Crítica de Perrengue Fashion: Vale a Pena Assistir?

Perrengue Fashion, lançado em 9 de outubro de 2025 e agora disponível na Amazon Prime Video, é uma comédia dramática brasileira que mistura moda, família e contrastes culturais. Dirigido por Flavia Lacerda e roteirizado por Ingrid Guimarães e Célio Porto, o filme de 1h34min segue Paula Pratta, uma influenciadora de moda obcecada por likes, cujo mundo desaba quando seu filho abandona São Paulo pela Amazônia. Com toques de humor leve e reflexões sobre maternidade, a produção tenta equilibrar risos e emoção. Mas entrega o que promete? Nesta análise, destrinchamos os acertos e falhas para guiar sua escolha.

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Premissa leve com potencial inexplorado

Paula Pratta vive para o glamour digital. Convite para uma campanha de Dia das Mães com uma gigante da moda parece o ápice de sua carreira. Só que Cadu, seu filho de 18 anos, troca a faculdade por uma viagem à Amazônia para “encontrar propósito”. Desesperada, Paula o segue, mergulhando em um mundo de perrengues: mosquitos, indígenas e zero sinal de Wi-Fi. O roteiro usa esse choque cultural para satirizar o egocentrismo das redes sociais.

A ideia é fresca no cinema nacional. Contrapor o caos fashion de São Paulo à simplicidade amazônica gera cenas hilárias, como Paula posando com cocares falsos. No entanto, o enredo tropeça na superficialidade. O que poderia ser uma crítica afiada ao consumismo vira piada repetitiva. A Amazônia serve mais como pano de fundo exótico do que tema profundo, como criticado no Cinem(ação). Faltam camadas sobre preservação ou identidade cultural, deixando o filme preso a gags previsíveis.

Elenco carismático salva o dia

Ingrid Guimarães brilha como Paula. Sua expertise em comédias – de De Pernas pro Ar a Mulheres Alteradas – transborda aqui. Ela equilibra vaidade cômica com vulnerabilidade materna, especialmente nas cenas de reconciliação com Cadu. Momentos como o choro no rio Amazonas arrancam gargalhadas misturadas a empatia, ecoando posts no X de fãs que se identificaram como mães.

Rafa Chalub, como Cadu, forma dupla afinada com Ingrid. Seu timing cômico eleva diálogos bobos, e a química revela o conflito geracional sem forçar. Filipe Bragança surge como o guia amazônico, trazendo autenticidade com sotaque e presença física. O elenco secundário, incluindo indígenas reais em papéis consultados, adiciona verossimilhança. Ainda assim, personagens periféricos, como a rival fashion, ficam rasos, servindo só para enredo.

Direção visualmente cativante

Flavia Lacerda estreia com mão leve. Sua direção capta o contraste entre o neon paulistano e a exuberância verde da floresta, com fotografia de beleza estonteante – elogiada no Lagoa Nerd. Cenas noturnas no rio ou danças indígenas ganham cor vibrante, valorizando a locação em Parintins e Manaus. O ritmo de 94 minutos evita enrolação, fluindo como um vlog caótico.

Porém, o tom oscila. Comédia domina, mas inserções dramáticas sobre abandono filial soam abruptas. O roteiro de Ingrid e Célio Porto, coescrito pela estrela, injeta autoironia, mas peca em originalidade. Piadas sobre selfies em meio a perigos amazônicos funcionam no início, mas repetem-se, como notado na Veja SP. A trilha sonora pop, com toques regionais, anima sem inovar.

Crítica social diluída em humor

O filme toca em temas atuais: pressão das redes, laços familiares frágeis e choque urbano-rural. Paula representa a geração millennial presa ao virtual, enquanto Cadu busca autenticidade na natureza. Essa dicotomia poderia enriquecer o debate sobre sustentabilidade, mas fica na superfície. A representação amazônica, apesar de consultoria indígena, esbarra em estereótipos – caboclos sábios versus citadinos tolos –, criticado no Meio Amargo.

Comparado a comédias como Minha Mãe é uma Peça, Perrengue Fashion é menos escrachado, mais reflexivo. Diferente de Que Horas Ela Volta?, que usa humor para cutucar classes, aqui a sátira é branda. No contexto de 2025, com debates sobre influencers e preservação, o filme acerta em entreter sem ofender, mas perde chance de profundidade, como apontado no NoSet.

Vale a pena assistir?

Perrengue Fashion diverte em sessões leves. Ideal para famílias ou fãs de Ingrid, que entregam 80 minutos de risos garantidos. A mensagem sobre reconexão mãe-filho ressoa, especialmente pós-pandemia, e a beleza visual justifica o play na Prime Video. No IMDb, nota 6.5 reflete o misto: público ri, críticos pedem mais substância.

Se busca comédia descompromissada, sim – assista e ria dos perrengues. Para narrativas mais afiadas, opte por Bacurau. Com 3/5 estrelas, é um guilty pleasure brasileiro, fashion mas com alma.

Perrengue Fashion acerta no carisma de Ingrid Guimarães e na química familiar, transformando um meme de influenciadora em filme acessível. A direção de Flavia Lacerda encanta visualmente, mas o roteiro superficial limita o impacto. Em um ano de produções nacionais variadas, ele se destaca pela leveza, convidando risos sobre o absurdo digital. Vale para quem quer descontração amazônica, mas não revoluciona o gênero. No Prime Video, é um perrengue charmoso – e isso basta.

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Magui Schneider
Magui Schneider

Como Editora-Chefe do Séries Por Elas, Magdalena (Magui) é responsável pela curadoria e tom editorial do portal. Magui traz um diferencial único: sua formação como Psicóloga (CRP-RS 07/27539). Ela utiliza sua expertise no comportamento humano para enriquecer as críticas de cinema e TV, oferecendo uma visão analítica e humana sobre o desenvolvimento de personagens e tramas.

Especialista em narrativas de drama, romance e comédia, a ‘Little Monster’ fã declarada da Lady Gaga, traduz sua visão profissional em análises que conectam o público às emoções das telas. É ela quem garante que, aqui, a paixão de fã e a análise séria andem de mãos dadas.

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