Crítica de Mais que Vencedores: Vale A Pena Assistir o Filme?

Mais que Vencedores, lançado em 21 de novembro de 2019, é o oitavo filme dos irmãos Kendrick, conhecidos por produções evangélicas como Prova de Fogo e Coragem para Vencer. Dirigido e estrelado por Alex Kendrick, com roteiro de Stephen Kendrick, o drama de 2h04min explora fé, identidade e superação no contexto de um esporte improvável. Disponível no Globoplay ou para aluguel na Apple TV, Amazon Prime Video, Google Play e YouTube, o filme atraiu mais de 10 milhões de espectadores nos EUA. Mas em um catálogo saturado de conteúdos inspiracionais, ele se destaca ou repete fórmulas? Nesta análise, destrinchamos os acertos e falhas para guiar sua escolha.

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Premissa inspiradora, mas formulaica

A trama segue John Harrison (Alex Kendrick), um treinador de basquete de ensino médio em uma pequena cidade americana. Quando cortes orçamentários acabam com seu time, ele relutantemente assume a equipe de cross-country, um esporte solitário e exaustivo. Sua nova aluna, Hannah Scott (Shari Rigby), uma adolescente com asma e um passado familiar complicado, entra na história como uma outsider determinada a provar seu valor.

O filme usa o atletismo como metáfora para a jornada espiritual. Baseado em Êxodo 14:14 – “O Senhor pelejará por vós” –, ele questiona: quem define sua identidade? Deus ou conquistas mundanas? Essa mensagem central ressoa, especialmente em cenas de corridas que simbolizam perseverança. No entanto, a narrativa segue o molde clássico dos Kendricks: conflito inicial, crise de fé e resolução milagrosa. Previsível desde o ato um, como notado por críticos do Roger Ebert, que chamou o filme de “barato e queijo”. O ritmo arrasta no meio, com sermões disfarçados de diálogos que interrompem o fluxo.

Elenco dedicado, com destaques emocionais

Alex Kendrick, como John, incorpora o arquétipo do homem comum em crise, com uma performance sincera que ecoa sua autoria. Ele equilibra frustração e redenção, tornando o protagonista relatable para pais e treinadores. Shari Rigby, inspirada em sua própria jornada de superação, brilha como Hannah. Sua vulnerabilidade – de garota rechonchuda lidando com abandono familiar – adiciona camadas reais, elevando o filme além do didático. Ben Davies, como o amigo e pastor de John, oferece alívio cômico leve, enquanto Priscilla Shirer, como a mãe de Hannah, traz intensidade em monólogos sobre perdão.

O elenco é majoritariamente amador, típico das produções dos Kendricks, filmadas em Albany, Geórgia. Isso confere autenticidade, mas expõe limitações: diálogos expositivos soam forçados, e a ausência de estrelas de Hollywood reforça o tom caseiro. Ainda assim, Rigby e Shirer entregam momentos tocantes, como a cena de Hannah recitando versos bíblicos durante uma corrida, que emocionam sem exageros.

Direção e produção com coração evangélico

Alex Kendrick dirige com eficiência, priorizando mensagens sobre espetáculo. A fotografia simples captura a poeira das pistas de atletismo e a intimidade de orações familiares, evocando um realismo cotidiano. A trilha sonora, com hinos gospel e faixas inspiracionais, reforça o tom devocional, culminando em uma montagem final que mistura lágrimas e aplausos.

Os Kendricks consultaram treinadores reais de cross-country, adicionando verossimilhança às sequências esportivas. No entanto, o filme peca pela pregação excessiva: áudio bíblico sobreposto a cenas genéricas soa manipulador, como criticado pela Deseret News. Com orçamento de US$ 2 milhões, a produção evita efeitos chamativos, focando em atores locais. Isso agrada o público-alvo – igrejas e famílias cristãs –, mas aliena espectadores seculares, que veem o filme como propaganda velada.

