Por que ‘O Drama’ com Zendaya está desafiando nossa percepção sobre o mal?

Até onde vai o nosso perdão quando o rosto do “monstro” é alguém que amamos? O Drama, a nova aposta da Diamonds Films com Zendaya e Robert Pattinson, não é apenas um filme; é um experimento social. Ao colocar uma das atrizes mais carismáticas da geração no papel de alguém que planejou uma atrocidade, a obra força o público a enfrentar um desconforto psicológico profundo: a humanização do imperdoável.

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Qual a Polêmica de O Drama?

A trama de O Drama quebra a barreira do entretenimento comum ao tocar em uma ferida aberta: o planejamento de massacres escolares. No filme, a personagem de Zendaya confessa ter planejado um ataque no passado. A polêmica escalou quando familiares de vítimas reais, como as de Columbine, levantaram uma bandeira vermelha sobre como a escolha do elenco pode manipular nossa bússola moral.

O diretor Kristoffer Borgli parece usar o carisma de seus protagonistas para testar o espectador. Se o personagem fosse um estranho, o julgamento seria imediato. Mas sendo a “queridinha da América”, o cérebro do público entra em um estado de dissonância cognitiva.

Análise Psicológica da Trama

A humanização de personagens com traços ou passados violentos é uma faca de dois gumes na psicologia das massas. Quando a ficção nos apresenta um “vilão” com camadas, dores e um rosto familiar, ela nos obriga a reconhecer que a maldade não é um conceito abstrato, mas algo que pode residir em pessoas comuns.

O que o filme nos obriga a questionar:

  • Identificação Projetiva: Tendemos a projetar virtudes em atores que admiramos, o que dificulta a condenação de seus personagens.
  • Normalização do Trauma: Ao tratar o planejamento de um massacre como um “segredo de casal”, o filme corre o risco de trivializar a gravidade da intenção violenta.
  • O Estigma da Saúde Mental: A obra navega na linha tênue entre explicar uma psicopatologia e usá-la como um artifício de roteiro para gerar choque.
  • Empatia Seletiva: Por que estamos dispostos a ouvir o lado de quem planejou, mas temos dificuldade em processar a dor de quem sofreu as consequências na vida real?

Detalhes Que Você Pode Ter Perdido (O Olhar Clínico)

No Séries Por Elas, analisamos que o “twist” de O Drama não é apenas sobre o que a personagem fez, mas sobre a necessidade narcísica de confessar. A cena do jogo de salão, onde o segredo é revelado, mostra uma busca por validação emocional que é comum em perfis de alta complexidade psicológica.

Perspectiva Feminina e Clínica: Frequentemente, mulheres que exibem pensamentos violentos são silenciadas ou diagnosticadas apenas como “instáveis”. O filme dá a essa mulher uma voz, mas a que custo? A agência feminina aqui é explorada de forma sombria: ela não é uma vítima passiva das circunstâncias, mas alguém que tomou uma decisão consciente — e essa decisão, mesmo não executada, molda sua identidade atual.

Conclusão

Com a estreia em 09 de abril, o debate sobre O Drama deve migrar das redes sociais para os consultórios e salas de aula. É provável que o filme se torne um estudo de caso sobre como a mídia influencia a nossa percepção de segurança e moralidade.

Se o objetivo de Borgli era gerar conversa, ele já venceu. Mas, como sociedade, precisamos decidir se estamos prontos para consumir a “humanização do mal” como entretenimento de sexta à noite.

Copyright © 2026 Séries Por Elas. Este artigo une análise cinematográfica e conceitos de psicologia. A reprodução sem autorização é proibida. Se você ou alguém que você conhece está passando por momentos de crise, busque ajuda profissional em centros de saúde mental.

Dúvidas Frequentes (FAQ)

O que é a “Humanização do Mal” no cinema?

É o recurso de dar características positivas, dores e motivações compreensíveis a personagens que cometem ou planejam atos terríveis.

Por que a escolha da Zendaya é controversa?

Devido ao seu enorme carisma e conexão com o público jovem, o que pode gerar uma empatia automática que mascara a gravidade das ações da personagem.

O filme O Drama defende a personagem?

Ainda não sabemos. A crítica de sobreviventes sugere que o filme pode “normalizar” o comportamento ao tratá-lo dentro de uma comédia romântica/drama.

Qual a relação com o massacre de Columbine?

O pai de uma das vítimas criticou o filme por sentir que ele usa a estética de tragédias reais para gerar entretenimento provocativo.

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Magui Schneider
Magui Schneider

Como Editora-Chefe do Séries Por Elas, Magdalena (Magui) é responsável pela curadoria e tom editorial do portal. Magui traz um diferencial único: sua formação como Psicóloga (CRP-RS 07/27539). Ela utiliza sua expertise no comportamento humano para enriquecer as críticas de cinema e TV, oferecendo uma visão analítica e humana sobre o desenvolvimento de personagens e tramas.

Especialista em narrativas de drama, romance e comédia, a ‘Little Monster’ fã declarada da Lady Gaga, traduz sua visão profissional em análises que conectam o público às emoções das telas. É ela quem garante que, aqui, a paixão de fã e a análise séria andem de mãos dadas.

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