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Crítica | A Garota da Vez É Bom? Vale a Pena Assistir?

O gênero de crimes reais, ou true crime, frequentemente cai na armadilha de glamourizar o agressor. No entanto, em sua estreia na direção, Anna Kendrick subverte essa lógica de forma visceral. A Garota da Vez, produção que mistura biopic, policial e suspense, reconta um dos episódios mais bizarros da cultura pop americana: o dia em que um assassino em série participou — e venceu — um programa de namoro na TV.

Disponível em plataformas como Amazon Prime Video, HBO Max e para aluguel no YouTube e Apple TV, o longa é um soco no estômago que utiliza o entretenimento para denunciar a misoginia estrutural. Vale a pena assistir? Sem dúvida. Não apenas pelo valor histórico, mas pela coragem de deslocar o olhar do “gênio do crime” para a resiliência das mulheres que cruzaram seu caminho.

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A Premissa: Um Encontro com o Perigo

O filme nos transporta para a Los Angeles de 1978. A trama acompanha Sheryl (Anna Kendrick), uma aspirante a atriz que, frustrada com a carreira, aceita participar do popular programa de TV The Dating Game (o equivalente ao nosso antigo “Namoro na TV”). Do outro lado da divisória está o solteiro número três, Rodney Alcala (Daniel Zovatto).

O que o público e a produção do programa ignoravam era que Alcala já estava em meio a uma onda de assassinatos brutais. O longa utiliza esse evento central para ramificar a história em diferentes linhas temporais, mostrando as vítimas anteriores de Rodney e a negligência das autoridades.

Desenvolvimento de Enredo e Ritmo

O roteiro de Ian MacAllister McDonald opta por uma estrutura não linear, o que eleva a tensão constantemente. O ritmo alterna entre a agilidade cínica e colorida dos bastidores da televisão e a atmosfera sombria, quase sufocante, dos encontros de Rodney com suas vítimas em locais isolados.

Essa montagem é estratégica: ela impede que o espectador se sinta confortável. Enquanto rimos das respostas ácidas de Sheryl no palco, somos imediatamente lembrados da letalidade de seu pretendente na cena seguinte. A narrativa não foca no “quem fez”, mas no “como ele foi autorizado a continuar fazendo”. É um suspense psicológico que prende a atenção pela angústia da iminência do perigo.

Atuações e Personagens: O Contraste Necessário

Anna Kendrick entrega uma performance sólida, equilibrando a vulnerabilidade de uma mulher tentando sobreviver em uma indústria machista com a inteligência de quem percebe que algo está errado. No palco, sua Sheryl subverte o roteiro bobo do programa, transformando-se de “garota troféu” em uma interrogadora afiada.

Daniel Zovatto, como o assassino Rodney Alcala, foge do estereótipo do monstro barulhento. Ele interpreta um predador calmo, charmoso e manipulador, o que torna sua presença ainda mais aterrorizante. A química entre os dois durante o programa é carregada de um desconforto latente. Menção honrosa a Tony Hale, que interpreta o apresentador do show, encarnando perfeitamente o sexismo casual daquela década.

A Visão “Séries Por Elas”: A Voz das Vítimas

No portal Séries Por Elas, nossa prioridade é a representatividade feminina e como as mulheres são retratadas em situações de vulnerabilidade. A Garota da Vez é exemplar nesse aspecto. O filme não se deleita com o sofrimento das mulheres; ele foca na falha do sistema em protegê-las.

  1. Agência Feminina: Sheryl não espera ser salva. Ela usa sua percepção e inteligência para navegar por uma situação potencialmente mortal.
  2. Sororidade Invisível: Há uma subtrama poderosa envolvendo uma mulher na plateia que reconhece Rodney e tenta, desesperadamente, alertar a segurança, sendo ignorada por ser considerada “histérica”.
  3. Profundidade Narrativa: As personagens femininas não são apenas “corpos” para o assassino; o filme gasta tempo mostrando seus sonhos e personalidades, devolvendo-lhes a humanidade que o criminoso tentou roubar.

A obra aborda o tema do gaslighting institucional: a forma como o medo das mulheres é sistematicamente minimizado por homens em posições de poder.

Aspectos Técnicos (Direção e Arte)

A direção de Anna Kendrick impressiona pela maturidade. Ela utiliza planos fechados para criar uma sensação de claustrofobia, mesmo em espaços abertos.

A fotografia faz um excelente trabalho ao contrastar a saturação berrante do cenário de TV com o granulado frio e cru das cenas de crime. O figurino e a direção de arte são fiéis ao final dos anos 70, mas sem parecer uma caricatura, ajudando na imersão histórica necessária para um biopic.

Veredito e Nota Final

NOTA: 5/5

A Garota da Vez é mais do que um filme de crime; é uma denúncia necessária sobre como o carisma masculino pode esconder monstros sob a luz do dia. Com uma direção segura e um foco humanista nas vítimas, o longa se destaca como uma das melhores estreias cinematográficas do ano. É tenso, inteligente e, infelizmente, extremamente atual.

Perguntas Frequentes (FAQ Estruturado)

Qual é a história real de A Garota da Vez?

O filme conta a história de Rodney Alcala, um assassino em série que, em 1978, participou do programa de namoro The Dating Game e ganhou um encontro com a participante Sheryl Bradshaw.

Onde assistir A Garota da Vez no streaming?

O filme está disponível nos catálogos da Amazon Prime Video e HBO Max, além de opções de aluguel no YouTube e Apple TV.

Qual a classificação indicativa do filme?

Devido a temas de violência e suspense pesado, a classificação indicativa sugerida é para maiores de 16 anos.

Quanto tempo dura o filme A Garota da Vez?

A produção tem uma duração de aproximadamente 1 hora e 35 minutos.

Quem dirige A Garota da Vez?

O filme marca a estreia de Anna Kendrick na direção, que também estrela a obra como a protagonista Sheryl.

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