: Vale A Pena Assistir o Filme?

Quero Ser Grande (1988), dirigido por Penny Marshall, é um clássico da comédia familiar que captura a essência da infância perdida na correria adulta. Com Tom Hanks no auge de sua carreira inicial, o filme segue Josh Baskin, um garoto de 12 anos que deseja crescer e acorda em um corpo de adulto. Disponível na Netflix desde 2025, essa joia dos anos 80 ganha nova vida. Mas, em tempos de narrativas mais complexas, ainda encanta? Nesta crítica, exploramos a trama, atuações e legado para decidir se vale o play.

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Uma jornada mágica da infância à maturidade

Josh (David Moscow jovem, dublado por Hanks como adulto) visita uma máquina de fadas em uma feira. Seu desejo simples – ser grande – vira realidade. Aos 13 anos mentais em um corpo de 35, ele foge de casa e vai para Nova York. Lá, conquista um emprego na empresa de brinquedos MacMillan, usa salário para alugar um apartamento chique e descobre o amor com Susan (Elizabeth Perkins).

A trama equilibra humor leve com toques de melancolia. Cenas icônicas, como Josh dançando “Heart and Soul” no teclado de brinquedo, misturam inocência e absurdo. Penny Marshall, em sua estreia como diretora, usa o desejo de Josh para questionar o preço da adultez: responsabilidades sufocam a alegria. Em 2025, com debates sobre saúde mental infantil, o filme ressoa, mostrando como a sociedade acelera o amadurecimento prematuro.

No entanto, o ritmo pode parecer datado. Diálogos expositivos explicam motivações, e o final otimista ignora nuances reais de trauma. Ainda assim, a magia da jornada mantém o espectador engajado por 103 minutos.

Tom Hanks: o coração pulsante do filme

Tom Hanks transforma Josh em um ícone. Sua performance captura a confusão de um menino em corpo adulto: olhos curiosos, gestos desajeitados, risadas espontâneas. Aos 32 anos, Hanks mistura vulnerabilidade com carisma, pavimentando o caminho para Forrest Gump e Filadélfia. Aqui, ele evita caricatura, tornando Josh relatable – quem não sonhou em pular etapas da vida?

Elizabeth Perkins brilha como Susan, a executiva que redescobre a diversão através de Josh. Sua evolução de cética para apaixonada adiciona camadas românticas. Robert Loggia, como o CEO Frank Dubinsky, rouba cenas com sua sabedoria brincalhona. O elenco infantil, incluindo John Heard como o pai de Josh, reforça o tema familiar.

Críticas da época, como no New York Times, elogiaram Hanks por humanizar o fantástico. Em 2025, sua atuação resiste ao tempo, destacando-se em uma era de efeitos visuais excessivos.

Direção sensível e legado cultural

Penny Marshall dirige com afeto maternal. Sua visão feminina infunde empatia, especialmente nas cenas de Josh navegando machismo corporativo. A fotografia de Barry Sonnenfeld capta Nova York dos 80s: arranha-céus reluzentes, ruas vibrantes, apartamentos kitsch. A trilha de Howard Shore, com toques jazzísticos, pontua transições emocionais.

O filme critica o mundo adulto: reuniões tediosas, flertes superficiais, pressões profissionais. Josh questiona: “Por que tudo tem que ser complicado?” Essa inocência desafia o cinismo, ecoando em produções modernas como Encanto. No entanto, estereótipos de gênero – mulheres como salvadoras emocionais – envelhecem mal, refletindo os 80s.

Culturalmente, Quero Ser Grande influenciou comédias como Vice-versa e O Menino Que Podia Voar. Ganhou dois Oscars (melhor roteiro original para Gary Ross) e faturou US$ 114 milhões. Na Netflix, impulsiona discussões sobre nostalgia, com picos de visualizações em 2025.

Pontos fortes e limitações em 2025

Pontos altos: humor acessível, mensagem universal sobre perda da inocência, Hanks impecável. Limitações: visão roseada da pobreza (Josh rico rapidamente), falta de diversidade no elenco. Em 2025, com foco em representatividade, isso pesa, mas o encanto compensa.

Para famílias, é ideal: risadas garantidas, conversas sobre crescimento. Adultos nostálgicos revivem os 80s; jovens descobrem Hanks pré-superstar.

Vale a pena assistir?

Sim, Quero Ser Grande vale o tempo na Netflix. Em uma era de conteúdo fragmentado, oferece conforto simples e profundo. Assista com pipoca e reflexão: o que você sacrificaria para ser “grande”? Não é perfeito, mas aquece o coração como poucas comédias.

Quero Ser Grande permanece um tesouro dos 80s, graças à visão de Penny Marshall e ao brilho de Tom Hanks. Sua mistura de riso e lágrima captura a magia da transição para a vida adulta. Disponível na Netflix, é uma pausa bem-vinda no caos de 2025. Para quem busca leveza com substância, aperte o play – e deseje com cuidado.

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Magui Schneider
Magui Schneider

Como Editora-Chefe do Séries Por Elas, Magdalena (Magui) é responsável pela curadoria e tom editorial do portal. Magui traz um diferencial único: sua formação como Psicóloga (CRP-RS 07/27539). Ela utiliza sua expertise no comportamento humano para enriquecer as críticas de cinema e TV, oferecendo uma visão analítica e humana sobre o desenvolvimento de personagens e tramas.

Especialista em narrativas de drama, romance e comédia, a ‘Little Monster’ fã declarada da Lady Gaga, traduz sua visão profissional em análises que conectam o público às emoções das telas. É ela quem garante que, aqui, a paixão de fã e a análise séria andem de mãos dadas.

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