Temas profundos em um envoltório datado

Mais que Vencedores aborda identidade cristã em uma era de autoajuda. John questiona seu propósito após perder o basquete, enquanto Hannah luta contra rótulos sociais. O filme critica a cultura de vitórias vazias, promovendo uma fé que transcende troféus. Essa profundidade espiritual, elogiada pelo Plugged In, ressoa em 2025, com debates sobre saúde mental e pressão juvenil.

Comparado a Coragem para Vencer, seu predecessor, ele inova ao trocar futebol por cross-country, simbolizando isolamento e endurance. Diferente de dramas seculares como McFarland, USA, evita sátira, optando por sermão direto. Críticos do Rotten Tomatoes (38% dos avaliadores) o chamam de “emotivo, mas cínico”, enquanto o público (98% positivo) o celebra como uplifting. Essa dicotomia reflete o nicho: para crentes, é edificante; para outros, piegas.

Pontos fortes e tropeços narrativos

Os acertos incluem o foco em personagens femininas fortes – Hannah e sua mãe desafiam estereótipos evangélicos tradicionais. As cenas de corrida, filmadas com atletas reais, injetam energia, e o humor sutil, como piadas sobre o “esporte invisível” do cross-country, alivia a seriedade. A mensagem de perdão familiar toca corações, especialmente em tempos de polarização.

Os tropeços são evidentes: o título “Overcomer” (Vencedor) é criticado como genérico, e o enredo ignora realidades como doping ou lesões graves no esporte. Diálogos expositivos – “Sua identidade está em Cristo!” – soam artificiais, e o final, com uma vitória improvável, beira o fantástico. Em 124 minutos, o filme poderia cortar 20 para apertar o ritmo, evitando repetições de temas bíblicos.

Vale a pena assistir Mais que Vencedores?

Mais que Vencedores é ideal para famílias cristãs ou quem busca motivação espiritual. Sua mensagem de identidade divina inspira, e as atuações de Rigby e Kendrick tocam. No Globoplay, é acessível para uma sessão devocional. No entanto, para espectadores neutros, o tom preachy e a previsibilidade frustram – como dito pelo Roger Ebert: “nem metade vale a pena”.

Se você amou A Cabana ou Fé que Transforma, mergulhe. Para dramas esportivos mais nuançados, prefira O Âncora ou Invencível. Com 800 mil cópias vendidas em DVD, ele cumpre seu propósito nichado, mas não conquista o mainstream. Assista se precisar de um boost de fé; pule se busca cinema equilibrado.

Mais que Vencedores encapsula o estilo Kendrick: simples, sincero e saturado de Escritura. Com uma trama que usa o cross-country para ilustrar vitórias eternas, ele emociona seu público fiel, mas luta contra clichês em um mundo cético. Alex Kendrick dirige com paixão, e Shari Rigby eleva o ensemble.

Em 2025, com streaming facilitando acessos, o filme permanece uma ferramenta de ministério mais que uma obra-prima cinematográfica. Vale para corações abertos à mensagem; para mentes críticas, é um exercício de paciência. No fim, como o filme ensina: a verdadeira vitória está além da tela.

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Magui Schneider
Magui Schneider

Como Editora-Chefe do Séries Por Elas, Magdalena (Magui) é responsável pela curadoria e tom editorial do portal. Magui traz um diferencial único: sua formação como Psicóloga (CRP-RS 07/27539). Ela utiliza sua expertise no comportamento humano para enriquecer as críticas de cinema e TV, oferecendo uma visão analítica e humana sobre o desenvolvimento de personagens e tramas.

Especialista em narrativas de drama, romance e comédia, a ‘Little Monster’ fã declarada da Lady Gaga, traduz sua visão profissional em análises que conectam o público às emoções das telas. É ela quem garante que, aqui, a paixão de fã e a análise séria andem de mãos dadas.

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