Crítica de Besouro Azul: Vale a Pena Assistir o Filme?

Lançado nos cinemas em 17 de agosto de 2023, com 2h08min de duração, Besouro Azul chegou carregando uma missão ingrata: apresentar um novo herói em um universo DC desgastado, em meio a transições criativas, promessas de reboot e uma clara fadiga do público com histórias de super-heróis. Dirigido por Angel Manuel Soto e roteirizado por Gareth Dunnet-Alcocer, o longa estrelado por Xolo Maridueña, Bruna Marquezine e Susan Sarandon aposta em um diferencial claro: identidade latina, foco familiar e um protagonista que não nasce pronto.

Disponível atualmente na Amazon Prime Video, HBO Max, além das opções de aluguel na Apple TV e Google Play Filmes e TV, o filme ainda desperta curiosidade. Mas a pergunta permanece: vale a pena assistir a Besouro Azul hoje?

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Uma origem clássica com tempero latino

Besouro Azul segue a cartilha tradicional das histórias de origem, mas tenta se destacar ao inserir o herói em um contexto cultural pouco explorado pelo gênero. Jaime Reyes, jovem recém-formado que retorna para casa sem perspectivas profissionais, encontra o escaravelho alienígena que muda completamente sua vida. O artefato se funde ao seu corpo e cria uma armadura de tecnologia avançada, dotada de inteligência própria.

A narrativa não esconde suas referências. Há ecos evidentes de Homem-Aranha, Homem de Ferro e até Shazam!. A diferença está no olhar. A família de Jaime não é pano de fundo, mas parte essencial da trama. O roteiro entende que o conflito do herói não se resume ao vilão, mas à responsabilidade, ao pertencimento e à herança cultural.

Esse aspecto é um dos pontos mais consistentes do filme. Em vez de transformar a latinidade em caricatura, Besouro Azul a incorpora com naturalidade, seja nos diálogos, na dinâmica familiar ou nas decisões do protagonista.

Xolo Maridueña sustenta o filme com carisma

Xolo Maridueña entrega um Jaime Reyes crível, vulnerável e carismático. Seu desempenho funciona justamente por não tentar forçar grandiosidade. Ele é um herói em construção, inseguro, muitas vezes assustado com o que se tornou. Essa humanidade aproxima o público e cria empatia imediata.

O ator se beneficia de um texto que respeita suas limitações e potencialidades. Jaime não é um gênio, não é um estrategista brilhante. Ele aprende errando. Em um gênero saturado de protagonistas infalíveis, essa escolha é acertada.

O escaravelho, por sua vez, funciona como um contraponto curioso. A inteligência artificial da armadura adiciona humor e ritmo às cenas de ação, ainda que em alguns momentos o excesso de falas torne certas sequências cansativas.

Bruna Marquezine e o papel feminino subaproveitado

Bruna Marquezine, em sua estreia em Hollywood, interpreta Jenny Kord, personagem que poderia representar uma ruptura interessante dentro da narrativa tradicional do gênero. Inteligente, determinada e emocionalmente envolvida com o conflito central, Jenny tem potencial, mas esbarra em um problema recorrente dos filmes de super-herói: a subutilização das personagens femininas.

Embora não seja uma figura passiva, Jenny acaba limitada pela estrutura do roteiro. Sua função dramática muitas vezes se resume a motivar o protagonista ou servir como elo com o passado da empresa Kord. Marquezine entrega presença e segurança, mas o texto não permite que sua personagem vá além.

Ainda assim, sua atuação se destaca pela sobriedade e pela tentativa clara de evitar estereótipos. Dentro do que lhe é oferecido, ela cumpre bem o papel.

Susan Sarandon e uma vilã sem profundidade

Susan Sarandon interpreta Victoria Kord, a antagonista do filme. A escolha de uma atriz do calibre de Sarandon chama atenção, mas o resultado decepciona. A vilã é construída de forma superficial, com motivações pouco desenvolvidas e uma presença que nunca atinge real ameaça.

O problema não está na atuação, mas no roteiro. Victoria representa o arquétipo do poder corporativo inescrupuloso, mas sem nuances. Em um filme que tenta dialogar com temas como desigualdade e exploração, a vilã poderia ser mais complexa. Em vez disso, ela se torna previsível e facilmente descartável.

Ação eficiente, mas visualmente irregular

As cenas de ação de Besouro Azul cumprem sua função. Há boas ideias no uso da armadura, especialmente na forma como ela se adapta às situações de combate. O design do traje é fiel aos quadrinhos e agrada visualmente.

No entanto, os efeitos visuais oscilam. Algumas sequências impressionam, enquanto outras revelam limitações técnicas claras. Isso não chega a comprometer o filme, mas reforça a sensação de um projeto que poderia ter sido mais ambicioso.

A trilha sonora e a direção de arte ajudam a criar identidade, especialmente nos momentos que exploram a cultura latina. Esses detalhes enriquecem o universo do filme e o diferenciam dentro do catálogo da DC.

Uma leitura possível pelo olhar de Séries Por Elas

Considerando que o site se chama Séries Por Elas, é impossível ignorar a forma como Besouro Azul trabalha suas personagens femininas. O filme dá passos tímidos, mas ainda insuficientes. Jenny Kord tem agência, mas pouco espaço. A família de Jaime, especialmente sua irmã e sua avó, oferece momentos interessantes, ainda que muitas vezes sejam usadas como alívio cômico.

Há mérito na tentativa de retratar mulheres fortes fora do estereótipo da “musa do herói”, mas falta aprofundamento. Besouro Azul aponta caminhos, mas não os percorre completamente.

Vale a pena assistir?

  • Nota: 3,5 de 5 ⭐⭐⭐⭐☆ – Besouro Azul é um passo correto em uma estrada ainda incerta. Não é memorável, mas é digno. E, em tempos de excesso de fórmulas recicladas, isso já conta pontos.

Besouro Azul não revoluciona o gênero, nem pretende. Seu maior acerto está em assumir uma escala menor, focada em personagens e relações, em vez de apostar em grandes eventos cósmicos. É um filme honesto, que entende suas limitações e trabalha bem dentro delas.

Para quem busca uma experiência leve, com identidade cultural e um protagonista carismático, a resposta é sim. Para quem espera algo que redefina a DC nos cinemas, a frustração é provável.

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Magdalena Schneider
Magdalena Schneider
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