Crítica de Academia de Vilões: Vale a pena assistir o filme?

Lançado em 11 de setembro de 2025 na Netflix, Academia de Vilões é uma comédia dramática filipina que mistura fantasia, humor e crítica social. Dirigido e roteirizado por Chris Martinez, o filme traz Barbie Forteza, Eugene Domingo e Jameson Blake em papéis centrais. Com uma premissa inovadora sobre uma escola para vilões, a produção promete risadas e reflexões. Mas será que cumpre? Nesta crítica, analisamos a trama, o elenco, a direção e se o filme merece sua atenção.

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Uma premissa criativa com tom de novela

Academia de Vilões acompanha Gigi (Barbie Forteza), uma jovem funcionária de restaurante cuja vida desmorona. Desrespeitada no trabalho, na família e no amor, ela é resgatada por Maurícia (Eugene Domingo), que a leva a uma misteriosa instituição: a Kontrabida Academy. Transportada por uma televisão mágica, Gigi entra em um mundo onde aprende a ser “má, grandiosa e corajosa”. Seu objetivo? Tornar-se uma vilã memorável para vingar seus inimigos.

A trama utiliza o gênero isekai, comum em animes, onde o protagonista é levado a uma realidade alternativa. Aqui, o universo é inspirado nas novelas filipinas (teleseryes), com arquétipos exagerados e reviravoltas dramáticas. A ideia é refrescante, mas a execução oscila. O filme mistura comédia e fantasia de vingança, mas às vezes se perde em exageros. Ainda assim, a premissa mantém o espectador curioso sobre a jornada de Gigi.

Elenco carismático, com destaque para Eugene Domingo

Barbie Forteza entrega uma atuação sólida como Gigi, capturando a transformação de uma jovem derrotada em uma figura confiante. Sua vulnerabilidade inicial é convincente, mas o roteiro limita sua profundidade. Eugene Domingo, como Maurícia, rouba a cena com sua energia cômica e presença magnética. Sua interpretação da mentora excêntrica é o coração do filme, trazendo humor e emoção.

Jameson Blake, como um colega de Gigi, e outros coadjuvantes, como Michael De Mesa e Ysabel Ortega, cumprem seus papéis, mas não têm espaço para brilhar. A química entre Forteza e Domingo é o destaque, sustentando o filme mesmo quando a narrativa patina. A habilidade de Domingo em equilibrar comédia e gravidade faz dela o maior trunfo da produção.

Direção vibrante, mas com ritmo irregular

Chris Martinez, conhecido por comédias filipinas como Here Comes the Bride, traz um estilo visual colorido e dinâmico. A estética da Kontrabida Academy, com corredores vibrantes e figurinos exagerados, reflete o tom de novela. A fotografia captura a energia caótica da trama, especialmente nas cenas de treinamento de vilania, que misturam humor e absurdo. A trilha sonora, com toques pop, reforça o clima leve.

No entanto, o ritmo é um problema. O filme, com 1h47min, acelera demais em momentos cruciais, como a resolução do arco de vingança de Gigi, enquanto algumas cenas cômicas se arrastam. Martinez tenta equilibrar fantasia, comédia e crítica social, mas a narrativa nem sempre flui com naturalidade, deixando algumas ideias subdesenvolvidas.

Crítica social e o charme da novela filipina

Academia de Vilões vai além da comédia, abordando temas como empoderamento e desigualdade. Gigi, vítima de desrespeito sistêmico, encontra na vilania uma forma de recuperar sua agência. O filme critica sutilmente a sociedade filipina, onde o poder muitas vezes esmaga os vulneráveis. A ideia de “aprender a ser mau” é apresentada como uma metáfora para autoconfiança, um toque inteligente.

A inspiração nas teleseryes adiciona um charme cultural, com diálogos exagerados e reviravoltas dramáticas que agradam fãs do gênero. Comparado a outros filmes filipinos da Netflix, como Ratu Ratu Queens, Academia de Vilões é mais acessível, mas menos ousado que produções como Sinners (2025), que exploram o terror com profundidade. A crítica social, embora presente, perde força em meio ao tom cômico.

Pontos fortes e limitações

O filme brilha pela originalidade da premissa e pela atuação de Eugene Domingo, que eleva cada cena. A ambientação inspirada em novelas e o humor filipino são pontos altos, especialmente para quem aprecia o gênero. A mensagem de empoderamento, mesmo que simplificada, ressoa com o público.

Por outro lado, o roteiro de Martinez é inconsistente. As reviravoltas, como o desfecho do plano de vingança de Gigi, parecem apressadas, e alguns personagens secundários são esquecíveis, conforme o IMDb. A mistura de comédia e drama nem sempre funciona, com momentos de exagero que podem alienar quem busca uma narrativa mais coesa. O filme também poderia explorar mais o universo da Kontrabida Academy, que fica subutilizado.

Vale a pena assistir a Academia de Vilões?

Academia de Vilões é uma comédia divertida com toques de fantasia e crítica social, ideal para quem busca entretenimento leve. Eugene Domingo e Barbie Forteza entregam atuações cativantes, e a premissa criativa mantém o interesse. O filme apela a fãs de novelas filipinas e histórias de superação, mas não reinventa o gênero.

Se você gosta de filmes como Ratu Ratu Queens ou comédias com tom fantástico, Academia de Vilões é uma boa pedida para uma sessão descompromissada na Netflix. Contudo, quem procura profundidade ou um suspense mais elaborado pode se decepcionar. É uma experiência colorida e divertida, mas não memorável. Uma única visualização é suficiente para aproveitar o que o filme oferece.

Academia de Vilões é uma adição vibrante ao catálogo da Netflix, com uma premissa única e um elenco liderado pela carismática Eugene Domingo. A direção de Chris Martinez captura o espírito das novelas filipinas, mas o ritmo irregular e um roteiro inconsistente limitam seu impacto. Para quem busca humor, fantasia e um toque de empoderamento, o filme é uma escolha divertida. Se você espera uma narrativa mais profunda ou inovadora, outras opções podem ser mais satisfatórias. Academia de Vilões vale a pena para uma noite leve, mas não deixa uma marca duradoura.

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