A televisão, ao longo das últimas décadas, tem evoluído para se tornar um espelho mais fiel da sociedade. Longe dos estereótipos rasos e das narrativas unidimensionais, a indústria do entretenimento tem investido cada vez mais em histórias que refletem a complexidade da vida real, trazendo para a tela a riqueza da diversidade humana. Em um momento crucial para o debate sobre identidade e inclusão, a representatividade trans na cultura pop se tornou um pilar fundamental dessa transformação.
Com o advento das plataformas de streaming, o público tem acesso a um universo de produções que dão voz e protagonismo a personagens trans, interpretados por atores e atrizes que, muitas vezes, compartilham suas próprias vivências. Essas séries não apenas ampliam a visibilidade da comunidade trans, mas também humanizam suas experiências, quebrando preconceitos e construindo pontes de empatia. Em 2025, o catálogo de produções que celebram a representatividade trans está mais rico e diversificado do que nunca.
Para quem busca histórias autênticas e inspiradoras, preparamos uma seleção de seis séries imperdíveis que são verdadeiros marcos na televisão contemporânea. De dramas intensos a tramas fantásticas, essas produções abordam a jornada trans sob diferentes perspectivas, mostrando a força, a resiliência e a beleza de vidas que merecem ser contadas.
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Séries trans e sem transfake
O conjunto de séries selecionadas para esta lista se destaca por um compromisso fundamental com a autenticidade e a representatividade genuína: todas as produções optaram por escalar atrizes e atores trans para interpretar personagens trans. Essa prática, conhecida como o oposto de “transfake”, é um marco crucial na indústria audiovisual. O termo “transfake” se refere à escalação de pessoas cisgênero (que se identificam com o gênero atribuído ao nascer) para interpretar papéis de pessoas trans.
Essa escolha, muitas vezes, reforça estereótipos, descredibiliza a experiência trans e, acima de tudo, nega oportunidades de trabalho a artistas que vivem e compreendem a realidade de seus personagens nas séries. Ao evitar o “transfake”, as séries listadas aqui não apenas garantem performances mais autênticas e honestas de pessoas trans, mas também promovem a inclusão e o protagonismo de talentos contribuindo para uma indústria mais justa e representativa.
Fazemos uma ressalva no caso de Lachlan Watson, que interpreta um homem trans em O Mundo Sombrio de Sabrina. O ator se identifica como não-binário, o que significa que sua identidade de gênero não se encaixa nas categorias tradicionais de masculino ou feminino. A representação de Theo, um personagem que se assume como homem trans, por um ator não-binário é considerada uma forma de representatividade autêntica, pois ele também faz parte da comunidade trans. A comunidade trans engloba não apenas homens e mulheres trans, mas também pessoas não-binárias, queers e de outras identidades que não se alinham com o gênero atribuído no nascimento.
Sem mais delongas, vamos a lista dessas maravilhosas séries com belas atuações de personagens e atores trans!
6 Séries com representatividade TRANS
Pose (2018)

Considerada um marco na história da televisão por ter o maior elenco trans já reunido em uma série, Pose é uma jornada vibrante e emocionante pela cultura dos bailes e pela cena LGBTQIAP+ de Nova York nas décadas de 1980 e 1990. A trama se aprofunda na vida de mulheres trans, explorando seus sonhos, suas lutas e o impacto devastador da epidemia de HIV que assola a comunidade. A série se concentra na Casa de Evangelista, liderada pela matriarca Blanca (Mj Rodriguez), que acolhe jovens LGBT que foram expulsos de suas casas, criando uma nova família baseada no amor e na solidariedade.
Com três temporadas, a série disponível no Disney+ se destaca por sua autenticidade e por não se esquivar de temas complexos. A produção é um tributo à resiliência e à força da comunidade trans e negra, celebrando sua arte, sua moda e a cultura dos bailes que se tornaram um refúgio de expressão e liberdade. O elenco, majoritariamente composto por artistas trans, como Indya Moore e Dominique Jackson, entrega performances poderosas que garantem à série um lugar de destaque na história da representatividade.
Sense8 (2015)

Criada pelas irmãs Wachowski, ambas mulheres trans, Sense8 é uma série de ficção científica que transcende os limites do gênero, explorando conexões humanas profundas e a identidade. A história segue oito desconhecidos, os “Sensates”, de diferentes partes do mundo, que de repente se veem mental e emocionalmente ligados após terem uma visão da morte de uma mulher. Essa conexão lhes permite compartilhar habilidades, conhecimentos e sentimentos.
Entre os protagonistas, a hacker Nomi Marks, interpretada por Jamie Clayton, se destaca como um dos corações da série. Nomi é uma mulher trans cuja jornada de autoaceitação e luta contra o preconceito é um dos pontos mais importantes da trama. A série aborda de forma sensível e realista os desafios que ela enfrenta, desde a rejeição familiar até a violência transfóbica, mas também celebra sua inteligência, sua força e seu amor. Nomi não é definida apenas por sua identidade de gênero; ela é uma pessoa complexa, com seus próprios medos e vitórias. A atuação de Jamie Clayton, uma atriz trans, empresta uma camada extra de autenticidade à personagem, tornando sua história ainda mais poderosa e ressonante.
Veneno (2020)

