Crítica de Um Lugar Bem Longe Daqui: Vale A Pena Assistir?

Um Lugar Bem Longe Daqui, lançado em 2022 e agora disponível na Netflix, adapta o best-seller de Delia Owens para o cinema. Dirigido por Olivia Newman e roteirizado por Lucy Alibar, o filme mescla drama e suspense em uma história de isolamento, amor e mistério. Com Daisy Edgar-Jones no papel principal, ele explora a vida de Kya Clark, uma jovem abandonada que cresce sozinha nos pântanos da Carolina do Norte. Em 2025, com o streaming facilitando o acesso, o longa ganha nova vida. Mas entrega emoção ou decepciona? Abaixo, analiso os acertos e falhas para guiar sua escolha.

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Premissa cativante em um cenário hipnótico

A narrativa começa nos anos 1950, com Kya (Daisy Edgar-Jones) como uma criança rejeitada pela família. Sozinha aos seis anos, ela sobrevive nos marshlands, aprendendo com a natureza e enfrentando o preconceito da cidade vizinha. Anos depois, em 1969, dois homens entram em sua vida: o sensível Tate (Taylor John Smith) e o charmoso Chase (Harris Dickinson). O romance floresce, mas um assassinato abala tudo, levando a um julgamento tenso.

Baseado no livro de Owens, o filme fielmente recria o isolamento de Kya, usando os pântanos como personagem vivo. A fotografia de Polly Morgan capta a beleza selvagem, com águas turvas e aves migratórias que simbolizam liberdade. No entanto, o ritmo lento, típico de dramas sureños, pode testar a paciência. O suspense do crime surge tarde, deixando os primeiros 40 minutos mais poéticos que urgentes.

Elenco sólido, com destaque para Daisy Edgar-Jones

Daisy Edgar-Jones brilha como Kya, transmitindo vulnerabilidade e força com olhares sutis. Sua transição de Normal People para este papel solo prova versatilidade, especialmente nas cenas de solidão. Taylor John Smith convence como Tate, o biólogo gentil que ensina Kya a ler, criando química natural. Harris Dickinson, de Euphoria, adiciona camadas ao vilanesco Chase, misturando sedução e ameaça.

O elenco de apoio enriquece o mundo: David Strathairn como o advogado compassivo e Michael Hyatt como a vizinha protetora. Ainda assim, alguns atores, como os da infância de Kya, parecem subutilizados. A ausência de diversidade no livro – e no filme – reflete críticas ao romance original, ignorando vozes negras nos pântanos do Sul. Apesar disso, as performances elevam o material, tornando Kya inesquecível.

Direção delicada, mas roteiro previsível

Olivia Newman, em sua estreia em longas, dirige com sensibilidade, priorizando atmosfera sobre ação. As cenas de Kya pintando conchas ou navegando no barco evocam tranquilidade, contrastando com o julgamento opressivo. Lucy Alibar, co-roteirista de A Grande Jogada, adapta fielmente o livro, preservando a voz poética de Owens. A trilha de Mychael Danna reforça o tom melancólico, com melodias folk que ecoam o lamento dos marshlands.

Porém, o roteiro tropeça em clichês. O triângulo amoroso é formulaico, e o mistério do assassinato, central no segundo ato, revela-se previsível para quem leu o livro. Roger Ebert notou o filme como “tepidamente restrito”, e concordo: falta ousadia para um enredo de mulher selvagem. O final, evasivo e poético, divide opiniões – poético para fãs, cheat para críticos como o Guardian.

Pontos fortes e limitações evidentes

Os marshlands filmados na Louisiana hipnotizam, com cenas de Kya emergindo da água como uma sereia moderna. A mensagem de resiliência feminina ressoa, especialmente em tempos de empoderamento. As atuações, lideradas por Edgar-Jones, ancoram o drama, e o julgamento final injeta tensão necessária.

Limitações pesam: o pacing desigual arrasta o romance inicial, e o tom poético beira o melodramático. Críticas no Variety chamam de “compelling wild-child tale”, mas o Reddit o vê como “shallow and contrived”. Mudanças raciais no elenco, como personagens negros alterados, ecoam debates sobre o livro. Ainda assim, para uma estreia, Newman acerta na empatia.

Vale a pena assistir em 2025?

Sim, se você ama histórias de superação e naturezas selvagens. Na Netflix, é ideal para uma noite reflexiva; para alugar na Amazon Prime, Apple TV, Google Play ou YouTube, vale o investimento para fãs do livro. Com 2h05min, exige paciência, mas recompensa com beleza visual e emoção crua. Evite se busca ação rápida – opte por Gone Girl.

Para iniciantes em Owens, é uma porta de entrada acessível. Em um catálogo lotado, destaca-se pela originalidade sureña, mesmo com falhas. Assista e decida: Kya é vítima ou sobrevivente?

Um Lugar Bem Longe Daqui é um drama contemplativo que captura a essência selvagem de Kya, graças a Daisy Edgar-Jones e cenários deslumbrantes. Apesar de um roteiro previsível e ritmo lento, oferece uma jornada emocional que nutre a alma, como disse um blogueiro. Em 2025, na Netflix ou plataformas de aluguel, é uma escolha sólida para quem valoriza resiliência sobre reviravoltas. Não é perfeito, mas sua poesia pantanosa fica na memória. Vale o play.

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Magui Schneider
Magui Schneider

Como Editora-Chefe do Séries Por Elas, Magdalena (Magui) é responsável pela curadoria e tom editorial do portal. Magui traz um diferencial único: sua formação como Psicóloga (CRP-RS 07/27539). Ela utiliza sua expertise no comportamento humano para enriquecer as críticas de cinema e TV, oferecendo uma visão analítica e humana sobre o desenvolvimento de personagens e tramas.

Especialista em narrativas de drama, romance e comédia, a ‘Little Monster’ fã declarada da Lady Gaga, traduz sua visão profissional em análises que conectam o público às emoções das telas. É ela quem garante que, aqui, a paixão de fã e a análise séria andem de mãos dadas.

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