Crítica de A Arte de Correr na Chuva: Vale a pena assistir ao filme?

A Arte de Correr na Chuva (2019), dirigido por Simon Curtis, é uma comédia dramática que adapta o romance homônimo de Garth Stein. Com Milo Ventimiglia, Amanda Seyfried e a voz de Kevin Costner como o cão Enzo, o filme mistura humor, emoção e reflexões sobre a vida através da perspectiva única de um cachorro apaixonado por corridas. Lançado em 9 de agosto de 2019, o longa promete tocar o coração de quem ama histórias familiares e animais. Mas será que entrega uma experiência memorável? Nesta crítica, analisamos a trama, o elenco, a direção e se vale a pena assistir.

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Uma premissa emocional narrada por um cão

A história segue Denny Swift (Milo Ventimiglia), um piloto de corridas que sonha com a Fórmula 1. Seu companheiro leal, Enzo, um golden retriever, narra a trama com observações filosóficas sobre a vida, inspiradas em sua paixão por corridas e pela televisão. Enzo acompanha Denny em momentos de alegria, como seu romance com Eve (Amanda Seyfried), e desafios, incluindo disputas familiares e tragédias pessoais. A narrativa usa metáforas de corrida para explorar resiliência e amor.

A premissa é original, com a narração de Enzo oferecendo um toque de humor e ternura. Baseado no livro, o filme mantém o tom emocional, mas simplifica alguns conflitos, como notado por leitores no Goodreads. Apesar de sua abordagem comovente, a trama às vezes cai em clichês de dramas familiares, com reviravoltas previsíveis que podem dividir o público.

Elenco cativante e a voz marcante de Kevin Costner

Milo Ventimiglia entrega uma atuação sólida como Denny, capturando a determinação de um piloto e a vulnerabilidade de um homem enfrentando perdas. Amanda Seyfried, como Eve, traz calor e emoção, embora seu papel seja limitado por um arco menos desenvolvido. A química entre os dois é convincente, ancorando os momentos românticos. O elenco secundário, incluindo Kathy Baker e Martin Donovan como os sogros de Denny, adiciona tensão, mas seus personagens são estereotipados, como apontado pelo Roger Ebert.

O verdadeiro destaque é Kevin Costner, que dá voz a Enzo. Sua narração é carismática, misturando humor e sabedoria, como um filósofo canino. Enzo rouba a cena, especialmente em momentos cômicos, como sua obsessão por corridas ou sua tentativa de entender os humanos. A performance de Costner eleva o filme, tornando-o mais envolvente, mesmo quando a trama se torna melodramática.

Direção sensível, mas com tom irregular

Simon Curtis, conhecido por My Week with Marilyn, dirige com sensibilidade, destacando a relação entre Denny e Enzo. A fotografia captura a beleza das pistas de corrida e a intimidade da vida familiar, com cenas em Seattle que reforçam o clima acolhedor. A trilha sonora de Dustin O’Halloran e Volker Bertelmann complementa o tom emocional, especialmente nas sequências mais tristes.

No entanto, o filme sofre com um tom desigual. Curtis alterna entre comédia leve, com as reflexões divertidas de Enzo, e drama pesado, com doenças e disputas legais. Essa oscilação, criticada pelo Variety, pode desorientar o espectador. As cenas de corrida, embora bem filmadas, são poucas, e o filme poderia explorar mais o mundo do automobilismo para equilibrar o melodrama, como sugerido por fãs do livro no Skoob.

Comparação com o livro e outros dramas

A adaptação mantém a essência do romance de Stein, mas simplifica a profundidade emocional de Denny e Enzo, como notado por leitores no Book Riot. Comparado a filmes como Marley & Eu, que também usa um cão para contar uma história familiar, A Arte de Correr na Chuva é mais filosófico, mas menos impactante emocionalmente. Diferente de A Dog’s Purpose, que foca na espiritualidade canina, este filme usa corridas como metáfora, o que o torna único, mas menos universal.

No contexto de 2019, com dramas como Green Book e Nasce uma Estrela, A Arte de Correr na Chuva é menos ambicioso, mas eficaz para quem busca uma história leve com toques de emoção. Sua acessibilidade o torna ideal para famílias, embora o tom melodramático possa afastar quem prefere narrativas mais sutis.

Pontos fortes e limitações

O filme brilha pela narração de Kevin Costner, que dá vida a Enzo, e pela química entre Ventimiglia e Seyfried. A metáfora das corridas é eficaz, oferecendo reflexões sobre perseverança e amor. A produção visual e a trilha sonora criam uma experiência acolhedora, perfeita para quem ama animais e dramas familiares.

As limitações estão no excesso de melodrama e no ritmo irregular. O filme depende demais de clichês, como disputas familiares e doenças, e o final, embora comovente, é previsível, como apontado pelo The Hollywood Reporter. A falta de cenas de corrida e o desenvolvimento raso de alguns personagens, como Eve, diminuem o impacto. Ainda assim, a história é envolvente para quem se conecta com a perspectiva de Enzo.

Vale a pena assistir a A Arte de Correr na Chuva?

O filme é uma escolha sólida para quem busca um drama familiar comovente com um toque de humor. A narração de Kevin Costner e a atuação de Milo Ventimiglia são destaques, enquanto a ambientação em Seattle e nas pistas de corrida adiciona charme. Embora o filme caia em clichês e tenha um tom desigual, ele entrega uma história emocionante que ressoa com amantes de cachorros e fãs de narrativas sobre resiliência.

Se você gostou de Marley & Eu ou Hachi: A Dog’s Tale, A Arte de Correr na Chuva é uma adição bem-vinda à sua lista. Para uma sessão de fim de semana na Netflix ou Disney+, é uma opção leve e tocante, mas não espere um clássico atemporal. Prepare os lenços para as cenas mais tristes e aproveite a jornada de Enzo.

A Arte de Correr na Chuva é um filme que combina humor, emoção e uma perspectiva única através dos olhos de um cão. Com atuações sólidas de Milo Ventimiglia e Kevin Costner, e uma direção sensível de Simon Curtis, ele encanta, apesar de seus clichês e ritmo irregular. Ideal para quem busca uma história familiar com lições sobre amor e perseverança, o filme é uma opção agradável no catálogo da Netflix. Se você ama dramas com animais ou metáforas inspiradoras, vale a pena dar uma chance.

Magui Schneider
Magui Schneider

Como Editora-Chefe do Séries Por Elas, Magdalena (Magui) é responsável pela curadoria e tom editorial do portal. Magui traz um diferencial único: sua formação como Psicóloga (CRP-RS 07/27539). Ela utiliza sua expertise no comportamento humano para enriquecer as críticas de cinema e TV, oferecendo uma visão analítica e humana sobre o desenvolvimento de personagens e tramas.

Especialista em narrativas de drama, romance e comédia, a ‘Little Monster’ fã declarada da Lady Gaga, traduz sua visão profissional em análises que conectam o público às emoções das telas. É ela quem garante que, aqui, a paixão de fã e a análise séria andem de mãos dadas.

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