Lançado em 5 de fevereiro de 2021, A Vida em um Ano é um drama romântico dirigido por Mitja Okorn, com roteiro de Jeffrey Addiss e Will Matthews, e protagonizado por Jaden Smith e Cara Delevingne. Disponível no Amazon Prime Video, o filme também pode ser alugado na Apple TV, Google Play Filmes e TV e YouTube. Com 1h47min de duração, a produção aposta em uma história intensa, emocional e declaradamente sentimental, mas nem sempre consegue equilibrar emoção e profundidade narrativa.
A proposta é simples e ambiciosa: contar uma grande história de amor condensada em apenas um ano. A execução, no entanto, divide opiniões e levanta questionamentos importantes sobre roteiro, desenvolvimento de personagens e, principalmente, sobre como o drama é construído.
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Uma história de amor pensada para emocionar
Em A Vida em um Ano, acompanhamos Daryn, um jovem prodígio que sempre seguiu o caminho traçado pelo pai, e Isabelle, uma garota livre, artística e cheia de mistérios. Após se apaixonarem, Daryn descobre que Isabelle sofre de uma doença grave e tem pouco tempo de vida. A partir desse ponto, ele decide proporcionar à amada todas as experiências que ela não teria tempo de viver, condensando uma “vida inteira” em doze meses.
O filme deixa claro desde o início que seu objetivo é emocionar o espectador, explorando temas como amor, finitude, escolhas e amadurecimento precoce. O problema não está na proposta em si, mas na forma como o roteiro conduz os acontecimentos, frequentemente optando por atalhos emocionais previsíveis.
Roteiro sensível, mas excessivamente formulaico
O roteiro de Jeffrey Addiss e Will Matthews apresenta boas intenções, mas sofre com uma estrutura excessivamente conhecida. O espectador mais atento reconhece rapidamente os arquétipos: o jovem racional e pressionado, a garota “espírito livre”, a doença terminal como catalisadora do romance e a jornada de transformação pessoal.
Apesar de alguns diálogos funcionarem bem, especialmente nos momentos mais íntimos do casal, o texto muitas vezes escorrega para frases prontas e situações que parecem existir apenas para provocar lágrimas. Falta sutileza em determinados trechos, e isso enfraquece o impacto emocional que o filme tanto busca.
Ainda assim, há mérito na tentativa de discutir como o amor pode romper expectativas familiares e sociais, especialmente no arco de Daryn, que precisa confrontar o pai e suas próprias ambições.
Jaden Smith entrega um protagonista contido e honesto
Jaden Smith surpreende positivamente ao construir um Daryn introspectivo, contido e emocionalmente reprimido. Sua atuação funciona melhor nos silêncios do que nos grandes momentos dramáticos. O ator transmite bem o conflito interno de um jovem dividido entre o futuro planejado e o presente que insiste em ser vivido intensamente.
Em contrapartida, Cara Delevingne, no papel de Isabelle, enfrenta um desafio maior. Sua personagem é escrita dentro do estereótipo da garota excêntrica e enigmática, o que limita as possibilidades de aprofundamento. Ainda assim, Delevingne demonstra sensibilidade em cenas mais delicadas, especialmente quando o filme permite que Isabelle vá além da figura inspiradora e mostre suas fragilidades.
Personagens femininas e o olhar do Séries Por Elas
Levando em conta a proposta do site Séries Por Elas, é importante destacar como o filme retrata suas personagens femininas. Isabelle, embora carismática, acaba sendo definida quase exclusivamente pela doença e pela função de transformar o protagonista masculino. Falta a ela um arco próprio mais consistente, com desejos, conflitos e sonhos que não estejam apenas ligados ao romance.
Por outro lado, Nia Long, que interpreta a mãe de Daryn, entrega uma atuação sólida e equilibrada. Sua personagem representa o contraponto emocional dentro da família, oferecendo apoio silencioso e humanidade em meio às tensões. Ainda assim, o filme poderia explorar melhor essas figuras femininas, dando mais espaço para suas vozes e perspectivas.
Direção eficiente, mas pouco ousada
A direção de Mitja Okorn é funcional e cuidadosa, mas raramente ousa. O filme segue uma estética limpa, com fotografia agradável e trilha sonora pensada para amplificar a carga emocional das cenas. Em alguns momentos, no entanto, a música surge de forma excessiva, guiando demais a emoção do público e retirando a naturalidade das situações.
A narrativa visual acompanha a proposta romântica, mas poderia arriscar mais em termos de linguagem cinematográfica. Falta identidade visual mais marcante, algo que diferencie A Vida em um Ano de outros dramas românticos lançados nos últimos anos.
Temas universais tratados de forma segura
O maior mérito do filme está na forma como aborda a urgência da vida e a importância de viver o presente. Mesmo com uma abordagem segura demais, a mensagem central consegue alcançar o público. O longa convida à reflexão sobre expectativas impostas, tempo, amor e escolhas, especialmente para um público mais jovem.
No entanto, quem busca uma narrativa mais complexa ou menos previsível pode se frustrar. O filme prefere o caminho mais confortável, evitando conflitos mais profundos ou finais menos convencionais.
Vale a pena assistir?
- Nota: 3,5 de 5 ⭐⭐⭐ – Um romance tocante, bem-intencionado e emocionalmente eficiente, mas que poderia ser mais ousado, mais profundo e mais atento ao desenvolvimento de suas personagens femininas.
A Vida em um Ano é um filme feito para quem aprecia romances intensos, com forte apelo emocional e uma mensagem clara sobre viver o agora. Não reinventa o gênero, nem se aprofunda tanto quanto poderia, mas cumpre sua função como entretenimento sensível e acessível.
Para o público do Séries Por Elas, fica o alerta: embora traga uma personagem feminina carismática, o filme ainda peca ao colocá-la mais como inspiração do que como protagonista de sua própria história. Ainda assim, há momentos genuínos e atuações competentes que justificam a experiência.
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