Crítica de O Ritmo da Vingança: Vale a pena assistir o filme?

O Ritmo da Vingança (2020), dirigido por Reed Morano, é um thriller de ação que tenta trazer frescor ao gênero de espionagem com uma protagonista feminina movida por vingança. Estrelado por Blake Lively, Jude Law e Sterling K. Brown, o filme adapta o romance homônimo de Mark Burnell, prometendo uma jornada intensa de autodescoberta e violência. Apesar de momentos promissores, a produção enfrenta dificuldades para se destacar em um gênero dominado por gigantes como Bourne e 007. Vale a pena assistir? Nesta crítica, analisamos a trama, o elenco, a direção e os pontos fortes e fracos para ajudar você a decidir.

Uma premissa intensa, mas previsível

O Ritmo da Vingança segue Stephanie Patrick (Blake Lively), uma jovem devastada após perder a família em um atentado aéreo. Afundada em vício e autopiedade, ela descobre que o ataque não foi acidental, mas um ato terrorista. Determinada a buscar vingança, Stephanie é recrutada por Iain Boyd (Jude Law), um ex-agente do MI6, que a treina para se tornar uma assassina. Sua jornada a leva por cidades como Londres, Tânger e Nova York, enfrentando perigos e segredos.

A premissa é intrigante, com uma protagonista quebrada tentando reconstruir sua vida através da violência. No entanto, a narrativa segue um caminho previsível, ecoando filmes como Colombiana e Anna. Reviravoltas, como a identidade do mandante do atentado, carecem de impacto, e o ritmo oscila entre momentos frenéticos e pausas prolongadas, conforme apontado por críticas no Rotten Tomatoes. A tentativa de equilibrar drama psicológico com ação resulta em uma história que não aprofunda nenhum dos dois.

Elenco talentoso, mas subutilizado

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Imagem: Netflix

Blake Lively entrega uma atuação comprometida como Stephanie. Sua transformação física, de uma mulher desleixada a uma agente letal, é convincente, e ela carrega as cenas emocionais com intensidade. No entanto, o roteiro não dá espaço para explorar a complexidade de sua personagem, deixando-a unidimensional, como notado pelo The Guardian. Jude Law, como o mentor durão Boyd, oferece uma presença magnética, mas seu tempo de tela é limitado, reduzindo-o a um arquétipo de treinador.

Sterling K. Brown, interpretando o misterioso Marc Serra, traz carisma, mas seu papel é subdesenvolvido, com motivações pouco claras. O elenco secundário, incluindo Raza Jaffrey como um jornalista, é funcional, mas não memorável. A falta de química entre os personagens, especialmente entre Stephanie e Boyd, enfraquece a narrativa, conforme destacado pelo Variety. Apesar do esforço de Lively, o filme não aproveita totalmente seu elenco.

Direção estilosa, mas inconsistente

Reed Morano, conhecida por The Handmaid’s Tale, traz uma abordagem visual distinta a O Ritmo da Vingança. Sua direção utiliza câmeras de mão e ângulos próximos, criando uma sensação de imersão nas cenas de ação. A sequência de perseguição de carro em Tânger, filmada em plano único, é um destaque, elogiado pelo Empire por sua energia crua. A trilha sonora de Steve Mazzaro complementa a tensão, com batidas pulsantes que refletem o título do filme.

No entanto, a direção não sustenta o ritmo. Cenas de treinamento e diálogos expositivos interrompem a fluidez, e a montagem, especialmente no segundo ato, parece desleixada, como criticado pelo Roger Ebert. A estética sombria, embora intencional, às vezes torna o filme visualmente monótono, contrastando com a promessa de um thriller global vibrante. Morano mostra potencial, mas a execução não alcança a sofisticação de diretores como Paul Greengrass.

Comparação com outros thrillers de ação

O Ritmo da Vingança tenta se posicionar entre thrillers de vingança como Peppermint e franquias de espionagem como Jason Bourne. No entanto, falta a ele a tensão implacável de Bourne ou a profundidade emocional de Atomic Blonde. A protagonista feminina é um diferencial, mas Stephanie não tem o carisma de Charlize Theron ou a vulnerabilidade complexa de Jodie Foster em O Silêncio dos Inocentes, conforme apontado pelo IndieWire.

Comparado a outros filmes de 2020, como Tenet, O Ritmo da Vingança parece menos ambicioso. Sua tentativa de abordar temas como trauma e redenção é ofuscada por clichês do gênero, como o “treinamento relâmpago” e o vilão genérico. Ainda assim, fãs de ação menos exigentes podem apreciar as sequências bem coreografadas, como notado em fóruns do Reddit.

Pontos fortes e limitações

Os pontos fortes de O Ritmo da Vingança incluem a atuação dedicada de Blake Lively e as sequências de ação bem dirigidas, como a perseguição em Tânger. A premissa de uma protagonista improvável em busca de redenção é promissora, e a abordagem visual de Morano adiciona frescor. No entanto, o filme é prejudicado por um roteiro previsível, ritmo irregular e personagens subdesenvolvidos. O final, com uma resolução apressada, deixa pontas soltas, como criticado pelo Screen Daily. A falta de originalidade e a incapacidade de equilibrar drama e ação limitam seu impacto.

Vale a pena assistir a O Ritmo da Vingança?

O Ritmo da Vingança é um thriller de ação com momentos de brilho, mas não se destaca em um gênero competitivo. Blake Lively e as sequências de ação são pontos altos, mas o roteiro fraco e o ritmo inconsistente decepcionam. Para fãs de thrillers como Salt ou Anna, o filme pode oferecer entretenimento leve, especialmente em streaming. Contudo, se você busca uma narrativa profunda ou ação inovadora, outras opções, como John Wick ou The Old Guard, são mais recompensadoras.

O Ritmo da Vingança tenta renovar o gênero de espionagem com uma protagonista feminina e uma direção estilosa, mas cai na armadilha de clichês e execução irregular. Blake Lively entrega uma performance sólida, e Reed Morano mostra talento em cenas de ação, mas o roteiro previsível e a falta de profundidade emocional limitam o filme. Ideal para uma sessão descompromissada, O Ritmo da Vingança não é memorável, mas pode agradar fãs de thrillers leves. Para algo mais impactante, o catálogo da Netflix tem escolhas melhores.

Magui Schneider
Magui Schneider

Como Editora-Chefe do Séries Por Elas, Magdalena (Magui) é responsável pela curadoria e tom editorial do portal. Magui traz um diferencial único: sua formação como Psicóloga (CRP-RS 07/27539). Ela utiliza sua expertise no comportamento humano para enriquecer as críticas de cinema e TV, oferecendo uma visão analítica e humana sobre o desenvolvimento de personagens e tramas.

Especialista em narrativas de drama, romance e comédia, a ‘Little Monster’ fã declarada da Lady Gaga, traduz sua visão profissional em análises que conectam o público às emoções das telas. É ela quem garante que, aqui, a paixão de fã e a análise séria andem de mãos dadas.

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