Spoiler: Explicamos as cenas pós-créditos de Superman?

Lançado em 10 de julho no Brasil, o filme Superman, de James Gunn, chegou aos cinemas com a difícil missão de revitalizar o universo cinematográfico da DC (DCU) após o encerramento do antigo DCEU com Aquaman e o Reino Perdido em 2023. Estrelado por David Corenswet como o Homem de Aço, Nicholas Hoult como Lex Luthor e Rachel Brosnahan como Lois Lane, o filme evitou ser uma história de origem, focando em um Superman já estabelecido que precisa reconquistar a confiança do público após uma trama orquestrada por seu arqui-inimigo, e isso tem tudo a ver com as cenas pós-créditos.
Apesar da narrativa bem amarrada e da recepção positiva da crítica e do público, que resultou em uma bilheteria mundial de mais de US$ 588 milhões até meados de agosto de 2025, uma das grandes questões que intrigou os fãs de Superman foi a presença das tradicionais cenas pós-créditos. O longa-metragem não apenas honra a tradição, como oferece duas cenas para aqueles que aguardaram até o final. Uma delas, na cena de meio dos créditos, é um momento mais reflexivo, enquanto a segunda, ao final, tem um tom humorístico e leve. Ambas, no entanto, evitam a abordagem de “gancho” para projetos futuros, uma escolha consciente do diretor James Gunn.
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Cena Pós-Créditos de Meio de Superman: Um Momento de Paz e Referência Clássica
A primeira cena extra, que aparece após cerca de dois minutos do início dos créditos, é um instante de ternura e calma, sem diálogos. Nela, o público vê o Superman no espaço, sentado na lua ao lado de seu cão superpoderoso, Krypto, que ele carinhosamente chama de “cão adotivo”. A câmera mostra os dois de costas, observando a Terra com uma vista deslumbrante.
Embora breve e silenciosa, a cena não é apenas um toque adorável para os fãs, mas também uma homenagem direta aos quadrinhos. A imagem é uma referência à aclamada série de HQs All-Star Superman (2005-2008), de Grant Morrison e Frank Quitely, uma das principais inspirações de James Gunn para o filme. Essa referência já havia sido antecipada em materiais de marketing, como o pôster IMAX do filme, que usava a mesma imagem como seu ponto central. A trilha sonora da cena, com a canção “Punkrocker” do Teddybears com participação de Iggy Pop, também faz uma referência a uma conversa no filme entre Clark e Lois, onde debatem o que seria “punk” nos dias atuais.
Apesar de ser um “momento” e não uma “cena” propriamente dita, ela sublinha o tom do filme: um Superman mais humano e autêntico, que valoriza momentos simples de companhia, mesmo que seja com seu cão.
Cena Pós-Créditos de Superman: A Relação entre o Superman e o Senhor Incrível
A segunda cena, que aparece após cerca de sete minutos, mostra um diálogo descontraído entre Superman e o Senhor Incrível. Os dois heróis estão em Metrópolis, inspecionando um dos prédios que havia sido dividido ao meio pelo portal de bolso criado por Lex Luthor, e que o Senhor Incrível conseguiu reunir novamente para salvar a cidade.
Superman, com seu olhar super-detalhista, aponta que o prédio “está um pouco torto”, o que causa uma reação de frustração no Senhor Incrível, que pergunta de forma irritada: “O que você quer que eu faça? Quer que eu o desmonte e junte de novo?”. Superman tenta se desculpar, mas o Senhor Incrível se afasta irritado. O Homem de Aço, falando consigo mesmo, reflete sobre sua atitude: “Droga, às vezes eu sou um idiota…”.
A cena, embora não adicione um grande gancho para a trama futura do DCU, serve para humanizar ainda mais o protagonista. O filme já havia mostrado um Superman que se emociona, que comete erros, e que precisa aprender com eles. Esse pequeno diálogo mostra que, apesar de seus poderes e sua bondade intrínseca, Clark ainda pode ser desajeitado e insensível em suas interações. Além disso, a cena reafirma que o filme se propõe a ser uma história fechada, focada nos personagens e em suas dinâmicas, em vez de ser apenas um veículo para teases de futuros projetos.
A Filosofia de James Gunn e a Ausência de Ganchos Clássicos
Para os fãs acostumados com as cenas pós-créditos da Marvel que geralmente introduzem um novo vilão ou herói para o próximo filme, as cenas de Superman podem ter sido um choque. Mas, a ausência de um grande teaser foi uma decisão deliberada do diretor e roteirista James Gunn.
Conforme explicou em entrevistas, Gunn é cauteloso sobre a prática de usar cenas pós-créditos para anunciar personagens ou enredos que ainda não têm um roteiro totalmente definido e aprovado. Ele citou seu próprio “erro” em Guardiões da Galáxia Vol. 2, onde o teaser de Adam Warlock criou uma expectativa que o forçou a incluí-lo em Guardiões da Galáxia Vol. 3, mesmo que ele não se encaixasse naturalmente na história que ele já estava desenvolvendo.
Sob a gestão de Gunn e Peter Safran na DC Studios, a nova política é clara: nenhum projeto será totalmente aprovado e produzido sem um roteiro completo. Essa abordagem se reflete em Superman, um filme que se sustenta por si só. Embora apresente uma série de outros personagens do universo DC — como o Senhor Incrível, Lanterna Verde (Guy Gardner), Mulher-Gavião e Metamorfo, que juntos formam a “Justice Gang” (uma clara referência à Liga da Justiça) — o filme não se detém em explicá-los para um público desavisado. Eles simplesmente existem no mundo do Superman, mas a narrativa principal se mantém firmemente focada na história de Clark.
O filme faz apenas uma grande “provocação” em sua trama principal: a breve aparição da Supergirl, interpretada por Milly Alcock. A prima de Superman chega de forma desastrada à Fortaleza da Solidão, bêbada (um detalhe explicado por Clark por conta de sua origem e tempo em planetas com sóis vermelhos, que afetam seu metabolismo) e em busca de seu cachorro Krypto. Essa cena se justifica por um motivo importante: o filme solo da Supergirl, intitulado Supergirl: Woman of Tomorrow, já havia sido filmado e está programado para ser lançado em junho de 2026. A provocação, neste caso, não era apenas uma ideia, mas um projeto concreto.
No final das contas, o objetivo principal de James Gunn com o filme não era apenas lançar o novo DCU, mas entregar uma grande e emocionante história do Superman. E, nesse sentido, ele foi bem-sucedido. O filme é uma celebração pura do personagem, da sua bondade inata e de sua esperança, valores que ele e o público precisam nos dias de hoje. A química entre Corenswet e Brosnahan como Clark e Lois é evidente e deliciosa de assistir.
O filme se destaca por ser uma obra completa e satisfatória, que não depende de ganchos para o futuro para ser relevante. As cenas pós-créditos, portanto, não servem para nos dizer o que virá a seguir, mas para reforçar o que já vimos: a nova visão da DC é sobre contar grandes histórias de forma independente, com foco nos personagens, sem a pressão de amarrar cada ponto a um universo maior. É uma abordagem diferente, audaciosa, e que promete um futuro muito interessante para o DCU.
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