Lançado em 2018 como continuação direta de Sicário (2015), Sicário: Dia do Soldado chega com a missão ingrata de expandir um universo já marcado por tensão, brutalidade e ambiguidade moral. Sob a direção de Stefano Sollima e com roteiro novamente assinado por Taylor Sheridan, o filme aposta em uma abordagem ainda mais sombria, menos contemplativa e mais direta, trocando parte do impacto psicológico do original por uma narrativa de ação crua e politicamente carregada. Disponível atualmente na Netflix e no Amazon Prime Video, além de opções de aluguel em plataformas digitais, o longa segue despertando debates sobre seus méritos e limitações.
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Um mundo ainda mais brutal e menos sutil
Desde os primeiros minutos, Sicário: Dia do Soldado deixa claro que não pretende repetir a mesma estrutura do filme anterior. Aqui, a fronteira entre Estados Unidos e México é tratada como um território de guerra permanente, onde decisões extremas são justificadas por um discurso de segurança nacional. O roteiro abandona qualquer tentativa de nuance política mais refinada e aposta em uma lógica quase bélica: se o inimigo é invisível, qualquer método se torna aceitável.
Essa escolha narrativa torna o filme mais direto e agressivo, mas também menos inquietante. A sensação constante de desconforto que marcava o primeiro Sicário dá lugar a sequências de ação bem coreografadas, porém previsíveis. Ainda assim, há mérito na forma como o longa expõe o vazio moral de seus protagonistas, mesmo sem aprofundar as consequências humanas dessas decisões.
Benicio Del Toro assume o protagonismo com força
Se no filme original Alejandro era uma figura quase mítica, envolta em mistério, aqui Benicio Del Toro assume definitivamente o centro da narrativa. Seu personagem ganha mais tempo de tela, mais falas e um arco emocional mais explícito. Del Toro sustenta o papel com autoridade, entregando uma atuação contida, marcada por olhares e silêncios que dizem mais do que longos diálogos.
O problema é que, ao humanizar excessivamente Alejandro, o filme retira parte de sua força simbólica. Ele deixa de ser apenas o reflexo de um sistema corrompido para se tornar um anti-herói mais tradicional, o que simplifica um personagem que antes provocava incômodo justamente por sua opacidade.
Josh Brolin e o retrato do pragmatismo tóxico
Josh Brolin, como Matt Graver, representa o pragmatismo institucional levado ao extremo. Seu personagem opera sem culpa aparente, sempre amparado por ordens superiores que surgem e desaparecem conforme a conveniência política. Brolin entrega uma performance sólida, ainda que pouco desafiadora, sustentando um arquétipo já conhecido dentro do cinema político contemporâneo.
O filme acerta ao mostrar como esse tipo de figura se adapta facilmente a qualquer mudança de discurso oficial, mas falha ao não questionar com mais profundidade as consequências desse comportamento. Em vez de crítica incisiva, muitas cenas soam como mera constatação.
Isabela Merced e a tentativa de humanização do conflito
A introdução da jovem personagem vivida por Isabela Merced representa uma clara tentativa de trazer uma perspectiva civil ao caos apresentado. Sua presença funciona como um contraponto emocional às ações violentas dos protagonistas, oferecendo ao público um olhar mais vulnerável sobre os impactos do conflito.
No entanto, essa camada dramática é explorada de forma irregular. A personagem surge como um símbolo, mas raramente é desenvolvida além disso. Ainda assim, Merced demonstra carisma e entrega momentos genuínos, mesmo presa a um roteiro que não se compromete totalmente com sua jornada.
Direção eficiente, mas sem identidade própria
Stefano Sollima conduz o filme com competência técnica. As cenas de ação são bem filmadas, a tensão é constante e o ritmo raramente cai. No entanto, falta ao longa uma identidade visual tão marcante quanto a de Denis Villeneuve no primeiro filme. A fotografia é funcional, porém menos memorável, e a trilha sonora não alcança o mesmo impacto perturbador da obra original.
Essa mudança reforça a sensação de que Sicário: Dia do Soldado é mais um thriller de ação do que um estudo psicológico sobre violência institucional. Para alguns espectadores, isso pode ser um ponto positivo. Para outros, uma perda significativa.
Um olhar crítico sob a perspectiva de Séries Por Elas
Considerando a proposta editorial do Séries Por Elas, é impossível ignorar como o filme limita a presença feminina a papéis secundários e simbólicos. As mulheres surgem quase sempre como vítimas, figuras periféricas ou catalisadoras do sofrimento masculino. Não há espaço real para protagonismo feminino ou para uma abordagem mais complexa da experiência das mulheres dentro desse cenário de violência.
Essa ausência não é apenas narrativa, mas também temática. O filme reforça uma visão de mundo dominada por decisões masculinas, onde empatia é tratada como fraqueza. Para um público que busca histórias mais plurais e sensíveis, esse é um ponto que pesa negativamente.
Vale a pena assistir Sicário: Dia do Soldado?
- Nota final: 3,5 de 5 ⭐⭐⭐☆☆
Sicário: Dia do Soldado funciona como um filme de ação tenso e bem produzido, com atuações consistentes e uma narrativa que prende a atenção. No entanto, ao optar por caminhos mais fáceis e menos provocativos, acaba ficando aquém do impacto de seu antecessor. É um longa que entretém, mas raramente incomoda. E, considerando o tema que aborda, talvez esse seja seu maior problema.
Para quem gostou do primeiro filme e deseja revisitar esse universo, a experiência é válida. Para quem busca uma crítica mais profunda ou uma abordagem mais diversa, a frustração é quase inevitável.
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