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CRÍTICA Rubí (2020): O Preço do Desejo em um Mundo que Cobra Caro das Mulheres

Puxe uma cadeira, pegue o seu mate ou o seu café, e vamos conversar de coração aberto. Sabe aquela velha história de que precisamos escolher entre a segurança do coração e a ambição de conquistar o mundo? A versão de 2020 da clássica novela mexicana Rubí, idealizada pelo brilhante roteirista Leonardo Padrón, traz esse dilema de volta com uma roupagem moderna, crua e irresistivelmente viciante.

Com 26 episódios dinâmicos, esta produção dos estúdios Televisa e Univision está inteiramente disponível para você maratonar na Netflix. Vou te contar: vale cada minuto do seu tempo, não porque seja uma história de fadas, mas porque ela escancara as contradições mais profundas da alma humana.

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A Força do Olhar Feminino em Rubí

Muitos olham para a protagonista como a clássica vilã interesseira das novelas de antigamente. Mas, quando despimos a narrativa dos julgamentos morais e usamos uma lente psicológica mais atenta, enxergamos algo muito mais complexo.

A personagem vivida com uma intensidade magnética por Camila Sodi não nasceu em um vácuo. Ela é o subproduto de uma realidade de extrema escassez, traumas familiares latentes e a falta de oportunidades que sufoca tantas jovens na América Latina. Rubí olha para a pobreza não apenas como uma condição financeira, mas como uma violência diária que anula a dignidade.

A dor e os desafios da mulher contemporânea ecoam com força na trajetória de Rubí. Em um mundo que frequentemente nos diz até onde podemos ir, ela decide chutar as portas. O problema, e aí entra o grande nó psicológico da trama, é que ela confunde agência e liberdade com a mercantilização de si mesma.

Ela usa a beleza e o poder de sedução como armas de guerra em um território predominantemente masculino. Só que as regras desse jogo foram criadas por homens poderosos, como o bilionário Héctor Ferrer, interpretado com uma arrogância cortante por Rodrigo Guirao Díaz.

Essa narrativa conversa diretamente com as nossas angústias atuais sobre o que significa vencer na vida. Até que ponto o desejo legítimo de sair de uma situação vulnerável justifica deixar pelo caminho os afetos verdadeiros? Rubí se recusa a aceitar o papel de vítima passiva, mas, ao tentar dominar o sistema patriarcal usando as próprias armadilhas dele, acaba se aprisionando em uma teia de solidão e obsessão. É uma desconstrução brilhante do mito da “mulher fatal”, revelando a imensa fragilidade emocional escondida atrás de um batom vermelho e de um salto alto.

Por Trás das Câmeras

Esqueça o ritmo arrastado e melodramático dos anos 2000. O formato de série de 26 episódios fez um bem extraordinário para a estrutura do roteiro. A direção consegue equilibrar de forma primorosa duas linhas temporais distintas.

Nós acompanhamos a jovem Rubí em sua escalada implacável rumo ao topo e, ao mesmo tempo, somos apresentados a uma versão envelhecida, misteriosa e isolada da protagonista, que vive como uma lenda urbana em uma mansão decadente. Esse mistério inicial é o que nos prende desde o primeiro segundo.

A química do elenco é um dos pilares de sustentação da obra. A dinâmica entre Rubí e o médico Alejandro Cárdenas, vivido pelo carismático José Ron, transborda uma paixão genuína, mas que é constantemente sabotada pelo orgulho e pelo medo da pobreza.

Cada troca de olhares transmite uma eletricidade palpável, tornando a dor da separação deles ainda mais dolorosa para quem assiste. O espectador consegue sentir a frustração mútua de dois mundos que se chocam.

Visualmente, a produção é belíssima e cheia de camadas. A fotografia utiliza um jogo inteligente de luz e sombra para traduzir o estado mental da protagonista. Nos momentos de luxo e ostentação, as cores são quentes, saturadas e brilhantes, quase ofuscantes.

Já nas cenas que mostram seu isolamento futuro, a paleta migra para tons frios, melancólicos e acinzentados, banhados por uma iluminação difusa que evoca o arrependimento. A trilha sonora dita o ritmo com precisão cirúrgica, pontuando os momentos de tensão e romance sem nunca soar exagerada.

Veredito do Coração

<strong>NOTA: 4/5</strong>
  • Uma reinvenção necessária e viciante.

Esta nova versão de Rubí nos entrega muito mais do que um entretenimento passageiro; ela nos oferece um espelho desconfortável sobre ambição, autoestima e escolhas. Ela nos faz questionar os nossos próprios limites e a forma como a sociedade pune mulheres ambiciosas, mesmo quando as suas ferramentas de ascensão são questionáveis. É um drama psicológico envolvente, ágil e muito bem amarrado, que respeita a inteligência do público do início ao fim.

AVISO: Grandes histórias mexem com as nossas emoções e movem uma indústria gigantesca de profissionais talentosos por trás das câmeras. Para garantir a melhor qualidade visual, proteger seus dispositivos de ameaças e valorizar os atores, roteiristas e diretores que tornaram este projeto possível, assista a esta série apenas por meio das plataformas oficiais de streaming mencionadas no início deste texto.

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