Sentar no sofá para assistir a uma adaptação de Stephen King é sempre um exercício de expectativa. Com A Torre Negra, filme dirigido por Nikolaj Arcel, o sentimento é agridoce. A produção está disponível para aluguel na Amazon Prime Video, Claro TV, Google Play Filmes e TV e no YouTube.
Sendo muito sincera com você, que busca uma história com o coração transbordando, o filme funciona mais como uma aventura passageira do que como a obra-prima que os livros mereciam. Vale o seu tempo se você procura um passatempo leve. Contudo, para quem deseja mergulhar em sentimentos profundos, a sensação final é de que faltou espaço para a história respirar.
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O Silêncio da Proteção e o Fardo Materno
No portal Séries Por Elas, nós sempre buscamos a alma das personagens femininas. Mesmo em mundos dominados por pistoleiros e magos, a presença das mulheres traz o peso da realidade. Neste filme, a figura de Laurie, vivida por Katheryn Winnick, grita direto ao coração das mães contemporâneas. Ela é a mãe de Jake (Tom Taylor), o menino que tem visões apocalípticas.
A dor de Laurie conversa muito com os desafios das mulheres de hoje. Ela enfrenta a angústia de não saber como ajudar um filho que o mundo insiste em rotular como doente. Quantas de nós não desdobramos nossa saúde mental para proteger quem amamos de uma sociedade que não compreende as diferenças?
O filme falha ao não dar mais tempo de tela para essa mãe. Laurie carrega o arquétipo da protetora que, no fim, paga o preço mais alto pelo caos dos homens. O afeto dela é a única âncora de normalidade em um roteiro que corre contra o tempo.
“O amor de uma mãe é o único escudo real quando o mundo ao redor começa a desmoronar.”
Como psicóloga, o que mais me chama a atenção no roteiro de Akiva Goldsman e Jeff Pinkner é a mente do Pistoleiro, interpretado por Idris Elba. Roland de Gilead não é um herói comum. Ele é um homem que sofre de um luto traumático. Ele perdeu o pai e o seu mundo inteiro.
Esse vazio interno fez com que ele esquecesse o seu propósito de salvar a Torre. Ele vive apenas pela vingança. Idris Elba entrega uma atuação gigante. Ele usa o corpo cansado e os olhos caídos para mostrar que o ódio consome as pessoas por dentro.
Por outro lado, Matthew McConaughey vive o Homem de Preto, Walter Padick. Ele é a personificação da perversidade pura. Walter usa o medo das pessoas para controlá-las. A química entre Elba e McConaughey funciona na base do puro contraste: um é o peso da terra, o outro é a frieza do ar. O jovem Tom Taylor também surpreende. Ele traz a doçura e a coragem da infância que se recusa a morrer.
Visualmente, a produção da Sony Pictures e Columbia Pictures tem belos momentos. A fotografia em tons cinzentos e terrosos do mundo em ruínas transmite uma solidão profunda. Quando a história vai para Nova York, as cores ficam frias e azuladas, mostrando o isolamento da vida moderna.
A trilha sonora acompanha essa transição de forma correta, mas sem grandes marcas. O ritmo da montagem é o grande problema do filme. Tudo acontece rápido demais. Os sentimentos são cortados para dar lugar à próxima cena de ação. Falta tempo para o espectador sentir o peso das perdas.
“A vingança é um caminho escuro que nos faz esquecer o que fomos criados para proteger.”
O Veredito do Coração
A Torre Negra entrega um espetáculo visual honesto e atuações de muito respeito, mas peca pela pressa. Ele simplifica um universo psicológico rico em troca de uma correria de uma hora e meia. Se você quer ver Idris Elba brilhando com armas e Matthew McConaughey sendo o vilão perfeito, dê o play. Só não espere encontrar aqui a profundidade das grandes obras que marcam a nossa vida.
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