Crítica de Garotas em Fuga: Vale A Pena Assistir o Filme?

Garotas em Fuga, lançado em 16 de setembro de 2024 na Amazon Prime Video, marca o retorno de Ethan Coen ao cinema leve após anos de pausas nos Irmãos Coen. Dirigido e roteirizado por ele ao lado de Tricia Cooke, o filme de 1h24min mistura ação, comédia e suspense em uma road trip lésbica cheia de absurdos. Com Geraldine Viswanathan e Margaret Qualley como protagonistas, a produção promete caos divertido, mas divide opiniões. Disponível na Netflix ou para aluguel na Amazon Prime Video, Apple TV, Google Play Filmes e TV e YouTube, ele questiona: uma comédia safada pode reviver o espírito coeniano? Nesta análise, destrinchamos os acertos e falhas para guiar sua escolha.

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Premissa caótica com toques de absurdidade

Duas amigas partem em uma viagem impulsiva de Washington para Tallahassee. Jamie (Geraldine Viswanathan), extrovertida e recém-solteira, arrasta a tímida Marian (Margaret Qualley) em busca de aventura. Elas pegam um carro drive-away, mas descobrem uma maleta misteriosa no porta-malas, atraindo capangas ineptos interpretados por Matt Damon, Pedro Pascal e Colman Domingo. O que se segue é uma perseguição repleta de dildos roubados, cenas explícitas e reviravoltas bobas.

A trama homenageia filmes B dos anos 70, com humor escatológico e crítica leve ao machismo. Ethan Coen injeta seu DNA em diálogos afiados e situações surreais, como um encontro com um crocodilo ou uma cena de sexo com brinquedos. No entanto, o roteiro, escrito há 20 anos, envelheceu mal. Reviravoltas previsíveis e um final apressado diluem o ritmo, como notado por críticos no Rotten Tomatoes. O filme brilha nos momentos de loucura, mas tropeça na coesão, virando uma comédia que ri de si mesma sem sempre acertar o alvo.

Elenco carismático eleva o material fraco

Geraldine Viswanathan rouba a cena como Jamie, com uma energia caótica que lembra o Lebowski dos anos 90. Sua química com Qualley, que traz vulnerabilidade charmosa a Marian, sustenta o coração da história. Beanie Feldstein surge em um papel coadjuvante hilário como uma ex-namorada vingativa, adicionando camadas de comédia física. Cameos de astros como Damon (como um senador texano) e Pascal (um capanga desastrado) injetam diversão, mas servem mais como piadas rápidas do que contribuições profundas.

O elenco lésbico central é refrescante, evitando estereótipos ao celebrar a amizade feminina e a sexualidade livre. Qualley, em particular, evolui de introvertida para empoderada, ecoando arcos coenianos clássicos. Ainda assim, personagens secundários, como os vilões, são caricatos demais, limitando o impacto emocional. A ausência de profundidade reflete o tom B-movie, priorizando gargalhadas sobre empatia.

Direção estilosa, mas editing irregular

Ethan Coen dirige com maestria visual, usando cores vibrantes e uma trilha sonora rock dos anos 90 para evocar road movies clássicos. A fotografia de Bruno Delbonnel capta a liberdade da estrada americana, com takes dinâmicos em motéis e highways que pulsam energia. Cooke, como co-roteirista, adiciona um toque queer autêntico, tornando o filme um hino à diversidade lésbica.

Porém, o editing é o calcanhar de Aquiles. Transições abruptas e cortes juvenis, como repetições cômicas excessivas, quebram o fluxo, conforme análise do Roger Ebert. O runtime curto beneficia a brevidade, mas sacrifica desenvolvimento, deixando o suspense superficial. Coen acerta no tom safado – cenas explícitas são ousadas, não gratuitas –, mas falha em equilibrar comédia e ação, resultando em um filme que parece um rascunho divertido, não polido.

Pontos fortes e limitações evidentes

Os acertos estão na química do elenco e no visual estilizado, que transformam uma premissa simples em algo memorável. As cenas de perseguição, com vilões atrapalhados, geram risadas genuínas, e o comentário sutil sobre empoderamento queer ressoa. O humor explícito, incluindo o infame “briefcase de dildos”, é corajoso, celebrando a sexualidade sem pudor.

Limitações surgem no roteiro datado e no pacing irregular, que tornam o filme meandrante apesar da duração curta. Personagens rasos e twists previsíveis frustram, como destacado no Offscreen Central. É divisivo: hilário para uns, cringe para outros, especialmente pela natureza sexual explícita.

Vale a pena assistir Garotas em Fuga?

Sim, se você curte comédias B safadas e road trips absurdos. Com 66% no Rotten Tomatoes, ele entretém em 84 minutos, ideal para uma sessão leve. A química de Viswanathan e Qualley e os cameos elevam o material, tornando-o uma distração divertida na Netflix ou aluguel rápido.

Não, se espera profundidade coeniana ou suspense tenso. O editing sloppy e o tom inconsistente podem irritar fãs exigentes. Para quem busca empoderamento queer com risos, é uma vitória; para puristas, uma decepção leve. Assista se quiser um B-movie queer que não se leva a sério.

Garotas em Fuga é um Ethan Coen descompromissado, cheio de caos lésbico e humor escatológico que homenageia seus clássicos com um twist moderno. Com elenco carismático e visual vibrante, ele diverte superficialmente, mas peca em coesão e originalidade. Em 2024, destaca-se como uma comédia queer ousada, perfeita para quem ignora falhas em prol de gargalhadas. Vale o play na Netflix para uma viagem rápida e safada – mas não espere um novo Fargo. É leve, louco e, no fim, inesquecível pelo motivo certo: sua bobagem charmosa.

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Magdalena Schneider
Magdalena Schneider
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