Desde o primeiro episódio, Stranger Things deixou claro que Dungeons & Dragons não era apenas um detalhe nerd ou uma referência estética dos anos 1980. O jogo sempre funcionou como metáfora central da narrativa, ajudando a explicar monstros, dimensões paralelas e, principalmente, o amadurecimento de seus personagens. Por isso, não é coincidência que a série termine exatamente da mesma forma que começou: com um jogo de D&D no porão de Mike Wheeler.
No episódio final da quinta temporada, “Capítulo 8: O Lado Certo”, a cena do último jogo carrega um peso simbólico enorme. Mais do que nostalgia, ela representa o adeus definitivo à infância — tanto para os personagens quanto para o público.
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O retorno ao porão: um círculo que se fecha
No epílogo de Stranger Things, Mike, Lucas, Max, Will e Dustin se reúnem uma última vez ao redor da mesa de Dungeons & Dragons. O cenário é o mesmo do início da série: o porão da casa dos Wheeler, local onde tudo começou.
Segundo Ross Duffer, essa escolha nunca foi casual.
“Isso foi planejado há muito tempo. Parecia certo fechar o ciclo. Essa história é sobre esse grupo de personagens se despedindo da infância.”
O porão, especificamente, simboliza um espaço seguro, onde os meninos podiam ser eles mesmos antes de Hawkins se tornar um campo de batalha sobrenatural. Foi ali que o público os conheceu — ainda crianças, imaginando aventuras que, ironicamente, se tornariam reais.
Dungeons & Dragons como símbolo da infância
Para os irmãos Duffer, Dungeons & Dragons representa a essência da infância dos personagens. Não se trata apenas de um jogo, mas de imaginação, amizade e inocência.
“Aquele porão, e especificamente o jogo de Dungeons & Dragons, representa a infância deles. Para se despedir disso, era preciso jogar uma última vez.”, explicou Ross Duffer.
Ao longo da série, o RPG funcionou como:
- linguagem para entender o Mundo Invertido
- ferramenta para nomear monstros e ameaças
- ponto de conexão entre os amigos
Encerrar a série com esse jogo é uma forma clara de dizer que a imaginação infantil deu lugar à maturidade, ainda que a fantasia nunca desapareça completamente.
Uma despedida emocional também fora das câmeras
O impacto da cena não foi apenas narrativo. Segundo Matt Duffer, o momento foi profundamente emocional também nos bastidores.
“Foi muito nostálgico filmar essa cena. O que os atores estavam sentindo e o que nós estávamos sentindo refletia exatamente o que estava acontecendo na história.”
Curiosamente, os criadores revelaram que:
- a primeira cena filmada da série foi o jogo de D&D no episódio piloto
- a última cena gravada também foi um jogo de D&D
Até mesmo a movimentação de câmera foi pensada para imitar a estética da primeira temporada, reforçando a ideia de ciclo completo.
O adeus à infância de Mike Wheeler
Entre todos os personagens, Mike Wheeler é quem carrega o peso emocional mais forte nessa cena. Após os eventos traumáticos da temporada final e o destino ambíguo de Eleven, Mike observa o jogo com um misto de saudade e aceitação.
Segundo Ross Duffer, naquele momento, Mike está:
- lembrando das alegrias da infância
- se despedindo das aventuras vividas
- aceitando que aquele tempo não volta
Com o futuro de Eleven deixado em aberto, o jogo também funciona como um ritual de luto silencioso, não apenas pela possível perda de El, mas pela perda da própria inocência.
A passagem de bastão: Holly assume a mesa
Um detalhe fundamental da cena é a entrada de Holly Wheeler, irmã mais nova de Mike, que ocupa o lugar à mesa ao lado de seus amigos para iniciar uma nova campanha de Dungeons & Dragons.
Esse momento simboliza claramente:
- o fim de uma era
- o início de outra
- a continuidade da imaginação, mesmo com novos personagens
Mike se levanta e cede espaço. Ele não interrompe, não orienta. Apenas observa. É o gesto definitivo de quem entende que sua história chegou ao fim, mas outras estão apenas começando.
O último jogo como metáfora da série inteira
Em termos narrativos, o último jogo de D&D funciona como:
- resumo simbólico de Stranger Things
- despedida dos personagens principais
- homenagem à amizade como força central da história
Desde o início, a série foi menos sobre monstros e mais sobre laços emocionais, escolhas difíceis e crescimento. O RPG sempre esteve ali para lembrar que, no fundo, tudo começou com crianças tentando entender o mundo através da imaginação.
Encerrar a série dessa forma reforça a ideia de que Stranger Things nunca foi apenas sobre terror ou ficção científica, mas sobre o fim inevitável da infância.
E o futuro de Stranger Things?
Embora a série principal tenha chegado ao fim, os irmãos Duffer já confirmaram que o universo continuará vivo. Entre os projetos confirmados está:
- Stranger Things: Tales from ’85, série animada que explorará eventos paralelos e personagens queridos
No entanto, os criadores deixam claro que a história original do grupo de Hawkins está completa. O último jogo de D&D sela esse encerramento de forma delicada e respeitosa.
Conclusão: por que essa cena é tão importante
O último jogo de Dungeons & Dragons em Stranger Things não é apenas uma referência ao passado. Ele representa:
- o adeus à infância
- a aceitação da perda
- o crescimento inevitável
- a continuidade das histórias, mesmo sem os mesmos protagonistas
Ao terminar exatamente onde começou, a série entrega um final circular, emocional e coerente com tudo o que construiu ao longo de cinco temporadas.
E, assim como os personagens, o público também se despede — com saudade, mas com a sensação de que aquela história foi contada até o fim.
Todos os episódios de Stranger Things estão disponíveis na Netflix.
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