Crítica de Os Abandonados: Vale A Pena Assistir a Série?

Os Abandonados, série americana de 2025 da Netflix, marca o retorno de Kurt Sutter ao drama após Sons of Anarchy. Com oito episódios de 45 minutos, a produção ambientada no Oregon dos anos 1850 mistura faroeste, família e vingança. Gillian Anderson interpreta Fiona, uma magnata das minas que adota órfãos para protegê-los de bandidos. Lena Headey é Abigail, sua rival implacável. Ryan Hurst completa o trio principal como o filho adotivo problemático. Criada por Sutter e dirigida por Dennie Gordon, a série promete tensão em um cenário hostil. Mas entrega? Nesta análise, destrinchamos acertos e falhas para decidir se vale o play.

VEJA TAMBÉM

Premissa ambiciosa em terreno instável

A trama gira em torno de Fiona Dolan, viúva que constrói uma família improvável com órfãos resgatados de um massacre. Ela enfrenta Abigail Taylor, líder de uma gangue que caça os “abandonados” por vingança pessoal. O Oregon selvagem serve de pano de fundo para emboscadas, tiroteios e dilemas morais. Sutter explora temas como maternidade forçada e lealdade em tempos de lei frouxa.

A ideia é sólida, evocando Deadwood com toques de The Revenant. No entanto, o enredo se perde em subtramas desconexas. Flashbacks excessivos repetem traumas sem avançar a narrativa. O ritmo oscila: inicia lento, acelera no meio e tropeça no final, com resoluções apressadas. Críticos como os do AV Club chamam de “nonsense sério demais”, onde a seriedade vira paródia involuntária.

Elenco estelar desperdiçado

Gillian Anderson domina como Fiona, trazendo frieza calculada e fúria contida. Sua transição de The Crown para o faroeste é fascinante, com olhares que dizem mais que diálogos. Lena Headey, icônica como Cersei em Game of Thrones, injeta veneno em Abigail, mas o roteiro a reduz a vilã unidimensional. Ryan Hurst, de Sons, repete o arquétipo do brutamontes conflituoso como Silas, sem surpresas.

O elenco de apoio, incluindo jovens como Hannah Simone e Jack O’Connell, luta com papéis esquecíveis. As mulheres, ponto forte teórico, são subutilizadas: Fiona e Abigail brilham em confrontos, mas somem em arcos masculinos. Como nota o Roger Ebert, a série “deixa suas estrelas femininas para trás”, priorizando tiroteios genéricos sobre desenvolvimento emocional.

Direção visual forte, mas narrativa fraca

Dennie Gordon captura a vastidão do Oregon com cinematografia épica. Paisagens áridas e cabanas sombrias criam imersão, reforçada por uma trilha de Brian Tyler que evoca tensão. As cenas de ação – emboscadas noturnas e duelos – são bem coreografadas, com poeira e sangue realistas.

Porém, a direção falha no equilíbrio. Diálogos expositivos soam forçados, como alertas do Guardian sobre “momentos duvidosos no script”. Sutter, mestre em diálogos afiados, aqui opta por clichês: heróis estoicos e vilões sádicos sem nuance. O tom po-faced, como descreve o The Guardian, sufoca o humor ou a ironia que poderiam aliviar a seriedade excessiva.

Pontos fortes e limitações evidentes

Os visuais são o maior trunfo: o Oregon filmado em locações reais transmite isolamento palpável. Anderson e Headey elevam cenas chave, como um confronto na chuva que tensiona o episódio quatro. A exploração da maternidade em era brutal adiciona camadas, questionando se proteção vira prisão.

Limitações dominam: pacing horrível, com episódios repetitivos que revisitam o massacre inicial. Personagens secundários evaporam, e twists – como traições familiares – são previsíveis. O final, com redenção forçada, decepciona, deixando arcos inconclusos. IMDb users reclamam de “pacing lento e falta de conexão”.

Vale a pena assistir Os Abandonados?

Os Abandonados divide opiniões. Fãs de Sutter podem perdoar falhas por lealdade, atraídos pelo elenco estelar. Para quem ama faroestes viscerais, os primeiros três episódios entretêm com ação crua. No entanto, o arrasto narrativo e subdesenvolvimento frustram, como no Decider: “stream it or skip it” inclina para pular.

Em 2025, com opções como Godless relançado, esta série é mediana. Assista se curte westerns femininos com paisagens hipnóticas. Caso busque profundidade, opte por clássicos. Nota geral: 3/5 – visualmente rico, emocionalmente pobre.

Os Abandonados tenta reviver o faroeste com mulheres no centro, mas tropeça em execução. Kurt Sutter entrega beleza e estrelas, mas falha em coesão e emoção. Gillian Anderson brilha em um mar de clichês, enquanto o Oregon rouba cenas. Para uma maratona casual, vale o esforço. Para impacto duradouro, procure além. Netflix acerta na ambição, erra na entrega – um faroeste que abandona seu potencial.

Siga o Séries Por Elas no Twitter e no Google News, e acompanhe todas as nossas notícias!

Magdalena Schneider
Magdalena Schneider
Artigos: 2659

Um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *