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Crítica de A Protetora: Vale a pena assistir ao filme com Ruby Rose?

Puxe uma cadeira, prepare o seu mate quente ou a sua xícara de café e tire um momento para respirar. No meio da nossa rotina corrida, encontrar um passatempo que nos desligue do mundo é precioso. Se você está buscando exatamente isso hoje, saiba que o filme A Protetora já está disponível na Netflix (e também no Amazon Prime Video, Claro TV, Telecine e para aluguel no YouTube e Google Play Filmes e TV). É aquela típica produção que promete adrenalina pura para o seu descanso.

O longa nos apresenta uma narrativa de sobrevivência clássica, no melhor estilo “um contra todos”, mas com uma roupagem que tenta se alinhar às expectativas contemporâneas de força e resiliência. A direção fica por conta do japonês Ryûhei Kitamura, conhecido por seu estilo visual visceral e dinâmico, que tenta injetar urgência em cada cena de combate corporal.

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Crítica sincera: Vale a pena assistir a A Protetora?

Para responder a essa pergunta com toda a honestidade que sempre guia nossos encontros aqui no portal, precisamos alinhar as expectativas. Se o seu objetivo para o final de semana é assistir a uma obra profunda, com reviravoltas psicológicas complexas e roteiro impecável, este filme pode te frustrar. No entanto, se você busca um passatempo ágil, repleto de pancadaria coreografada e sem grandes exigências intelectuais, a produção cumpre o seu papel de entretenimento passageiro.

A trama acompanha Ali, vivida por Ruby Rose, uma ex-fuzileira naval que carrega marcas profundas de um trauma militar após uma missão fracassada na Europa Oriental. Em busca de reconstrução emocional e de um cotidiano pacífico, ela aceita um trabalho pacato como porteira em um edifício histórico e aristocrático em Nova York. O problema é que o prédio está prestes a passar por uma grande reforma e se encontra quase totalmente vazio, o que o torna o alvo perfeito para um grupo de criminosos impiedosos.

A narrativa ganha tração quando a equipe de mercenários, liderada pelo sofisticado e cruel Victor, interpretado pelo veterano Jean Reno, invade o local. O objetivo deles é recuperar obras de arte valiosíssimas escondidas nas paredes da estrutura. O conflito humano e físico se estabelece quando os bandidos fazem de refém a família do cunhado de Ali, que também reside ali. É o gatilho emocional que transforma a outrora vulnerável fuzileira em uma máquina de combate implacável dentro de um ambiente confinado.

O ritmo do filme é veloz, impulsionado pelo roteiro de Lior Chefetz e Joe Swanson, que não perde muito tempo com apresentações e vai direto ao ponto. Contudo, essa pressa cobra o seu preço: os furos de roteiro são evidentes e a verossimilhança das situações é deixada de lado em nome do espetáculo visual e da ação.

O Raio-X do Séries Por Elas: Prós e Contras

O que nos arrebatou (Pontos Fortes)O que escorregou (Pontos Fracos)
Ruby Rose entrega ótimas e intensas cenas de combate físico e corporal.O roteiro é extremamente previsível e repleto de clichês do gênero de ação.
O ritmo dinâmico do diretor Ryûhei Kitamura impede que o filme fique arrastado.Subutilização do talento e da presença cênica de Jean Reno.
A ambientação claustrofóbica do hotel antigo cria uma boa sensação de perigo.Falta de profundidade no desenvolvimento dos traumas da protagonista.

Por Trás das Câmeras: O Elenco e a Atmosfera Audiovisual

No aspecto técnico, o diretor Ryûhei Kitamura utiliza sua vasta experiência em cinema de gênero para criar um ambiente tenso. A fotografia do longa abusa de tons frios, cinzentos e azulados na maior parte do tempo, refletindo o isolamento do prédio e o próprio estado de espírito congelado de Ali. Quando a ação de fato começa, a iluminação ganha contrastes mais fortes, utilizando as sombras dos corredores labirínticos do edifício para aumentar a sensação de caça e caçador.

A trilha sonora funciona como um metrônomo para a adrenalina, subindo de tom nos momentos exatos dos confrontos, embora abuse de soluções genéricas da indústria de suspense. O figurino de Ruby Rose, inicialmente um uniforme de porteira formal e engomado, vai se desfazendo e se sujando ao longo do filme. Essa escolha estética simboliza visualmente a desconstrução da civilidade e o retorno da personagem aos seus instintos mais primitivos de sobrevivência militar.

Em relação às atuações, Ruby Rose demonstra uma ótima presença física. Suas habilidades nas artes marciais e na execução de acrobacias são o verdadeiro motor da produção. No entanto, sua expressão dramática permanece rígida na maior parte do tempo, o que dificulta uma conexão mais íntima do público com as dores da personagem.

Jean Reno, um gigante do cinema francês e mundial, entrega um vilão correto, mas operando visivelmente em marcha automática. O ator Aksel Hennie, que interpreta um dos capangas mais instáveis da gangue, acaba roubando a cena em alguns momentos pelo nível de ameaça psicológica que consegue transmitir com seu olhar.

A Força do Olhar Feminino e das Conexões Humanas

Olhando a obra através da nossa lente analítica habitual, é interessante observar a tentativa de subverter o arquétipo do “ex-militar salvador”, papel historicamente dominado por homens em Hollywood. Colocar uma mulher no centro de uma narrativa de isolamento e sobrevivência urbana traz um frescor necessário. A jornada de Ali em A Protetora fala, mesmo que de forma superficial, sobre a busca feminina por um espaço de paz após vivenciar ambientes de extrema violência masculina e institucional.

A psicologia da personagem nos mostra uma mulher fragmentada pela culpa do sobrevivente. O silêncio inicial de Ali e seu desejo por um emprego invisível e burocrático revelam o clássico mecanismo de defesa de quem deseja sumir do radar do mundo para não sofrer ou falhar novamente. A ironia dolorosa da trama reside no fato de que, para proteger aqueles que ama, ela é forçada a abraçar justamente a violência que tentava esquecer.

Infelizmente, o filme não aprofunda os laços familiares que deveriam ser o coração emocional da história. A relação de Ali com os sobrinhos e o cunhado é apresentada de forma rápida, fazendo com que a motivação de protegê-los pareça mais um dever mecânico do que uma necessidade impulsionada por um amor avassalador. Há uma clara oportunidade perdida aqui de explorar a agência feminina e a rede de proteção familiar sob uma ótica mais sensível e profunda.

O Veredito do Coração

<strong>NOTA: 3/5</strong>

A Protetora não vai revolucionar a história do cinema de suspense ou de ação, e está longe de ser uma obra-prima. Contudo, ele entrega exatamente o que se propõe a fazer na sua 1 hora e 37 minutos de duração: pancadaria honesta, um ritmo que não te deixa bocejar e uma protagonista feminina imponente. É o filme ideal para assistir despretensiosamente em uma noite cansada, acompanhada de uma boa pipoca.

Por entregar uma diversão rápida e cumprir os requisitos básicos do gênero, o selo afetivo do nosso portal concede uma nota justa para essa jornada de sobrevivência.

AVISO: Se você decidiu dar uma chance a esta história e acompanhar a jornada de sobrevivência de Ali, lembre-se sempre de assistir a A Protetora através das plataformas oficiais de streaming e canais autorizados. Valorizar e apoiar a indústria audiovisual consumindo o conteúdo de forma legal é o passo fundamental para garantir que mais histórias, com os mais diversos olhares e protagonistas, continuem sendo produzidas e chegando até nós.

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