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Todo Mundo em Pânico 6 CRÍTICA: O Riso que se Perdeu no Eco do Passado

O retorno da franquia de paródias mais famosa dos anos 2000 parecia o movimento perfeito para os cinemas. Dirigido por Michael Tiddes e distribuído pela Paramount Pictures, Todo Mundo em Pânico 6 marca o retorno triunfal da dinastia dos irmãos Wayans ao controle criativo após mais de duas décadas de afastamento. No entanto, o sentimento sincero que fica ao subir dos créditos é de um cansaço profundo.

Embora a nostalgia balance o coração e a produção entregue lampejos isolados daquela genialidade boba do passado, a obra erra o alvo na maior parte do tempo. Ela gasta sua energia repetindo fórmulas antigas que já não cabem mais no mundo em que vivemos hoje, tornando-se um investimento arriscado até para os fãs mais fervorosos.

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No portal Séries Por Elas, nós sempre celebramos o poder do humor como ferramenta de libertação e espaço para a agência feminina. A melhor notícia deste lançamento é, sem dúvida, rever as duas colunas que sustentaram essa franquia desde o início: Cindy Campbell e Brenda Meeks. Ver Anna Faris e Regina Hall dividindo a tela novamente traz um calor imediato ao peito.

Elas se jogam no texto com uma entrega genuína e uma generosidade cômica que poucas atrizes de sua geração possuem. Cindy agora assume uma postura de protetora, quase uma “mãe da franquia”, enquanto Brenda brilha ao se autodenominar a “mãe preta descolada”. Ambas salvam diversas cenas do desastre completo apenas com o uso de suas expressões faciais e tempos de comédia impecáveis.

O problema central reside em como o roteiro — assinado por uma bancada exclusivamente masculina composta por Marlon Wayans, Shawn Wayans, Keenen Ivory Wayans, Craig Wayans e Rick Alvarez — lida com as novas dinâmicas sociais e com as mulheres da nova geração. Personagens promissoras como Sara, interpretada pela talentosa Olivia Rose Keegan, e sua irmã Tuesday, vivida por Savannah Lee Nassif, acabam presas em estereótipos rasos de garotas histéricas ou dependentes de remédios.

A narrativa tenta conversar com os desafios das mulheres e jovens de hoje através da sátira, mas esbarra em um tom surpreendentemente agressivo e ultrapassado. Em vez de criticar as estruturas ou os absurdos do próprio cinema de terror atual, o roteiro prefere mirar em piadas fáceis sobre identidade de gênero e pautas sociais. A forma como a personagem de Sydney Park é tratada em cena é um exemplo incômodo disso.

O filme confunde a acidez da paródia com o deboche gratuito de vulnerabilidades reais. Para a mulher contemporânea, que busca nas telas um reflexo de evolução e inteligência emocional, ver o humor recuar para armadilhas preconceituosas gera um distanciamento inevitável. O brilho de Anna Faris e Regina Hall resiste, mas elas mereciam um material que estivesse à altura do talento e da maturidade que ambas conquistaram na carreira.

“A verdadeira comédia não precisa diminuir a existência do outro para arrancar o riso da plateia.”

Lampejos de Absurdo e o Cansaço das Piadas Recicladas

Quando olhamos para a construção visual e técnica, percebemos que Michael Tiddes tenta manter o ritmo caótico que consagrou os primeiros filmes. Existem pequenos achados visuais que funcionam muito bem. A cena em que o assassino Ghostface persegue uma vítima no hospital e erra o golpe, cravando a faca em um pôster de anatomia que começa a gritar de dor, é um momento deliciosamente absurdo. É o puro suco do que a franquia costumava ser: boba, inesperada e visualmente inventiva.

A sequência de abertura também traz um frescor bem-vindo com a maravilhosa Teyana Taylor interpretando uma versão autêntica e cheia de atitude de si mesma em meio a piadas com o Oscar. Outro ponto alto do design de produção e do elenco de apoio é a rápida aparição de Cheri Oteri encarnando uma versão hilária de Demi Moore no filme The Substance. Quando ela é atacada por Ghostface, o corte revela uma sátira visual afiada que realmente arranca gargalhadas.

Porém, esses momentos são ilhas de criatividade em um oceano de piadas recicladas. A química do elenco clássico é nítida, mas Marlon Wayans parece por vezes engessado no papel de Shorty, como se tentasse emular uma juventude que o roteiro já não consegue sustentar com a mesma naturalidade. O retorno de Ray Wilkins por Shawn Wayans insiste em estereótipos que causavam desconforto há vinte anos e que hoje soam completamente fora de tom.

A fotografia do filme abandona qualquer tentativa de criar uma atmosfera cinzenta ou Texturizada típica dos novos terrores da A24 ou da própria saga Scream moderna. Tudo é muito claro, chapado e com uma iluminação que lembra programas de esquetes de televisão, tirando um pouco do impacto visual que uma boa paródia precisa ter quando reconstrói cenários famosos.

A montagem é ágil, mas essa velocidade serve mais para emendar esquetes desconexos do que para construir uma narrativa com começo, meio e fim. O filme se torna uma colcha de retalhos de referências — que vão de M3GAN a Terrifier — sem que nenhuma delas receba uma crítica de verdade. É uma festa satírica pesada que se preocupa tanto em referenciar tudo ao mesmo tempo que acaba esquecendo de ser genuinamente engraçada.

“Parodiar o que já nasceu sendo uma sátira exige uma inteligência que o filme infelizmente substitui pelo excesso.”

O Veredito do Coração

<strong>NOTA: 2/5</strong>

Todo Mundo em Pânico 6 funciona como uma máquina do tempo caprichosa. Se por um lado cura a saudade de ver Cindy e Brenda comandando o caos nas telas, por outro expõe as rugas de um estilo de comédia que não soube envelhecer.

O retorno dos criadores originais tinha tudo para ser histórico, mas o resultado final carece de estofo emocional e de uma visão verdadeiramente renovada sobre o gênero que tenta abraçar. Vale o ingresso pela curiosidade e pelo carinho pelas atrizes, mas passe longe esperando o frescor do passado.

  • Onde Assistir (Oficial): Exclusivo nos Cinemas.

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