Baseada na vida real de Cristina Ortiz, a icônica transexual espanhola conhecida como “La Veneno”, esta série é um mergulho emocionante na história de uma das figuras LGBTQIA+ mais queridas da Espanha. A narrativa é contada a partir da perspectiva de Valeria Vegas, uma jovem estudante de jornalismo trans que decide escrever um livro sobre a vida de La Veneno.
A série disponível no HBO Max e no Prime Video traça um panorama da história LGBTQIA+ na Espanha, desde os anos 1960 até os dias de hoje, mostrando as dificuldades e as vitórias da comunidade. Veneno se aprofunda nas experiências de Cristina, que alcançou fama na televisão nos anos 1990 com sua personalidade única e carismática. A trama aborda as complexidades de sua vida, desde sua infância em um ambiente hostil sob o nome de Joselito até a sua luta por sobrevivência e reconhecimento. A série é um tributo à força de Cristina e uma reflexão sobre a importância de contar histórias de vida autênticas e sem filtros.
Segunda Chamada (2019)

Produção nacional da Globo, Segunda Chamada acompanha a história da professora Lúcia (Débora Bloch) e seus alunos em uma escola noturna para jovens e adultos. A série se destaca por trazer à tona questões sociais relevantes e urgentes, e uma de suas personagens mais marcantes é Natasha, uma travesti que busca retomar seus estudos após sofrer uma série de violências e preconceitos.
Natasha, interpretada pela multiartista Linn da Quebrada, representa a luta diária de muitas pessoas trans no Brasil. A série, disponível no Globoplay, não ameniza as dificuldades que a personagem enfrenta, mostrando a transfobia no ambiente escolar e familiar. A jornada de Natasha na busca por respeito e por seu direito de ser quem é e de estudar, ressoa profundamente com o público. A performance de Linn da Quebrada é visceral e necessária, transformando a personagem em um símbolo de resistência e coragem.
O Mundo Sombrio de Sabrina (2018)

Nesta releitura sombria dos quadrinhos da bruxa adolescente Sabrina, a série da Netflix explora temas como magia, o sobrenatural e a jornada de autodescoberta. A trama segue Sabrina Spellman (Kiernan Shipka) em sua luta para equilibrar sua vida como meio-bruxa e meio-mortal. No meio de toda a magia, a série apresenta um personagem que se destaca por sua representatividade.
Theo Putnam, interpretado pelo ator não-binário Lachlan Watson, é um jovem que se assume como homem trans e enfrenta desafios em sua jornada de aceitação. A série aborda seu processo de transição de forma sensível e natural, mostrando o apoio de seus amigos e familiares. A presença de um personagem trans em uma série de fantasia popular é um avanço significativo, mostrando que a representatividade não está limitada a dramas realistas, mas pode ser integrada a qualquer gênero. A narrativa de Theo, incluindo seu relacionamento romântico com Robin Goodfellow, contribui para desmistificar a experiência trans e normalizá-la no contexto da ficção.
Euphoria (2019)

Conhecida por sua estética visual arrojada e por abordar temas complexos e polêmicos da adolescência, Euphoria segue um grupo de estudantes do ensino médio que lidam com questões como drogas, identidade, trauma e relações sociais. A série se aprofunda nos conflitos internos e externos de cada personagem, sem medo de ser explícita e provocadora.
Um dos personagens centrais da trama é Jules Vaughn, uma adolescente trans interpretada pela atriz, modelo e ativista Hunter Schafer. Jules se muda para a cidade e rapidamente se torna uma figura central na vida da protagonista Rue (Zendaya), desenvolvendo uma amizade e um romance complexos. A série, disponível no HBO Max, retrata a jornada de Jules de forma delicada e, ao mesmo tempo, intensa. Ela enfrenta desafios ligados à sua identidade, mas a narrativa não se limita a isso, mostrando também sua vida amorosa, suas amizades e suas inseguranças, tornando-a uma personagem multifacetada e real. A atuação de Hunter Schafer, uma mulher trans, é aclamada e crucial para a autenticidade da personagem, consolidando-a como um ícone de representatividade na televisão.
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