Crítica de Os Ratos: Uma História de The Witcher | Vale a Pena Assistir?

Os Ratos: Uma História de The Witcher, lançado em 30 de outubro de 2025 na Netflix, é um especial animado de 80 minutos que expande o universo sombrio de Andrzej Sapkowski. Dirigido por Mairzee Almas, conhecida por trabalhos em The Haunting of Bly Manor, o filme foca na gangue de ladrões adolescentes conhecida como Os Ratos, antes de seu encontro fatídico com Ciri. Com vozes de Dolph Lundgren, Christelle Elwin e Ben Radcliffe, a produção promete ação, aventura e fantasia em um tom mais sombrio. Mas, em um ano de spin-offs da franquia, será que este curta-metragem justifica o hype? Nesta crítica, avalio enredo, animação e relevância para fãs.

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Premissa que Expande o Lore, mas Falha no Ritmo

A história se passa seis meses antes dos eventos da terceira temporada de The Witcher. Os Ratos – Mistle (Christelle Elwin), Giselher (Ben Radcliffe), Reef, Kayleigh, Iskra e Asse – são um grupo de jovens foras da lei, moldados pela brutalidade da guerra no Continente. Endurecidos e unidos por laços frágeis, eles sobrevivem com roubos pequenos até toparem com uma oportunidade irresistível: um assalto épico a uma arena de lutas clandestina gerenciada pelo senhor da guerra Houvenaghel.

Aqui, entra o elemento surpresa: um bruxo cínico, dublado por Dolph Lundgren, junta-se à trupe para o golpe. Inspirado nos livros de Sapkowski, o filme explora temas de sobrevivência, lealdade e o custo da ambição em um mundo medieval-fantástico. A premissa cativa ao preencher lacunas do lore, mostrando como os Ratos se tornam a “família” temporária de Ciri. No entanto, o ritmo sofre: os 80 minutos parecem apertados, com setups longos para o heist que se resolvem em um clímax apressado. Reviravoltas, como traições internas, são previsíveis, e o filme sente falta de tensão genuína, ecoando críticas no Rotten Tomatoes por parecer um “piloto estendido”.

Elenco de Vozes Talentoso em Personagens Subdesenvolvidos

Dolph Lundgren surpreende como o bruxo veterano, trazendo um tom rouco e sarcástico que lembra seu icônico Ivan Drago, mas adaptado ao cinismo witcheriano. Sua presença eleva o filme, injetando humor negro em diálogos afiados sobre honra e monstros – humanos ou não. Christelle Elwin, como Mistle, lidera o grupo com uma mistura de vulnerabilidade e ferocidade, capturando a essência de uma adolescente traumatizada pela guerra. Ben Radcliffe, no papel de Giselher, o líder carismático, oferece uma performance equilibrada, equilibrando bravata e dúvida interna.

O elenco de apoio, incluindo vozes para Reef (um ladrão astuto) e Iskra (a infiltradora), adiciona camadas ao bando disfuncional. As interações revelam dinâmicas ricas: brigas por liderança, flertes tensos e momentos de camaradagem forjada no fogo. Ainda assim, os personagens pecam pela superficialidade. Cada Rato representa um arquétipo de heist – o cérebro, o músculo, o charmoso –, mas faltam arcos profundos. Em 80 minutos, é difícil ir além de esboços, deixando fãs querendo mais desenvolvimento, como notado em discussões no Reddit.

Direção e Animação

Mairzee Almas dirige com eficiência, priorizando uma animação 2D estilizada que evoca os quadrinhos de The Witcher. A paleta sombria, com tons de cinza e vermelho sangue, contrasta com explosões de magia e violência gráfica, criando uma atmosfera imersiva. Cenas de luta na arena são o destaque: coreografias fluidas misturam espadas, feitiços e improvisos brutais, reminiscentes dos jogos da CD Projekt Red. A trilha sonora, com toques folclóricos e batidas pulsantes, reforça o tom de aventura perigosa.

Porém, a narrativa desequilibra o pacote. Almas luta para equilibrar o heist com o drama emocional, resultando em pausas reflexivas que interrompem o fluxo. O filme brilha em sequências de ação, mas tropeça em diálogos expositivos que explicam o lore em vez de mostrá-lo. Comparado à série live-action, a animação permite liberdades criativas – como um bruxo mais “hollywoodiano” –, mas o orçamento parece limitar a escala, com cenários repetitivos que não capturam a vastidão do Continente.

Integração ao Universo Witcher

Os Ratos serve como ponte para a quarta temporada, explicando a origem da gangue que Ciri encontra no final da terceira. Baseado nos contos de Sapkowski, o especial enriquece o backstory, humanizando vilões periféricos e explorando temas de marginalizados em tempos de caos. A inclusão do bruxo de Lundgren sugere expansões futuras, talvez ligando a Geralt ou Vesemir, o que excita fãs hardcore.

Ainda assim, para novatos, o filme assume conhecimento prévio, tornando-o menos acessível. Diferente de Blood Origin, que errou feio no tom, este evita grandes liberdades com o canon, mas não inova o suficiente. Em um 2025 marcado por spin-offs como The Witcher: Sirens of the Deep, Os Ratos se destaca pela brevidade, mas sofre com a percepção de “conteúdo de enchimento”, como criticado no Vulture por ser um “spinoff que não foi”.

Vale a Pena Assistir para Fãs do Universo?

Sim, se você é fã dedicado de The Witcher. Os 80 minutos oferecem ação visceral, lore expandido e um vislumbre promissor dos Ratos como anti-heróis cativantes. Lundgren rouba a cena, e as sequências de heist entregam adrenalina pura, perfeita para uma sessão rápida na Netflix. O filme pontua 65% no Rotten Tomatoes, elogiado por “adicionar carne aos ossos” da gangue, mas criticado por trama fraca.

Não, se busca uma entrada standalone ou algo revolucionário. O ritmo irregular e personagens rasos frustram, especialmente após o desastre de Blood Origin. Para casuais, a série principal basta. Assista após a temporada 3 para contexto – é um aperitivo sombrio, não o banquete.

Os Ratos: Uma História de The Witcher é uma adição sólida, mas não essencial, ao vasto ecossistema da franquia. Com direção competente de Almas e vozes marcantes, ele captura o espírito brutal de Sapkowski em animação vibrante. Apesar de falhas no ritmo e profundidade, o heist dinâmico e o lore enriquecido justificam o play para devotos. Em 2025, com a Netflix apostando em curtas animados, este prova o potencial – imagine uma minissérie completa. Vale o tempo? Para witcherianos, sim. Para o resto, espere a temporada 4. Uma visão rápida que deixa gosto de mais.

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Magdalena Schneider
Magdalena Schneider
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