Crítica de Cinderela (2021): Vale A Pena Assistir o Filme?

Lançado em 3 de setembro de 2021, Cinderela chegou ao Amazon Prime Video com a promessa de atualizar um dos contos de fadas mais conhecidos da cultura pop. Dirigido e roteirizado por Kay Cannon, o longa aposta em uma releitura moderna, musical e declaradamente feminista da história imortalizada pela Disney. Estrelado por Camila Cabello, ao lado de Nicholas Galitzine e Idina Menzel, o filme tenta equilibrar romance, empoderamento feminino e números musicais pop. O resultado, no entanto, é irregular e levanta debates importantes sobre até onde vai a atualização de um clássico.
Disponível no Amazon Prime Video, o filme também pode ser alugado na Apple TV, Google Play Filmes e TV e YouTube. Com 1h53min de duração, a produção se posiciona como uma comédia musical voltada a um público jovem, mas não deixa de dialogar com adultos familiarizados com a história original.
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Uma Cinderela que sonha além do príncipe
Desde os primeiros minutos, fica claro que esta Cinderela não quer apenas um final feliz ao lado de um príncipe. A protagonista, interpretada por Camila Cabello, sonha em se tornar uma estilista reconhecida e conquistar independência financeira. O romance existe, mas não é o centro absoluto da narrativa, o que representa uma mudança significativa em relação às versões clássicas.
A proposta é alinhada com discursos contemporâneos sobre autonomia feminina. Cinderela quer escolher seu destino, não apenas ser escolhida. Essa ideia, embora relevante, é apresentada de forma didática demais em alguns momentos, com diálogos que soam mais como slogans do que como desenvolvimento orgânico de personagem.
Ainda assim, o esforço de reposicionar a protagonista merece destaque. Para um site como o Séries Por Elas, que observa narrativas sob uma lente feminina, o filme acerta ao colocar os sonhos profissionais de uma jovem mulher no centro da história, mesmo que falhe na sutileza.
Camila Cabello: carisma não é o bastante
Camila Cabello entrega uma atuação carismática e funcional, mas limitada. Sua Cinderela é simpática, determinada e doce, porém carece de camadas emocionais mais profundas. Em cenas que exigem maior intensidade dramática, a performance se mantém segura demais, sem grandes riscos.
Nos números musicais, Cabello se sai melhor. Sua experiência como cantora é evidente, e sua presença em cena funciona especialmente quando o filme assume o tom de espetáculo pop. O problema surge quando a personagem precisa sustentar conflitos internos mais complexos, algo que o roteiro também não ajuda a explorar.
O príncipe e os coadjuvantes: quem realmente brilha
Nicholas Galitzine, como o príncipe Robert, oferece um contraponto interessante à protagonista. Seu personagem também questiona o papel que lhe foi imposto pela monarquia, criando um paralelo com a jornada de Cinderela. Ainda assim, o arco dele é previsível e pouco aprofundado.
Quem realmente se destaca é Idina Menzel, no papel da madrasta Vivian. Diferente das versões caricatas tradicionais, Vivian é uma mulher frustrada por ter abandonado seus próprios sonhos em prol de um casamento arranjado. Essa abordagem humaniza a vilã e cria uma das reflexões mais interessantes do filme: o impacto geracional das escolhas impostas às mulheres.
Billy Porter, como a fada madrinha Fab G, também merece menção. Sua presença adiciona energia, diversidade e um discurso de inclusão que conversa bem com o público atual, embora o personagem seja mais simbólico do que narrativamente essencial.
Um musical pop que divide opiniões
A trilha sonora é um dos elementos mais controversos de Cinderela. O filme mistura canções originais com sucessos pop de artistas como Madonna e Janet Jackson. A intenção é clara: aproximar o clássico de uma linguagem jovem e contemporânea.
Em alguns momentos, a escolha funciona e cria cenas divertidas e visualmente interessantes. Em outros, as músicas parecem deslocadas, interrompendo o ritmo da narrativa. A sensação é de que o filme quer ser um musical moderno, mas não se compromete totalmente com a construção musical como elemento narrativo.
Visualmente, a produção é colorida e estilizada, com figurinos que misturam referências históricas e contemporâneas. O destaque vai para os vestidos criados por Cinderela, que reforçam sua identidade criativa e seu desejo de autonomia.
Feminismo em pauta, mas sem profundidade
A maior ambição de Cinderela (2021) é se afirmar como uma versão feminista do conto. O filme questiona casamentos arranjados, padrões de gênero e expectativas sociais impostas às mulheres. No entanto, essas discussões são tratadas de forma superficial.
O roteiro prefere explicar suas mensagens em diálogos expositivos, em vez de deixá-las emergir das ações e conflitos. Isso reduz o impacto emocional e faz com que algumas cenas pareçam artificiais. Ainda assim, para um público jovem ou para quem busca uma introdução leve a esses temas, o filme cumpre seu papel.
Sob a perspectiva do Séries Por Elas, a obra é relevante por tentar revisitar um conto tradicional sob um olhar feminino contemporâneo. Falta profundidade, mas há intenção, e isso não pode ser ignorado.
Vale a pena assistir Cinderela?
- ⭐️⭐️⭐️☆☆ (3/5) – Um filme bem-intencionado, visualmente atraente e relevante em discurso, mas limitado em emoção e profundidade. Uma Cinderela que tenta correr além do sapatinho de cristal, mas ainda tropeça no caminho.
Cinderela não é um desastre, mas também está longe de ser memorável. É um filme que acerta na proposta e tropeça na execução. A atualização do conto é bem-vinda, os debates são necessários, mas o excesso de didatismo e a irregularidade narrativa comprometem o resultado final.
Para quem gosta de musicais leves, releituras modernas e histórias com foco em empoderamento feminino, o filme pode ser uma escolha agradável para uma sessão despretensiosa. Já quem espera uma reinvenção profunda ou uma experiência musical marcante pode sair frustrado.
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