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Crítica | A Vida é Agora é Bom? Vale a Pena Assistir?

No vasto catálogo de dramas românticos voltados para o público jovem, é comum encontrarmos produções que tentam equilibrar a intensidade das descobertas juvenis com uma estética publicitária. A Vida é Agora (Time Is Up), dirigido por Elisa Amoruso, tenta seguir essa fórmula ao colocar dois polos opostos em uma colisão sentimental. No entanto, aqui no Séries Por Elas, nossa missão é olhar além da superfície e questionar se a narrativa oferece a profundidade que as personagens femininas e o público atual merecem.

Disponível para aluguel em plataformas como Amazon Prime Video, Apple TV, Google Play e YouTube, o longa-metragem aposta alto no carisma de seus protagonistas, mas entrega um resultado que oscila perigosamente entre o drama contemplativo e o vazio narrativo.

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A Premissa: O Encontro de Dois Mundos

A história nos apresenta Vivien (Bella Thorne), uma estudante prodígio apaixonada por física quântica que vive uma vida pautada pelo rigor acadêmico e pelo planejamento do futuro. Em contrapartida, temos Roy (Benjamin Mascolo), um jovem de passado conturbado, introspectivo e que parece viver o agora sem grandes expectativas. Um acidente inesperado força esses dois universos a se cruzarem em Roma, alterando o curso de suas vidas e forçando Vivien a confrontar a ideia de que nem tudo na existência pode ser calculado por fórmulas matemáticas.

Veredito inicial? Embora possua uma estética atraente, o filme é, em grande parte, uma perda de tempo para quem busca uma narrativa robusta. Ele funciona como um “confort movie” visual, mas falha em deixar uma marca duradoura.

Desenvolvimento de Enredo e Ritmo

O roteiro, assinado pela própria Elisa Amoruso em parceria com Lorenzo Ura, sofre com um problema crônico de ritmo. A transição da vida regrada de Vivien para o caos emocional após o encontro com Roy é arrastada por sequências que priorizam a imagem sobre o conteúdo. A narrativa tenta construir uma tensão baseada no mistério do passado do protagonista masculino e na pressão familiar sobre a jovem, mas as soluções encontradas são previsíveis.

A história se desenrola de forma lenta, o que seria aceitável se houvesse um desenvolvimento psicológico profundo. Contudo, o que vemos são diálogos que tentam ser filosóficos — utilizando metáforas da física para explicar o amor — mas que soam artificiais. O espectador consegue antecipar cada passo da trama, e o suposto plot twist dramático carece de impacto emocional real, pois o público não é devidamente convidado a se importar com os dilemas internos daquelas figuras antes do clímax.

Atuações e Personagens: Química vs. Técnica

A performance de Bella Thorne é o ponto alto da produção. A atriz tenta conferir humanidade a uma personagem que, no papel, é o estereótipo da “garota nerd dedicada”. Ela consegue transmitir a vulnerabilidade de Vivien de forma competente. Já Benjamin Mascolo, em sua estreia como ator, entrega um Roy que, embora visualmente adequado ao papel de “bad boy misterioso”, carece de nuances dramáticas. Sua atuação é rígida, o que acaba prejudicando os momentos de maior carga emocional.

A química entre os protagonistas é real — o que não é surpresa, dado o relacionamento que os atores mantinham fora das telas na época —, e isso ajuda a sustentar o interesse do público em certas cenas românticas. No entanto, química não substitui texto. O elenco de apoio, incluindo Roberto Davide, tem pouco espaço para brilhar, servindo apenas como ferramentas para mover a trama central de um ponto a outro.

A Visão “Séries Por Elas”: Onde Está a Agência de Vivien?

Sob a ótica do portal Séries Por Elas, a análise de A Vida é Agora é decepcionante. Vivien começa como uma mulher inteligente, com metas claras e uma paixão intelectual vibrante. Contudo, conforme o filme avança, sua identidade parece se diluir na necessidade de um romance transformador.

É uma estrutura datada: a mulher “certinha” que precisa de um homem “quebrado” para aprender a realmente viver. Sentimos falta de uma Vivien que usasse sua inteligência não apenas para resolver equações, mas para tomar decisões que não orbitassem exclusivamente em torno de seu interesse amoroso. A representatividade feminina aqui é rasa; a protagonista é tratada quase como um laboratório de testes para a redenção masculina, perdendo sua própria agência no processo. O filme perde a oportunidade de discutir a pressão sobre jovens mulheres na ciência ou a busca por autonomia, preferindo o caminho fácil do romance idealizado.

Aspectos Técnicos: Direção e Arte

Se há um departamento onde o longa brilha, é nos aspectos técnicos. A direção de Elisa Amoruso é elegante. A fotografia aproveita as locações europeias para criar uma atmosfera de sonho, com cores quentes e uma iluminação que valoriza os rostos dos atores.

O figurino também comunica bem a personalidade oposta dos jovens, e a trilha sonora cumpre o papel de ditar o tom melancólico e romântico da obra. Entretanto, o brilho técnico acaba funcionando como uma maquiagem para um corpo narrativo frágil. É um filme bonito de se ver, mas vazio de sentir.

Veredito e Nota Final

NOTA: 2/5

  • Veredito: Um drama visualmente impecável, mas emocionalmente raso. Vale apenas se você for fã fervoroso do elenco principal ou estiver procurando algo leve para passar o tempo sem grandes reflexões.

A Vida é Agora tenta ser uma metáfora sobre o tempo e as escolhas, mas acaba sendo apenas mais um drama adolescente que não ousa sair do lugar comum. Apesar do esforço de Bella Thorne e da beleza das imagens, o filme é esquecível e falha em oferecer personagens femininas verdadeiramente inspiradoras ou complexas.

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