Crítica de Desejo de Matar: Vale A Pena Assistir o Filme?

Desejo de Matar (2018), dirigido por Eli Roth, é um remake do clássico de 1974 com Charles Bronson. Bruce Willis assume o papel de Paul Kersey, um cirurgião que vira vigilante após a morte de sua família. Com 1h49min de ação intensa, o filme chega à Amazon Prime Video e Netflix, além de opções de aluguel na Apple TV, Google Play e YouTube. Eli Roth, conhecido por horrores sangrentos como Hostel, tenta atualizar a fábula de vingança para os tempos atuais. Mas o resultado é um thriller violento que entretém sem surpreender. Nesta crítica, avalio se o longa justifica o hype em 2025.
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Premissa violenta, mas sem inovação
Paul Kersey vive uma rotina pacata em Chicago como cirurgião. Sua esposa (Elisabeth Shue) é assassinada durante um assalto, e a filha fica em coma. Desiludido com a polícia, Paul adquire uma arma ilegal e inicia uma caçada aos criminosos. O roteiro de Joe Carnahan, inspirado no livro de Brian Garfield, foca na transformação de vítima em justiceiro solitário.
A estrutura é direta: flashbacks intercalam a vingança com a investigação policial liderada pelo irmão de Paul, Frank (Vincent D’Onofrio). Roth adiciona toques de gore, como explosões de crânios e membros retorcidos, ecoando seu estilo em A Morte do Demônio. No entanto, a narrativa segue fórmulas previsíveis. Os vilões são caricaturas genéricas, e o debate sobre autodefesa vira pregação superficial. Críticos como os do Plano Crítico notam o apelo metafórico forçado, onde o cirurgião “opera” a sociedade doente. Em 2025, com debates acalorados sobre armas, o filme parece datado e enviesado.
Elenco sólido em papéis limitados
Bruce Willis interpreta Paul com comedimento, longe do canastrão de Duro de Matar. Sua performance é contida, transmitindo dor e determinação sem exageros. É um dos melhores trabalhos dele pós-Looper, segundo resenhas no IMDb, onde usuários elogiam a sutileza emocional. Vincent D’Onofrio brilha como Frank, o detetive cético que caça o “Vigiliante de Chicago”. Sua química com Willis eleva as cenas familiares, adicionando tensão moral.
Elisabeth Shue, como a esposa Lucy, tem cenas breves mas impactantes, destacando a perda que impulsiona a trama. O elenco de apoio, incluindo Dean Norris como o chefe de polícia, cumpre o papel sem brilhar. Dean, de Breaking Bad, injeta autoridade, mas os antagonistas – bandidos estereotipados – carecem de carisma. Como aponta o Cinepop, Willis evita o automático, mas o roteiro não explora o arco psicológico o suficiente para cativar.
Direção gore com ironia forçada
Eli Roth dirige com energia visceral, transformando Chicago em um playground sangrento. A fotografia de James Liston capta a dualidade da cidade: arranha-céus reluzentes contrastam com becos sombrios. Sequências de ação são brutais, com tiroteios realistas e mutilações gráficas que remetem a Se7en. Roth usa ironia para criticar a cultura de armas nos EUA, mostrando a facilidade de compra ilegal e o fascínio midiático pelo vigilante.
Ainda assim, a direção peca pela superficialidade. O tom oscila entre thriller sério e exploitation, sem compromisso. O O Globo elogia a ilustração irônica da acessibilidade armada, mas critica a falta de nuance. Em cenas como o confronto final, Roth prioriza o espetáculo sobre a consequência emocional, resultando em catarse vazia. A edição rápida mantém o ritmo, mas falha em construir suspense autêntico.
Pontos fortes e limitações evidentes
Os acertos incluem a performance de Willis, que humaniza Paul, e as cenas de ação dinâmicas. O comentário sutil sobre polarização social – mídia idolatrando o vigilante enquanto ignora vítimas – adiciona relevância. Usuários no AdoroCinema elogiam o suspense surpreendente e a violência descompromissada, ideal para fãs de ação direta.
Limitações dominam: roteiro raso ignora dilemas éticos, vilões unidimensionais e um final previsível. O The Guardian chama de “banal misfire”, indo longe demais cedo e perdendo impacto. Com duração de 109 minutos, o filme arrasta no meio, repetindo motivações sem evolução. Em streaming, compete com opções mais afiadas, como Nobody (2021).
Vale a pena assistir Desejo de Matar?
Desejo de Matar diverte quem busca ação crua e Bruce Willis em modo sério. Disponível na Prime Video e Netflix, é uma sessão rápida para noites de adrenalina. No entanto, fãs de thrillers profundos acharão superficial. Com nota 5.7 no IMDb e 17% no Rotten Tomatoes, divide opiniões: uns veem clássico moderno, outros exploitation vazio.
Se curte gore responsável e debates sobre justiça, assista. Para narrativas complexas, pule. Em 2025, serve como curiosidade nostálgica, mas não redefine o vigilantismo no cinema.
Desejo de Matar é um remake ambicioso que acerta na visceralidade, mas erra na substância. Eli Roth entrega violência estilizada e Willis convence como vingador atormentado, mas o roteiro fraco e clichês enfraquecem o todo. Num catálogo lotado de ação, ele entreteve em 2018 e ainda provoca reflexões sobre armas e moral. Vale para maratonas casuais, mas não para quem busca inovação. Uma oportunidade perdida de elevar o legado de Bronson.
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