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CRÍTICA: Depois Daquele Verão Série | O Peso dos Erros do Passado e a Busca Pelo Perdão que Cura

Sentar para assistir a uma nova história de amor é, muitas vezes, revisitar as nossas próprias memórias de juventude. É com esse sentimento de nostalgia e acolhimento que recebemos Depois Daquele Verão (Every Year After), a nova aposta romântica da Amazon Prime Video. Composta por oito episódios, a produção é uma adaptação do livro da autora canadense Carley Fortune, sob o comando da criadora Amy Harris.

Embora a narrativa mergulhe fundo no melodrama e nas dores de um amor interrompido, ela entrega exatamente o que promete: uma jornada sensível sobre o tempo, a perda e o amadurecimento. Se você procura uma maratona confortável para o fim de semana, daquelas que aquecem e apertam o coração na mesma medida, este lançamento merece a sua atenção.

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O Fardo do Arrependimento e as Redes de Apoio na Maturidade

No portal Séries Por Elas, nosso olhar sempre se volta para como as mulheres lidam com suas escolhas e vulnerabilidades na tela. Em Depois Daquele Verão, a protagonista Percy Fraser, interpretada pela talentosa Sadie Soverall, foge do estereótipo da heroína perfeita. Aos 28 anos, ela trabalha escrevendo obituários em Seattle e carrega uma bagagem pesada: uma década inteira de culpa por um erro cometido na adolescência. Essa dor moldou sua personalidade, suas relações e até seus ataques de pânico. Olhar para Percy é dialogar com a mulher contemporânea que, muitas vezes, se cobra excessivamente por falhas do passado, esquecendo-se de exercitar a autocompaixão.

O grande trunfo feminino da série, no entanto, está nas relações de cuidado que cercam a protagonista. Chantal, vivida por Aurora Perrineau, é a melhor amiga que todas nós merecemos. Advogada bem-sucedida, ela larga sua rotina intensa para acompanhar Percy até a pequena cidade de Barry’s Bay, servindo como uma âncora de realidade e sanidade.

Além disso, a figura de Sue Florek, interpretada pela querida Elisha Cuthbert, surge como o verdadeiro coração da história. Mesmo aparecendo através de lembranças, Sue representa o arquétipo da maternidade acolhedora. Ela é aquela mulher que estende a mão para uma jovem Percy em momentos cruciais, como a chegada da primeira menstruação. O impacto social da narrativa reside justamente aí: na cura que só acontece quando as mulheres se apoiam e se validam mútuamente em suas imperfeições.

“O amadurecimento feminino começa quando paramos de nos punir pelos erros de quem fomos no passado.”

Entre a Beleza do Cenário e as Armadilhas do Melodrama

A estrutura de Depois Daquele Verão divide-se em duas linhas temporais, passeando entre os verões ensolarados da adolescência e a melancolia do presente. Essa transição ganha força graças à belíssima fotografia realizada nas paisagens da Colúmbia Britânica. O visual abusa do azul infinito do lago e de uma iluminação dourada que evoca a sensação de liberdade da juventude. É um cenário paradisíaco que funciona quase como um personagem, contrastando com os tons mais frios e fechados que acompanham a vida adulta de Percy na cidade grande.

No campo das atuações, Sadie Soverall entrega uma Percy intensamente expressiva, embora o roteiro por vezes abuse de seu lado melancólico. A química com Matt Cornett, que interpreta o namorado de juventude Sam Florek, flerta com o clássico jogo de “vai e volta” dos romances juvenis. Sam, agora transformado em um jovem médico, carrega algumas falas um tanto açucaradas demais, mas o esforço do ator em transmitir o peso do primeiro amor é nítido. O contraponto dramático fica por conta de Michael Bradway como o irmão mais velho, Charlie Florek, cujo físico imponente e carisma trazem dinamismo para as cenas em Barry’s Bay.

O roteiro, embora tome liberdades em relação ao livro original, acerta ao dar mais espaço para os personagens secundários. O romance leve que surge entre Chantal e o morador local Jordie, interpretado com muita doçura por Joseph Chiu, é uma das melhores surpresas da temporada, trazendo o alívio cômico e o frescor necessários quando o drama principal ameaça ficar cansativo. A trilha sonora é um deleite à parte para os corações românticos, embalando os olhares Alongados dos protagonistas com músicas melancólicas de artistas como Lana Del Rey e Gracie Abrams.

“A juventude é um espelho bonito que a vida adulta teima em estilhaçar com a realidade.”

O Veredito do Coração

<strong>NOTA: 3/5</strong>

Depois Daquele Verão cumpre o seu papel de ser um romance escapista, doce e por vezes sofrido. Seus defeitos residem em algumas escolhas previsíveis do roteiro e no excesso de lamentações dos protagonistas. No entanto, a beleza visual da produção, a força das relações femininas de apoio e a doçura de suas memórias de infância garantem uma maratona envolvente e reconfortante.

AVISO: O portal Séries Por Elas reforça que o audiovisual é fruto do esforço coletivo de centenas de profissionais, desde roteiristas e diretores até as equipes técnicas de som e iluminação. Assistir a produções como Depois Daquele Verão exclusivamente através de plataformas de streaming oficiais garante a manutenção dessa indústria tão vital.

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