Crítica de A Múmia: O Colapso de um Império e a Objetificação do Mal

A Múmia (2017), dirigido por Alex Kurtzman, é uma superprodução que tenta fundir aventura, terror e fantasia. Disponível na Amazon Prime Video e HBO Max, o filme entrega ação ininterrupta, mas falha ao tentar sustentar um universo compartilhado prematuro. Vale o play apenas por curiosidade técnica. Abaixo, entenda o porquê.

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A Lente “Séries Por Elas”: Agência Feminina e o Arquétipo da Vilã Traída

Sob a ótica da análise comportamental e de gênero, a produção apresenta um dilema fascinante, porém mal executado. A personagem de Sofia Boutella, a princesa Ahmanet, é introduzida através do arquétipo da mulher ambiciosa que, ao ser preterida por um herdeiro masculino, busca o poder através de forças obscuras. Do ponto de vista psicológico, o filme trata a sede de poder feminina como uma patologia demoníaca, enquanto a imprudência do protagonista masculino, Nick Morton (Tom Cruise), é lida como um charme heróico.

No portal Séries Por Elas, observamos que a agência feminina aqui é uma faca de dois gumes. Ahmanet é poderosa, fisicamente imponente e visualmente hipnótica, mas sua motivação é inteiramente centrada em um homem (seja o deus Set ou o próprio Nick). Ela deixa de ser uma figura histórica para se tornar um acessório de roteiro que serve para impulsionar a jornada de “escolhido” de Tom Cruise.

Já a personagem Jenny Halsey (Annabelle Wallis), embora apresentada como uma arqueóloga brilhante, acaba caindo no clichê da “donzela em perigo” em diversos momentos. O impacto social da obra é nulo no que diz respeito à quebra de estereótipos, reforçando a ideia de que mulheres poderosas são perigosas e precisam ser contidas por uma autoridade masculina.

Desenvolvimento Técnico: Estética, Roteiro e o “Dark Universe”

O roteiro, assinado por nomes de peso como David Koepp e Christopher McQuarrie, sofre com a crise de identidade. O longa tenta ser um filme de terror da Hammer, uma aventura à la Indiana Jones e um prelúdio de franquia ao estilo Marvel, tudo ao mesmo tempo. O resultado é um ritmo irregular, onde a exposição didática sobre o “Prodigium” (a organização liderada pelo Dr. Henry Jekyll de Russell Crowe) interrompe a urgência da perseguição.

Prova de Consumo: Detalhes Sensoriais

Ao assistir à obra em 4K HDR, é impossível não notar o esmero técnico na fotografia. A cena da queda do avião, filmada em gravidade zero real, oferece uma imersão sensorial absoluta; o som do metal se retorcendo e a ausência de trilha sonora no ápice da queda são os pontos altos da produção. Contudo, o uso excessivo de CGI nas tempestades de areia em Londres retira a crueza que um filme de terror exige.

Atuações e Personagens

  • Tom Cruise: Entrega o que se espera de uma estrela de ação, com dublês impressionantes e carisma, mas seu personagem carece de camadas. É o clássico herói egoísta que se redime, um arco já saturado.
  • Sofia Boutella: É o coração visual do filme. Suas íris duplas e as tatuagens rúnicas que cobrem seu corpo são detalhes de maquiagem e caracterização que demonstram uma dedicação imensa à construção da entidade.
  • Annabelle Wallis: Faz o que pode com um texto que a limita a explicar a mitologia para o público.

Veredito e Nota

NOTA: 2/5

O filme é um exemplo de como a ambição corporativa de criar um universo cinematográfico (o finado Dark Universe) pode sufocar a essência de uma história clássica. Embora tecnicamente competente em suas sequências de ação, falta-lhe a alma do horror e o respeito à agência de suas personagens femininas.

Onde Assistir: Amazon Prime Video, HBO Max (Streaming) ou Apple TV/Google Play (Aluguel).

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Conclusão

A Múmia (2017) falha ao priorizar a construção de um universo compartilhado em detrimento do desenvolvimento coerente de seus personagens. A performance de Sofia Boutella como Ahmanet é o elemento estético mais forte, utilizando o arquétipo da vilã traída.

Por fim, o filme é um marco técnico pela cena de queda de avião filmada em gravidade zero, apesar das fragilidades do roteiro.

FAQ Estruturado

A Múmia de 2017 terá continuação?

Não. O filme foi planejado para iniciar o Dark Universe, mas devido à recepção crítica e comercial, a Universal Pictures cancelou os planos para sequências diretas desse universo.

Onde assistir A Múmia de Tom Cruise online de forma legal?

O longa está disponível nas plataformas de streaming Amazon Prime Video e HBO Max, além de locação digital no YouTube e Apple TV.

A Múmia (2017) é baseado em fatos reais?

Não. Embora utilize figuras da mitologia egípcia, como a princesa Ahmanet, a trama é uma obra de ficção e fantasia inspirada nos filmes clássicos de monstros da Universal.

Qual a conexão entre A Múmia e o Dr. Jekyll e Mr. Hyde?

O filme apresenta o Dr. Jekyll (Russell Crowe) como o líder da Prodigium, uma organização secreta que caça monstros, servindo como o “Nick Fury” do universo de monstros.

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Magui Schneider
Magui Schneider

Como Editora-Chefe do Séries Por Elas, Magdalena (Magui) é responsável pela curadoria e tom editorial do portal. Magui traz um diferencial único: sua formação como Psicóloga (CRP-RS 07/27539). Ela utiliza sua expertise no comportamento humano para enriquecer as críticas de cinema e TV, oferecendo uma visão analítica e humana sobre o desenvolvimento de personagens e tramas.

Especialista em narrativas de drama, romance e comédia, a ‘Little Monster’ fã declarada da Lady Gaga, traduz sua visão profissional em análises que conectam o público às emoções das telas. É ela quem garante que, aqui, a paixão de fã e a análise séria andem de mãos dadas.

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