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Pen15 CRÍTICA: O Doloroso e Hilário Retrato de Nossas Próprias Feridas de Adolescência

Quem de nós não guarda uma lembrança constrangedora dos tempos de colégio? Olhar para o passado e encarar a nossa própria esquisitice é a proposta central de Pen15, uma das comédias mais originais e viscerais dos últimos tempos. Produzida originalmente pela Hulu, a série conta com duas temporadas que viraram um verdadeiro fenômeno de descoberta nas redes sociais.

Atualmente, a produção não está disponível em nenhuma plataforma de streaming oficial no Brasil. Ela já fez parte do catálogo do Paramount+ através do Comedy Central, mas foi infelizmente retirada. Para assistir de forma totalmente legal no país hoje, a única saída é utilizar uma VPN para acessar o serviço original da Hulu americana. Garanto que o esforço compensa. Se você tiver coragem de revisitar os momentos mais bizarros, autênticos e sensíveis da sua própria transição para a vida adulta, essa jornada vai te arrebatar por completo.

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O Direito de Ser Inadequada, Esquisita e Profundamente Humana

No portal Séries Por Elas, nós passamos a vida buscando produções que retratem a experiência feminina longe dos filtros de perfeição que a sociedade nos impõe. É por isso que Pen15 é um verdadeiro oásis de honestidade. A série foi idealizada, escrita e protagonizada por duas mulheres brilhantes: Maya Erskine e Anna Konkle. O grande trunfo aqui é que, durante as filmagens, as duas atrizes já tinham 31 anos de idade. Mesmo assim, elas decidiram interpretar a si mesmas aos 13 anos. Elas dão vida às estudantes antissociais Maya Ishii-Peters e Anna Kone.

Essa decisão de elenco gera um impacto psicológico belíssimo. Ao colocar duas mulheres adultas convivendo com um elenco composto inteiramente por atores que são crianças de verdade, a série expõe visualmente o tamanho da nossa inadequação naquela fase da vida. Para a mulher contemporânea, assistir às desventuras de Maya e Anna é um processo terapêutico de acolhimento.

A narrativa aborda sem tabus as dores do primeiro sutiã, a humilhação do isolamento social, a pressão para agradar aos garotos e as dinâmicas familiares complexas, como o divórcio dos pais. O show dialoga com a nossa criança interior ao validar o direito das meninas de serem feias, confusas, barulhentas e cheias de hormônios. Em um mundo que exige que as garotas cresçam e sejam perfeitas tão rápido, ver duas meninas sendo deliciosamente imperfeitas é um ato de pura libertação e agência feminina.

“Revisitar a nossa própria esquisitice na adolescência não é apenas lembrar do passado; é fazer as pazes com a menina que sobreviveu para que nos tornássemos as mulheres de hoje.”

A Estética do Desconforto e a Química Invencível da Amizade

O roteiro de Pen15 é uma obra-prima da comédia de constrangimento. Ele consegue transformar pequenos eventos cotidianos — como uma brincadeira idiota no pátio ou a escolha de uma roupa para a festa da escola — em verdadeiros desastres emocionais de proporções épicas.

O próprio título da série nasce de uma travessura infantil de colégio, aquela piada boba de convencer alguém a escrever “Pen15” na mão para parecer a palavra pênis em inglês. Essa sensibilidade crua e sem filtros fez com que alguns espectadores considerassem certas cenas problemáticas. De fato, a série não tem medo de caminhar na linha tênue do desconforto. Mas ela faz isso sempre sob uma ótica de profunda empatia psicológica pelos sentimentos da juventude.

As atuações de Maya Erskine e Anna Konkle são irretocáveis. A entrega física das duas é impressionante. Elas mudam a postura, o olhar e o tom de voz para capturar a essência daquela idade ingênua. A química entre as duas é o verdadeiro motor da história. Elas constroem um retrato belíssimo sobre o que significa ter uma melhor amiga na adolescência.

Aquela pessoa que é o seu escudo contra a crueldade do mundo e que divide com você os segredos mais íntimos. No elenco de apoio, destacamos as performances sensíveis de Mutsuko Erskine (mãe real de Maya na vida real e na ficção), Taj Cross como o colega Sam, e os veteranos Richard Karn, Melora Walters e Taylor Nichols, que trazem humanidade aos conflitos familiares que cercam as meninas.

Visualmente, a direção da série abraça com precisão a nostalgia dos anos 2000. A fotografia usa cores vibrantes e uma textura levemente lavada que remete aos vídeos caseiros e às memórias de infância. A trilha sonora é uma cápsula do tempo perfeita, recheada de hits pop e baladas da época que ditavam o ritmo dos nossos diários. A mise-en-scène recria com perfeição o caos dos corredores da escola, os quartos entulhados de pôsteres e a iluminação fria das salas de aula.

Cada detalhe técnico trabalha de forma impecável para fazer o público imergir completamente na atmosfera da época. É uma direção que sabe exatamente quando usar o silêncio para destacar a vergonha de uma cena ou quando acelerar a montagem para transmitir a ansiedade de um coração jovem.

“A amizade feminina na juventude é a nossa primeira grande história de amor. É o porto seguro onde podemos desabar sem medo de sermos julgadas.”

O Veredito do Coração

<strong>NOTA: 5/5</strong>

Pen15 é uma comédia genial que dói e faz rir na mesma proporção. Ao usar a bizarrice como ferramenta narrativa, as criadoras entregam uma das investigações mais bonitas e honestas sobre a saúde mental e os laços afetivos na juventude. É um abraço apertado em todas as mulheres que um dia já se sentiram deslocadas ou invisíveis na escola.

  • Onde Assistir (Oficial): Disponível nos Estados Unidos pela plataforma Hulu (Acesso no Brasil via VPN).

AVISO: O portal Séries Por Elas reforça a importância de apoiarmos os canais e as plataformas de distribuição oficiais da indústria audiovisual. Embora a ausência de Pen15 nos catálogos brasileiros empurre muitas pessoas para a pirataria, lembramos que consumir cultura de forma legal é fundamental para proteger a segurança digital do público e valorizar o trabalho das criadoras, roteiristas e de todo o elenco envolvido.

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