Monstro: A História de Ed Gein, terceira temporada da antologia Monster criada por Ryan Murphy e Ian Brennan, chega à Netflix em 3 de outubro de 2025. Com Charlie Hunnam no papel principal, a série mergulha na vida do serial killer Ed Gein, o “Açougueiro de Plainfield”, cujos crimes inspiraram clássicos como Psicose e O Massacre da Serra Elétrica. Dirigida por Max Winkler, a produção de oito episódios explora a mente de um homem comum transformado em monstro. Mas, em meio à violência gráfica e ao estilo Murphy, ela realmente humaniza o horror? Nesta crítica, avaliamos a trama, atuações e impacto para decidir se vale o play.
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Premissa perturbadora e estrutura inovadora
A série alterna entre os anos 1950, quando Gein (Hunnam) comete assassinatos e profanações de túmulos em Wisconsin rural, e os anos 1960, com Alfred Hitchcock (Tom Hollander), Robert Bloch e Anthony Perkins criando Psicose inspirados nos crimes. Essa dualidade promete uma reflexão sobre como a sociedade transforma tragédias em entretenimento. Gein, um fazendeiro recluso, é moldado pela mãe abusiva Augusta (Laurie Metcalf), que prega o ódio às mulheres e o fanatismo religioso.
A narrativa questiona se monstros nascem ou são feitos, ecoando as temporadas anteriores sobre Dahmer e os Menendez. No entanto, o foco em atrocidades nazistas como paralelo parece forçado, diluindo o impacto pessoal de Gein. O ritmo é ágil nos primeiros episódios, mas perde fôlego com subtramas de copycats como Ted Bundy, que soam gratuitas. É uma premissa ousada, mas o excesso de gore prioriza o choque sobre a profundidade.
Atuações que salvam o caos
Charlie Hunnam surpreende como Gein. Longe do machão de Sons of Anarchy, ele adota uma voz etérea e um físico frágil para retratar um homem infantilizado e atormentado. Sua performance é protetora do personagem, evitando o caricatural, como elogiado por Metcalf em entrevistas. Ele captura a vulnerabilidade de Gein, tornando-o humano sem desculpá-lo.
Laurie Metcalf rouba cenas como Augusta, uma mãe sádica e devota cuja influência é o cerne do horror. Sua intensidade evoca a loucura bíblica com maestria. Tom Hollander, sob próteses exageradas como Hitchcock, luta com o sotaque e o tom cômico, resultando em uma caricatura fraca. O elenco secundário, incluindo Emma D’Arcy como uma vítima, adiciona camadas, mas sofre com papéis rasos. As atuações elevam o material, compensando o roteiro irregular.
Direção e produção: Estilo Murphy em excesso
Max Winkler dirige com o brilho característico de Murphy: visuais nevados de Wisconsin contrastam com cenas sangrentas e campy. A fotografia captura o isolamento rural, e a trilha sonora amplifica a tensão psicológica. No entanto, o tom oscila de noir sombrio para camp exagerado, especialmente nas sequências de Hollywood, que beiram o ridículo.
A violência gráfica é o maior pecado. A série demora-se em mutilações e coleções de partes corporais com um prazer voyeurístico, como criticado pelo Guardian. Isso pandeja aos instintos basais sem oferecer redenção ou crítica. O orçamento alto garante produção polida, mas o estilo Murphy – gloss e excessivo – transforma o horror em espetáculo vazio. É tecnicamente competente, mas moralmente questionável.
Vale a pena assistir a A História de Ed Gein?
Para fãs de true crime, a série oferece um mergulho visceral na origem de ícones do terror. Hunnam e Metcalf justificam o tempo de tela, e a estrutura dual entretém em maratonas rápidas. No entanto, o voyeurismo implacável e o tom inconsistente podem alienar quem busca substância além do choque. Com 8 episódios curtos, é bingeável, mas exaustiva.
Se você amou as controvérsias de Dahmer, isso continua o legado provocativo. Para uma visão mais ética, prefira documentários como Conversations with a Killer. Vale para quem tolera o depravado Murphy, mas não redefine o gênero. Uma visão única, mas indigesta.
Monstro: A História de Ed Gein é Ryan Murphy em sua essência: audacioso, visual e moralmente ambíguo. Com atuações estelares de Hunnam e Metcalf, ela humaniza um monstro enquanto glorifica seu horror. Apesar de inovações narrativas, o excesso de violência e camp a tornam imperdoável para alguns. Na antologia Monster, é um capítulo impactante, mas não o melhor. Assista se o true crime sangrento for seu vício; pule se preferir empatia a espetáculo. Disponível na Netflix, ela provoca debates – e náuseas.
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