Frankenstein, Final Explicado: A Criatura Morre?

O novo Frankenstein, dirigido por Guillermo del Toro e disponível no Netflix desde 23 de outubro de 2025, reinventa o clássico de Mary Shelley com uma profundidade emocional rara. Com Oscar Isaac como Victor Frankenstein, Jacob Elordi como a Criatura e Mia Goth em papéis duplos, o filme mescla drama, ficção científica e terror gótico. Del Toro, que chama a obra de sua “Bíblia”, transforma a história em um diálogo sobre paternidade, trauma e aceitação. Neste artigo, dissecamos o final, revelando quem sobrevive, o que significa o perdão e como o ciclo de dor se quebra. Sem spoilers desnecessários antes do tempo, focamos no desfecho para quem já assistiu ou quer entender sem estragar a jornada.
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O Prelúdio no Gelo: O Encontro que Define o Destino
O filme abre em uma tundra congelada, onde o Capitão Anderson (Lars Mikkelsen) comanda a tripulação da Horisont, presa no gelo. Esse explorador implacável, obcecado pelo Polo Norte, representa a ambição cega – um eco de Victor. Uma explosão revela Victor, congelado e ferido, resgatado pela equipe. Logo, uma figura colossal surge: a Criatura, imortal e vingativa, ataca o navio com força sobre-humana.
Anderson, com um tiro de mosquete, quebra o gelo sob os pés da Criatura, salvando temporariamente a todos. Victor, com a perna amputada pelo frio, confessa: “Eu o criei”. Essa admissão inicia o cerne narrativo, inspirado diretamente no romance de Shelley. Del Toro filma a cena como um limbo operático, com o navio construído em um gimbal mecânico para realismo tátil. “Queria que parecesse um filme antigo de Hollywood, luxuoso e belo”, explica o diretor. Aqui, o gelo não é mero cenário; simboliza o isolamento de criador e criatura, forçando Victor a contar sua história.
A Trajetória de Victor: Da Criação à Queda
Victor, narrador inicial, rememora sua infância no solar Frankenstein. Filho de Leopold (Charles Dance), um cirurgião cruel, e Claire (Mia Goth), uma mãe afetuosa que morre no parto de Elizabeth, Victor carrega traumas profundos. Goth interpreta ambas com sutileza: Claire em francês, com véu vermelho simbolizando o lar perdido; Elizabeth como uma borboleta intensa, que desperta desejo e conflito em Victor.
Adulto, Victor (Isaac) impressiona e choca a Royal Society of Medicine ao reanimar um cadáver com baterias galvânicas. Patrocinado por Heinrich Harlander (Christoph Waltz), um traficante de armas sifilítico, ele acessa a mítica quinta mesa Evelyn – uma invenção fictícia baseada em preparações anatômicas reais do século XVII, que guiam sua busca pela energia linfática. Harlander exige um favor: transplantar seu cérebro para o corpo patchwork da Criatura.
A recusa leva a tragédia. Harlander cai de uma torre durante uma briga, e Victor, em êxtase, ativa a Criatura com raios e condutores de prata. Inspirado em Leonard Bernstein e Rick Wakeman, Isaac filma a cena como um “concerto rock”, girando em torno da mesa em forma de crucifixo. Mas o despertar é silencioso; a Criatura (Elordi) imita Victor como uma criança, aprendendo o sol e palavras básicas. Del Toro enfatiza a delicadeza: Elordi estudou Butoh, dança de reanimação, para capturar inocência em vez de fúria bruta.
A Jornada da Criatura: De Filho Rejeitado a Ser Pensante
Enquanto Victor narra, a Criatura espera do lado de fora da cabine. Seu turno chega: “Meu criador contou sua história. Agora, conto a minha”. Escapando das chamas da torre – incendiada por Victor em raiva, após o monstro sussurrar “Elizabeth” em vão –, ela vaga pelas florestas. Encontra abrigo em um moinho abandonado, espiando uma família pobre: avô cego (David Bradley), que lê histórias; neta, que aprende palavras.
A Criatura retribui anonimamente, coletando lenha e construindo um estábulo, vista como espírito da floresta. Quando a família parte no inverno, ela se revela ao avô, aprendendo a ler e confessando dores fragmentadas: “Sou filho de uma casa de carniça”. O idoso, perdoando pecados passados, incentiva perdão. Mas lobos ferem o avô; a família, ao retornar, atira na Criatura, crendo-a culpada.
Imortal, ela busca Victor na mansão Frankenstein, implorando uma companheira: “Podemos ser monstros juntos”. Rejeitada, a fúria explode. Elizabeth, intervindo, é baleada por Victor; William (Felix Kammerer), irmão de Victor, é arremessado e morre acusando: “Você é o monstro”. A Criatura carrega Elizabeth para uma caverna, onde trocam adeus compassivos. “Ela vê a alma pura onde Victor vê decepção”, nota del Toro. Elizabeth representa amor que enxerga promessa em falhas.
O Confronto Final: Redenção no Navio Congelado
De volta à Horisont, as narrativas colidem. Victor, ouvindo a versão da Criatura, confronta seu fracasso como pai. “A primeira parte é do cientista; a segunda, quando o filho diz: ‘Foi isso que você errou'”, descreve del Toro. Isaac vê o ciclo: trauma passado de Leopold para Victor, que o replica na Criatura. “É a criança que Victor foge, tentando recriá-la”.
A Criatura perdoa. “No perdão, ela aprende a ser humana – não pela violência, mas entendendo as falhas do pai”, afirma Elordi. Ecoando lições iniciais, Victor pede: “Diga meu nome como no começo”. A Criatura obedece; Victor morre em paz, aceitando o filho. Essa cena remete a Pinóquio de del Toro, onde Gepeto abraça o “filho anormal”. “Ambos são sobre pais decepcionados com filhos imperfeitos”, admite o diretor.
Anderson libera a Criatura, que, em troca, solta o navio do gelo. “Vamos para casa”, ordena o capitão ao horizonte traiçoeiro. A Criatura, sozinha, estende os braços ao sol ártico, lágrima congelada no rosto – eco da primeira lição de Victor. “Frankenstein é aceitar a vida sem a morte, ser feliz por estar vivo”, resume del Toro. Ela vive agora, livre do ciclo.
O Significado do Final
O desfecho de Frankenstein quebra o arquétipo: Victor não é herói trágico, mas tirano vitimista, como del Toro alerta. “Ele destrói vidas choramingando ‘pobre de mim'”. A Criatura, educada por bondade externa, escolhe perdão sobre vingança, humanizando-se. Elizabeth e William morrem como vítimas colaterais; Harlander, como figura patética em busca de vida extra.
Para del Toro, o filme culmina seu ciclo criativo – ecos em Cronos, A Forma da Água e Blade II. “Queria cantar em outra chave: pai e filho, tornando-se pai após ser filho”. Elordi chama de “conversa com o pai arquetípico”.
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