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5 motivos para começar a assistir “The Get Down” AGORA

5 motivos para começar a assistir “The Get Down” AGORA

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“The Get Down”

Bom, para falar aqui na honestidade, eu tenho 18328920 motivos pessoais para assistir a nova série da NetflixThe Get Down“. Só que o post não pode ficar tão grande e, menos ainda, tão regado de spoiler – ninguém é obrigada.

Chewing Gum: protagonismo feminino, autenticidade e muito humor

Daí eu tô aqui, humildemente, escrevendo sobre motivos anteriores à série – isso mesmo, independentemente de qualquer episódio -, motivos que já valiam quando o primeiro trailer foi lançado lá em janeiro e me causou quase que uma crise de ansiedade.

 

Ah, mas se você é do tipo da amiga do meu irmão que consome mais spoiler que os litros d’água necessários do dia, os reviews dos episódios já estão chegando. Segura a onda mais uns dias. Força, miga.

  1. É, antes de mais nada, sobre representatividade

Puxa na memória aí as séries que você viu com protagonistas negras e negros. Sim, aquelas da infância como “Todo Mundo Odeia o Chris”, “Um Maluco no Pedaço”, “Eu, a patroa e as crianças”. A gente se amarrava, né? E também agora a Viola Davis dona da p**** toda em “How to Get Away With Murder“. Ô, mulher.

Citei as mais famosas, sim, mas agora pensa na quantidade de séries produzidas anualmente para um número cada vez maior de consumidores, principalmente da Netflix, que chegam a devorar uma temporada inteira em um dia e já saem procurando outros confortos até a espera da próxima. Parece que tá rolando mais investimento, né? Tão produzindo mais, por uma questão simples de oferta-demanda. Já dá até pra sentir saudade da época que a gente pagava 16,90. E não faz nem um ano.

O cardápio é de muitas e muitas séries, mas como diz uma amiga “Quantas pretas e pretos nisso aqui?”. Protagonizando. Entre todas séries produzidas anualmente, incluindo também a Warner, a Fox, etc. Já parou pra pensar? Só na TV aberta estado-unidense, estreia uma média de 50 séries por ano, que ganham temporadas novas conforme a resposta da audiência. Fora as que já tão rolando há um tempo.

A importância da representatividade vem sido reconhecida por diferentes geradores de conteúdo e meios de comunicação – com exceções, é claro, como o close errado da campanha Vogue Brasil, que usou imagens da Cléo Pires, Paulo Vilhena e muito Photoshop para uma campanha paraolímpica.

Por muito tempo, a gente viu brancas e brancos fazendo papel de negras e negros e outras etnias (saiba aqui), mas a luta por direitos e visibilidade por parte da população negras em países culturalmente brancos vem ganhando espaços.

É muito maneiro ver esse movimento da Netflix (mas não vamos parar por aí!), depois de uma linha do tempo de protestos por jovens negros vivos, o álbum Lemonade e a performance da Beyonce no Superbowl, ao mesmo tempo do crescente apoio a Donald Trump para as eleições dos Estados Unidos.

Os protagonistas são pretos e/ou imigrantes da América Latina, o foco é a periferia, numa tentativa talvez de cutucar o imaginário dos que acreditam que não é um lugar de potências. Porque foi no Bronx da década de 70, em meio a disputas territoriais e de poder, violência e falta de oportunidades, que surgia um dos movimentos musicais de maior expressão, conhecimento de causa e força que o mundo já viu até hoje.

 

  1. É sobre o nascimento do Hip Hop

Pois é, cara. Tá ligado nos 5 elementos do Hip Hop? DJ, MC, Break Dance, Grafite e Conhecimento? Eles todos vão ser abordados na série: é Hip Hop sem ter esse nome ainda. E eu tenho certeza de que se você tá ligado no movimento, vai reconhecer uma amiga ou amigo em algum personagem. Vai lembrar de quando vocês compravam DVD pirata com os 100 maiores sucessos do Hip Hop pra assistir na casa da amiga que tinha aparelho DVD. E aprender TODAS as coreografias.

 

  1. Música não é só trilha sonora: é narrativa

Já deu uma olhada no primeiro trailer e no trailer oficial? Dá pra sentir a pegada dos anos 70 de cara. A trilha sonora tem o compromisso de ser fiel ao momento histórico.

Mas e quando pensamos a música inserida em uma territorialidade específica? Ele narra histórias. Tô falando no Rap que, desde seu nascimento, fala de realidades específicas. Eu vejo como poesia que nasceu do protesto. O Rap, quando se alia ao Conhecimento, agrega algo mais profundo, porque tá pra além de uma forma de expressão, de fazer arte. O rapper tá ali contando histórias, fazendo denúncia: botando a cara e o cangote por experiências específicas. As suas, as da sua gente.

Acho que é muito mais que artistas buscando inserção na cena de cultura de suas cidades, zonas – isso, por si só é uma grande disputa -, é um fenômeno que envolve sujeito e território. Narrativas e imaginários. É peleja do início ao fim.

  1. É uma ficção, se liga

The Get Down poderia ser um documentário sobre o Bronx na década de 70 do Spike Lee? Sim. Nas minhas vivências, vejo uma movimentação grande nas periferias/favelas de produção de documentários, às vezes feito pra tentar “retratar uma realidade”, ou pra disputar a narrativa de carência e violência reproduzida equivocadamente pela grande mídia.

Particularmente, acho a ficção mais atraente. Porque é a possibilidade de você contar histórias universais de conflitos humanos em diferentes espaços-tempo. Às vezes me dá a sensação de que todas as histórias já foram contadas, e a gente só fica mudando os personagens, o lugar e quando acontece.

Pega por exemplo o episódio “Deixa Voar”, do filme brasileiro 5x Favela, no qual cada um dos episódios é dirigido por um diretor de favela e periferia. Cadu Barcellos, o diretor desse episódio, roteirizou a história de um menino e uma menina, que se gostam mas moram em favelas de facções rivais e por isso não podem ir na casa um do outro. Um dia ele é obrigado a buscar uma pipa que cai do outro lado e então eles se encontram. Não parece um pouco com as tretas entre os Montecchio e os Capuletos de Romeu e Julieta? E ainda assim, conta sobre favela? Pois é.

  1. Mylene em primeiro lugar

Pelos trailers, dá pra reparar que essa mina protagonista tem um plano, tem prioridades, tem desejo de realizar. Não é apenas um sonho. É desejo, que é tão forte, que a move pra ação, pra conflitos, passando por todos os perrengues pra conseguir o que ela quer.

Mylene é filha de imigrante nos Estados Unidos, moradora do Bronx. Contra todas as estatísticas e padrões estabelecidos em uma sociedade tão segregada, ela tá aí, brigando. O que pra nós, mulheres, vale por toda a série.

Do tipo: lugar de mulher é onde ela quiser!

 

Ana Clara Branco Ana Clara é mineira, cria de Vila Caxias. Tem 21, e é cinéfila de periferia em formação. Curte um papo reto no afeto, porque acredita que a gente tá na vida pra somar. Ainda não decidiu se gosta mais de café ou de cerveja, mas fica super feliz quando é convidada pra tomar um dos dois. Comemora sempre, mesmo quando é uma vitória aparentemente mínima. Porque é importante se empolgar e celebrar.